segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Resenha: Sapiens - uma breve história da humanidade

* Maurício Novaes Souza

Desde que escrevi a minha dissertação de mestrado, entre 2002 e 2004, “Degradação ambiental e recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável”, fiquei muito mais atento e questionador quanto ao comportamento do Homo sapiens. A partir desta pesquisa, não consegui ter respostas para grande parte das atitudes dos humanos, inclusive as minhas. Por que, com tanto conhecimento, o homem pode causar tanta degradação? Para responder a esses questionamentos, conhecer os tempos remotos de nossa espécie e como ela deixou de ser um animal qualquer com impacto insignificante no planeta para se tornar dona do mundo, capaz de destruí-lo com o apertar de alguns acionadores, sempre foi algo que me interessou saber, e foi por isso que fiquei muito feliz ao conhecer e ler este livro.

Título do livro - Sapiens: uma breve história da humanidade.

Yuval Noah Harari, o autor, é doutor em História pela Universidade de Oxford, especializado em história mundial e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

A tese central do livro: o homem conseguiu sua supremacia incontestável sobre qualquer outra espécie nesse planeta devido à sua capacidade de criar e compartilhar mitos. Ou seja, sua capacidade de criar ficção!

Os questionamentos do livro: qual a relação entre história e biologia? Existe justiça na história? As pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo? Seguindo o raciocínio de Harari, as realidades imaginadas acabam por formar uma rede de instintos artificiais que une as pessoas. A essa rede chamamos cultura. As culturas estão em constante mutação, muito por causa das contradições internas que encerram. Por exemplo: liberdade e igualdade são dois valores que se contradizem mutuamente e até “é possível analisar toda a história política do mundo desde 1789 como uma série de tentativas para reconciliar esta contradição”. Assim sendo, terá a história uma direção? O nosso assertivo professor diz que sim! Corre do múltiplo para o uno por força gravídica de três ordens universais: o dinheiro, os impérios e as religiões.

O livro trata: de forma bastante agradável, mistura e articula conhecimentos de história, biologia, linguística, geografia, antropologia, sociologia, capitalismo, imperialismo, homossexualismo... É um livro diferente porque conta a história de um personagem que muda imensamente das primeiras páginas até as últimas linhas. Porém, este protagonista tão especial, não é uma pessoa, e sim toda uma espécie: Homo Sapiens!

O livro

Sapiens trata da História da humanidade de um ponto de vista "biológico", a partir da evolução do Homo sapiens desde a pré-históriapassando pelas revoluções agrícola e industrial. O livro impressiona pela quantidade de informação, com muito conhecimento de ecologia, escrita em linguagem acessível, atraente e divertida. Em sua essência, sugere que, há centenas de anos, o mundo era dominado por uma dúzia de espécies, das quais só a Homo Sapiens sobreviveu. O Sapiens não é o mais forte e não temos a certeza de que tenha sido o mais inteligente. Não fazemos ideia de como Neandertais ou Ergasters pensavam. Para Harari, somos diferentes! Andamos em duas pernas, nossos bebes nascem até com o crânio aberto, de tão pré-desenvolvidos que são e precisamos de mais comida para alimentar nossos cérebros grandes demais. Hoje lidamos bem com a inteligência e com nossos corpos, mas deve ter sido difícil num contexto caçador/coletor, sem carros, parteiras ou facas. Na verdade é perigoso para nossas crenças culturais pensarmos tão longe na história. Indo atrás da antropologia e reconstruindo o passado vemos que somos uma série de acontecimentos aleatórios, evoluções, descobertas e revoluções. O que isso tem de estranho? Parece extremamente óbvio! Mas faz cair por terra a teoria de que nascemos sabendo, que somos criados prontos!

O livro traça a trajetória da espécie pela sucessão de três revoluções:

- a cognitiva (quando nos tornamos astutos – há aproximadamente 70.000 anos): o nascimento da linguagem ficcional modifica todo processo evolutivo e o homem se diferencia das demais espécies. Passa a contar com a possibilidade de narrar histórias, criar ficção, relacionar-se com seus deuses, obter conhecimento e falar sobre suas experiências - os Homo sapiens se espalham a partir do continente africano. Aqui, essa nova humanidade, mais inteligente em relação aos existentes e mais atrasados que os Neandertais, ainda é composta de caçadores-coletores. Isto é, vivem do que conseguem obter em termos de caça e coleta de vegetais. São nômades e ainda não formam propriamente uma sociedade. Em pouco tempo suplantam por completo os Neandertais, eliminando-os.

- a agrícola (quando moldamos a natureza a nosso favor e começa a unificação da humanidade). Essa fase se inicia há aproximadamente 12 mil anos. Nela, já os encontramos em assentamentos permanentes, com a domesticação de animais e de plantas. O homem vai deixando, lentamente, sua visão animista. Em relação ao chamado especismo, Harari faz uma defesa veemente da questão animal, denunciando a crueldade dos Sapiens, caracterizando os animais domesticados como as primeiras vítimas da chamada Revolução Agrícola. O autor descreve os métodos cruéis como é conduzida - desde longo tempo - a indústria de laticínios. Narra o fato de que vacas, cabras e ovelhas destinadas à produção de leite, só o produzem após terem uma cria, que comumente - até hoje - é logo abatida ao nascer. Nessa fase acontece a invenção do dinheiro, dos impérios, das grandes religiões...; e

- a científica/industrial (quando ganhamos um poder perigoso e nos tornamos deuses).
A Revolução Industrial se inicia há aproximadamente 200-500 anos. O homem vai abandonando crenças antigas que não são cientificamente comprovadas. A partir daí suas invenções e descobertas são cada dia mais incríveis.  Por toda a parte, e cada vez mais, as máquinas criadas pelo homem fazem o trabalho que era deles. Nesse período tão recente, a família e a comunidade se enfraqueceram e são substituídas pelo poder do Estado e do mercado. Há extinção em massa de plantas e animais. Os humanos transcendem os limites do planeta Terra, as armas nucleares se tornam uma ameaça efetiva à sobrevivência da humanidade e dezenas de ecossistemas são degradados. Os organismos são moldados não mais pela chamada seleção natural, mas pela interferência do homem (design inteligente). Porém, nem toda essa evolução se transforma em benefício aos Homo sapiens. No quesito "multiplicação", a nossa espécie se saiu melhor que as demais. Mas será que esta multidão de pessoas vive melhor hoje que há 30.000 anos? O livro compara muito bem nossas várias épocas e nos faz refletir sobre como ocupamos nosso tempo e esforços.

O fato é que essa massiva supremacia do Homem, que se inicia na Revolução Cognitiva, ao ser capaz de criar mitos e de propagá-los, modificou o modo de ver o mundo. Somos o único animal que acredita em coisas que não existem, construtos abstratos (conceito teórico não observável - exemplos de construtos são personalidade, amor, medo...), como nação, povo, dinheiro, benefícios previdenciários, e Harari não hesita em apontar, também, as religiões como coisas pertencentes ao domínio da abstração.

Ninguém pode ser um especialista em tudo, e não é de se surpreender que algumas conclusões pudessem ser questionadas ou terem erros. Mas há muito alimento para o pensamento e para a discussão, por exemplo, com a afirmação que a agricultura permitiu o surgimento das sociedades de milhares e milhões de pessoas, e a dificuldade e o desconforto de uma espécie que se criou em pequenas comunidades nômades para se adaptar em grandes cidades impessoais. Pra fazer isso, Harari destaca a capacidade de comunicação, que permitiu inventar mitos comuns ou ficções. Os três mais importantes sendo o dinheiro, a religião e o império, todos eles que permitiram a união das pessoas pelos tempos e lugares. Muito interessante e altamente polêmico o autor dar a mesma origem para a religião, o dinheiro e para os governos. Mas a clareza dos argumentos e a lógica da análise são surpreendentes.

Quando analisa as revoluções da agricultura e científica, tenta fazer uma previsão realista para onde a humanidade se dirige - a conclusão é no mínimo assustadora. Nós sempre esperamos mais e não ficamos satisfeitos com nossa condição material e com os objetos temos hoje que, provavelmente, iriam encantar nossos avós. “Nossa intolerância para a inconveniência e o desconforto” está tão enraizada que “nós podemos sofrer hoje muito mais dor que nossos ancestrais jamais sofreram”. O crescimento científico e tecnológico, a diferença e desigualdade social podem impor diferenças e desejos que tornarão a vida sem eles insuportável. Já é sabido que a criminalidade está associada mais a desejos e diferenças sociais do que à fome ou sobrevivência. O que irá acontecer quando o crescimento científico e tecnológico aumentar?

Agravantes da modernidade

Para piorar, a modernidade trouxe o colapso da família – “a revolução social mais momentosa que já se abateu sobre a humanidade” – e tem acabado também com o consolo da religião. Se as pessoas nos tempos medievais “acreditavam na promessa de eterna felicidade na vida após a morte” o livro sugere que, “eles podem, muito bem, terem vivido as suas vidas como muito mais significativo e valor do que as pessoas seculares modernas, que em longo prazo não podem esperar nada, além do mais completo e sem sentido esquecimento”.

Eventualmente vamos mudar tanto que o Homo sapiens deixe efetivamente de existir. Os nossos descendentes podem se tornar irreconhecíveis para nós. O único procedimento que pode parar esta mudança, na opinião de Harari, é a possibilidade de uma catástrofe ambiental, que também pode acabar com nossa espécie. Para Harari, a humanidade verá mais um evento épico, quando nós seremos banidos nos próximos séculos. Seja porque ganhamos poderes de deuses e nos tornaremos irreconhecíveis para nós mesmos, ou porque iremos nos destruir por um desarranjo provocado no meio ambiente. Você pode discordar das afirmações do livro, imaginar que há erros nas suas deduções, mas não vai ficar indiferente.

Conclusões

Muito antes da Revolução Industrial, o Homo sapiens já era recordista, entre todos os organismos, em levar espécies de plantas e animais mais importantes à extinção. Segundo Harari, temos a honra duvidosa de ser a espécie mais mortífera nos anais da biologia.

Harari afirma, a certa altura do texto, que as guerras de grandes proporções não têm como acontecer no mundo de hoje: não porque as pessoas tenham se tornado melhores, mas porque tais conflitos não seriam rentáveis. Além do mais, os “tesouros” a conquistar migraram do natural (petróleo, ouro,...) para o mítico/intelectual (a informação, as pesquisas, o conhecimento). Outra razão, sempre de acordo com Harari, é que os países, ao se tornarem globalizados, também se tornaram interdependentes e ninguém, efetivamente, lucraria com uma guerra de proporções planetárias – porque todos sairiam perdendo. Além do mais, o arsenal nuclear, cujo poder destrutivo faria desaparecer o planeta, construiu uma “pax atômica”, que refreia qualquer anseio de dominação por meio de armas.

Para quem tem alguma religião, o livro poderá te incomodar com o tratamento que Harari dá às religiões de um modo geral, à católica de um modo restrito, caracterizando-as como mera imaginação coletiva.

O livro quebra os paradigmas mais arraigados na nossa sociedade: mostra da forma mais lógica possível como chegamos às nossas características atuais. Indiscutivelmente, esse livro me trouxe mais conhecimento, esclarecimento e reflexão, somando de forma significativa aos conhecimentos adquiridos na oportunidade de elaboração da minha dissertação, há 15 anos. Mesmo que eu não concorde com todas as opiniões pessoais do autor que estão implícitas na obra, eu admiro a lógica e a sua maneira agradável de escrever.

O fato é que o livro é repleto de erudição sem pretensão e do mais fino humor que um historiador pode utilizar sem perder a seriedade acadêmica. Lendo, você poderá sentir dificuldade em acompanhar e apreciar o brilhantismo exuberante, mas nunca infantil, de Harari, tal a frequência com que se manifesta!

Ao final, meio profético e assustador, aponta algumas mudanças necessárias para a manutenção de nossa espécie, coroando um livro que consegue, de forma geral, nos fazer entender, e ser, um Homo sapiens, no mínimo, mais reflexivo e melhor. Este é, decididamente, um livro que faz bem à cabeça do Sapiens.



HARARI, Yuval Noah. Sapiens – uma breve história da humanidade. Porto Alegre, RS: Editora L&PM, 2014. 464p.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa. Foi professor do IF SEMG campus Rio Pomba. Atualmente, IFES campus de Alegre. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

domingo, 29 de janeiro de 2017

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS EM ÁREAS DE PLANTIO DIRETO

* Silvane de Almeida Campos











  
Introdução
O controle de plantas daninhas consiste na adoção de práticas que resultam na redução da infestação, mas não necessariamente na completa eliminação ou erradicação. Para ser eficiente, muitas vezes necessita ser iniciado antes da instalação da cultura ou até mesmo na safra anterior (Silva et al., 2015).
O custo de controle das plantas daninhas acarreta aumento no custo de produção da área como a exemplo do sistema de plantio direto (SPD) em que o uso de herbicidas poderá ser maior. Além disso, a presença de plantas daninhas por ocasião da colheita pode trazer transtornos operacionais, retardando o processo de colheita e, consequentemente, aumentando as perdas e o custo de produção. As plantas daninhas também são potenciais hospedeiras de pragas, doenças, nematoides, ácaros, bactérias e vírus, sendo fonte de inóculo destes organismos em culturas de interesse comercial (Carvalho, 2013).
A presença de plantas daninhas em áreas cultivadas resulta em redução da produtividade devido à interferência causada por estas plantas. As perdas variam conforme a espécie e podem, inclusive, inviabilizar a colheita (Carvalho, 2013). O grau de interferência depende das manifestações de fatores ligados à comunidade infestante (composição especifica, densidade e distribuição), própria cultura (espécie, variedade ou cultivar, espaçamento e densidade de plantio) e a época e extensão do período de convivência, além disso, pode ser alterado pelas condições climáticas, edáficas e de tratos culturais (Alvino et al., 2011). Há um período do ciclo da cultura em que a presença de plantas daninhas efetivamente acarreta interferência sobre a produtividade das culturas e, portanto, devem ser controladas para prevenir à interferência (Carvalho, 2013).
O período crítico de prevenção à interferência (PCPI) é aquele a partir do plantio ou da emergência, quando as plantas daninhas devem ser controladas com eficiência para evitar perda quantitativa e, ou, qualitativa da produção (Silva et al., 2015).  O controle, de modo geral, deve ser feito durante todo esse período. Assim, conhecer a época ideal para iniciar o controle das plantas daninhas é fundamental para o manejo adequado desta vegetação (Carvalho et al., 2009).
No caso do plantio direto, a maior concentração de sementes de plantas daninhas ocorre próximo à superfície. Por isso, há decréscimo, com o passar dos anos, do banco de sementes do solo por indução de germinação ou perda de viabilidade, ainda mais considerando que neste sistema ocorrem alterações na física, química e biologia do solo e interferência na penetração de luz, umidade e na temperatura do solo. Além disso, a cobertura morta causa impedimento físico à emergência de plantas daninhas e, durante a sua decomposição, pode produzir substâncias alelopáticas que inibem a germinação das sementes das invasoras (Cobucci et al., 2004).
Em áreas onde se utiliza o SPD, as plantas de cobertura tornam-se parte essencial para o sucesso deste, principalmente em sistema orgânico de produção (Queiroz et al., 2010). No entanto, adaptar o SPD às normas de produção orgânica não tem sido uma tarefa fácil para os pesquisadores, extensionistas e agricultores. Em sistemas de plantio direto orgânico não é permitido o uso de herbicidas no manejo das culturas, de acordo com as diretrizes de produção orgânica. Ainda, não há dessecantes recomendados para a agricultura orgânica (Corrêa et al., 2011). Atualmente, o controle de plantas daninhas é o principal entrave técnico para a adoção do SPD orgânico pelos agricultores (Fontanétti et al., 2006). Já os sistemas convencionais de plantio direto são baseados em monoculturas utilizando herbicidas na dessecação da cultura de sucessão para a obtenção de cobertura vegetal e no controle de plantas daninhas (Altieri et al., 2011).
Assim, para o manejo destas plantas é essencial que haja cultivos na entressafra de culturas formadoras de palhada (plantas de cobertura). As plantas de cobertura devem possuir como principal característica, grande produção de matéria seca, além de ter a capacidade de sombrear e inibir o desenvolvimento das plantas daninhas. No entanto, vale ressaltar que a eficiência da cobertura depende da quantidade, espessura, tipo de resíduo aplicado e da biologia de espécies de plantas daninhas envolvidas (Fontanétti et al., 2006).
As plantas de cobertura têm recebido expressiva atenção de pesquisas, pois constituem uma alternativa para o controle de plantas daninhas, principalmente na fase inicial da cultura, além de proporcionarem aumento de matéria orgânica no solo (Veronese et al., 2012). Isto se deve também ao fato da população de plantas daninhas modificar na presença de plantas de cobertura, em que a supressão é atribuída a fatores de natureza física, química e biológica proporcionados pela presença da palhada. Entre as culturas de cobertura que possuem potencial para o controle de plantas daninhas, destaca-se a aveia preta, pois proporciona grande cobertura do solo (Silva et al, 2009).
O uso de um único método de controle de plantas daninhas, por si só, não possibilita um manejo eficaz das espécies. No entanto, a busca por novas técnicas e o manejo integrado de plantas daninhas, aplicado corretamente ao sistema de produção, resultará em maior eficiência.

Métodos de controle de plantas daninhas
Controle preventivo: envolve o uso de práticas que visam prevenir a introdução, estabelecimento e/ou propagação de determinadas espécies em área ainda não infestada, tais como o uso de sementes de elevada pureza e vigor; limpeza de equipamentos de preparo do solo; mudas livres de plantas daninhas; utilização de material orgânico de boa qualidade e isento de propágulos de espécies problemáticas; limpeza de canais de irrigação; controle das populações na entressafra e fiscalização de campos de produção de sementes (Cobucci et al., 2004; Alvino et al., 2011).

Controle cultural: baseia-se no uso do manejo da própria cultura para controlar as plantas daninhas. Existem diversas práticas de controle cultural, destacando-se o uso de cultivares mais competitivas; de espaçamento mais estreito; de densidade de plantio mais alta; de sistemas de cultivo distintos; de plantas de cobertura e de rotação de culturas, que impedem o desenvolvimento das plantas daninhas (Carvalho, 2013).

Controle mecânico: baseia-se no uso de algum instrumento que arranque ou corte as plantas daninhas, destacando-se a capina mecânica tratorizada que é uma prática de controle viável em algumas ocasiões em lavouras perenes para manejo de coberturas vegetais; roçagem com roçadeiras elétricas ou motorizadas, roçadeiras tratorizadas, rolo-faca, entre outras. A roçada pode ser manual ou mecânica, com implemento acoplado ao trator (Carvalho, 2013). A roçadeira articulada possui seis linhas, sendo cada linha composta por uma pequena roçadeira, com três facas, que elimina as espécies daninhas somente nas entrelinhas das culturas. Tal equipamento foi desenvolvido pela Embrapa Soja a fim de avaliar alternativas de manejo de plantas daninhas no sistema de semeadura direta da soja (Brighenti et al., 2007b).

Controle físico: consiste no uso de alguma prática que exerça influência física sobre as plantas daninhas, destacando-se o fogo (queima da vegetação) que normalmente é feita com lança-chamas, é uma prática antiga e de uso limitado no Brasil. Foi muito utilizada em algodão e vem ganhando expressiva conotação principalmente entre praticantes de agricultura orgânica na Europa. A cobertura morta (palha ou resíduo vegetal) apresenta três efeitos que podem ser benéficos ou maléficos às plantas daninhas. O efeito físico baseia-se no impedimento da germinação de sementes de plantas daninhas em função da limitação de absorção de luz por sementes de plantas fotoblásticas positivas ou, ainda, no impedimento da emergência das plântulas após a germinação, não conseguindo transpassar a camada de palha presente sobre o solo (Carvalho, 2013).

Controle biológico: o efeito biológico, melhorando as condições do solo para o desenvolvimento de microrganismos que podem auxiliar na quebra de dormência de algumas sementes de plantas daninhas ou mesmo deteriorá-las. Por fim, o efeito alelopático de coberturas vegetais oriundas de plantas que produzam compostos alelopáticos, podendo suprimir o crescimento ou mesmo matar as plantas daninhas sensíveis (Carvalho, 2013).

Controle por choque elétrico: o equipamento testado é acoplado à tomada de força do trator, gerando eletricidade. A descarga elétrica, ao atingir as espécies daninhas, provoca alteração na fisiologia das plantas de forma irreversível, as quais murcham e morrem em pouco tempo. O equipamento também possui campânulas de aplicação dispostas em uma barra, acoplada perpendicularmente à parte central do trator, de forma a facilitar o balizamento pelo operador. O controle das plantas daninhas é realizado apenas nas entrelinhas das culturas (Brighenti et al., 2007b).

Controle químico: baseia-se no uso de produtos químicos visando matar plantas daninhas. Com o desenvolvimento de novos produtos e com a adoção do controle químico como o principal método de controle de plantas daninhas, hoje, quase 50% dos defensivos agrícolas comercializados são herbicidas. A grande aceitação do uso de herbicidas deve-se a alguns fatores destacando-se, segundo Silva e Silva (2007) menor dependência de mão de obra, que é cada vez mais onerosa e difícil de ser encontrada; rápido, prático e eficiente, mesmo em épocas chuvosas; pode ser usado com eficiência mesmo na linha de plantio, sem danificar o sistema radicular da cultura; pode controlar plantas daninhas de reprodução vegetativa.  O ideal é que o controle químico fosse usado apenas como auxiliar aos demais métodos. Nas principais culturas agrícolas, cultivadas extensivamente, os herbicidas são utilizados como o principal método de controle de plantas daninhas. Alguns herbicidas destacam-se em importância e quantidade utilizada, dependendo da cultura (Carvalho, 2013).  Fatores externos, não inerentes aos herbicidas, são muito importantes para obter boa eficiência tais como tipo de solo, teor de água no solo, umidade relativa do ar, temperatura, ventos e tecnologia de aplicação (Cobucci et al., 2004).
Os principais herbicidas recomendados para o manejo de área em plantio direto são o glifosate e sulfosate, os quais são translocados pelo xilema e floema, ou seja, os que atingem todas as partes da planta. Devido à forte adsorção pelas argilas e matéria orgânica, esses herbicidas ficam indisponíveis à absorção pelas raízes e causam pouco impacto ao ambiente, já que a sua degradação pelos microorganismos ocorre em poucos dias. É funda- mental que tais herbicidas sejam aplicados, quando as plantas estiverem em pleno desenvolvimento e apresentarem boa cobertura vegetal. Devem-se evitar aplicações, quando as plantas daninhas apresentarem-se estressadas tanto por deficiência hídrica como por baixas temperaturas. Esses produtos podem ser aplicados com volumes de calda inferiores a 50 L/ha, prática que otimiza a absorção pelas plantas, devido ao menor escorrimento sobre as folhas. Deve-se evitar a aplicação, quando houver risco de ocorrência de chuva num período inferior a seis horas após a aplicação. No uso do Paraquat + diuron , a absorção simultânea do paraquat e do diuron pelas plantas daninhas inibe a rápida ação do paraquat, conferindo melhor ação do produto sobre as invasoras.  Quando o 2,4-D for utilizado para dessecação, deve-se observar criteriosamente o período de carência para a semeadura (Cobucci et al., 2004).

Resistência de plantas daninhas a herbicidas
A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um tema sempre abordado em todas as publicações relacionadas ao manejo de plantas invasoras em diversas culturas agrícolas, cujo controle com herbicidas químicos é o principal método utilizado para solucionar o problema das plantas infestantes. A resistência a herbicidas é a capacidade natural e herdável de alguns biótipos de plantas daninhas, dentro de uma determinada população, de sobreviver e se reproduzir após a exposição à dose de um herbicida, que seria letal a uma população normal (suscetível) da mesma espécie. Os fatores que levam à seleção de biótipos resistentes são: ciclo de vida curto, elevada produção de sementes, baixa dormência de sementes, várias gerações reprodutivas por ano, extrema suscetibilidade a um determinado herbicida e grande diversidade genética. Sendo assim, características dos herbicidas (como mecanismo de ação e residual no solo) e do sistema de produção (como a não rotação de culturas, não rotação de mecanismos de ação, utilização de sub-doses e aplicações mal sucedidas) podem favorecer a seleção de biótipos resistentes, sendo de suma importância para as técnicas de manejo o uso de medidas que retardem o aparecimento de plantas daninhas resistentes em uma determinada área (Barros, 2012).
A monocultura por vários anos e a aplicação dos mesmos herbicidas, ano após ano na mesma área, favorecem o estabelecimento de espécies daninhas tolerantes aos herbicidas, ocorrendo maior interferência sobre a cultura, refletindo negativamente na produção, na qualidade do produto final e nos lucros (Ferreira et al., 2015).
No Brasil, alguns biótipos de azevém, buva e leiteiro adquiriram resistência ao glifosato, constituindo um problema sério. Além disso, o custo do controle tende a se elevar devido à substituição parcial ou total do glifosato do sistema de controle adotado. Devido ao uso extensivo, o glifosato exerce forte pressão de seleção, podendo num curto espaço de tempo selecionar biótipos resistentes de outras espécies daninhas, bem como transformar plantas daninhas tolerantes de importância regional em plantas daninhas problema no âmbito nacional. Sendo assim, torna-se necessário redimensionar o sistema de utilização das lavouras anuais, dando prioridade para sistemas de rotação de culturas associados à adubação verde que propiciem cobertura do solo durante o ano todo. As culturas comerciais nesse sistema devem ser entendidas como oportunidades para alternar ou utilizar herbicidas com mecanismos de ação diferentes e eficientes sobre os biótipos resistentes (Bianchi et al., 2008).

Manejo de plantas daninhas na cultura do milho
Em áreas onde se adota o SPD é necessário que a dessecação anterior à semeadura do milho seja feita de maneira adequada, almejando eliminar todas as plantas estabelecidas e proporcionar a formação da cobertura morta. A palhada exerce efeito físico sobre a população de plantas daninhas, pois favorece a passagem de luz e controla a temperatura e a umidade do solo, além de poder liberar substâncias alelopáticas, criando assim condições adversas para a germinação e o estabelecimento das plantas daninhas (Silva et al., 2015).
Segundo estes autores, o espaço de tempo entre a dessecação da comunidade infestante ou das plantas de cobertura e a semeadura do milho vai depender do(s) herbicida(s) e da(s) dose(s) utilizada(s). Além disso, outros fatores como densidade das plantas daninhas e seu estádio de desenvolvimento, condições do solo e do clima de cada local e a quantidade de matéria seca produzida pelas plantas de cobertura devem ser considerados.
Em sistemas convencionais, é comum a aplicação de dessecantes como Paraquat e Gliphosate para formação do material palhoso. A dessecação por herbicida pode ser associada à roçada ou à trituração como ocorre com o milho após a colheita mecânica, ou o acamamento pode ocorrer após a morte das plantas de cobertura, a exemplo do milheto e aveia preta (Barradas et al., 2010).
Apesar do SPD ser completamente diferente do convencional, as doses dos herbicidas utilizados em pré-emergência continuam sendo as mesmas (Rodrigues; Almeida, 2011). Ao escolher a dose, não se deve levar em consideração a capacidade diferenciada desses produtos de serem lixiviados da palhada para o solo nem de fatores como a quantidade de cobertura morta e características físico-químicas dos compostos que, no final, alteram a atividade agronômica dos herbicidas. O atrazine, herbicida de maior uso na cultura do milho, é muito pouco retido pela palha e, por isso, a ocorrência de chuva após a aplicação transporta-o para a superfície do solo (Fornarolli, 1997).
Áreas infestadas por azevém requerem cuidados especiais, pois é comum encontrar lavouras de milho infestadas por esta espécie devido à má dessecação. O controle inadequado dessa espécie forrageira faz com que a cultura cresça, competindo com plantas adultas de azevém. O problema agrava-se ainda mais em razão da baixa eficiência de controle desta espécie proporcionado pelos herbicidas aplicados em pós-emergência na cultura do milho (Vargas et al., 2006).
Dentre os componentes do custo de produção do milho, os gastos com o controle de plantas daninhas se destacam, pois não podem ser evitados pelos produtores, tendo em vista que o controle inadequado da comunidade infestante é um dos principais fatores relacionados à baixa produtividade da cultura do milho. Nesta cultura, as perdas de rendimento devido à interferência de plantas daninhas podem ser de 10 a mais de 80% (Silva et al., 2015).
O período crítico de competição da cultura do milho com plantas indesejáveis, em condições normais, varia dos 20 aos 60 dias após a emergência (DAE) que, em número de folhas da planta, corresponde ao intervalo entre a terceira e a décima quarta folha. Pesquisas indicam que os maiores prejuízos são observados quando a competição ocorre entre 20 e 45 DAE. A competição anterior aos 20 DAE (plantas de milho com menos de três folhas) e após 45 DAE (plantas de milho com 14 folhas ou mais) é “tolerável”, por não afetar o rendimento. No entanto, o PCPI pode variar de acordo com a comunidade infestante (composição específica, densidade e distribuição na área), a cultura (cultivar, espaçamento, densidade de semeadura) e as condições de solo e de clima de cada região. Por isso, são comuns na literatura resultados divergentes em relação ao início e à duração desse período. Dessa forma, a determinação do manejo da comunidade infestante por meio da fenologia da cultura é algo mais palpável para o produtor, pois a maioria dos tratos culturais é realizada de acordo com essa característica. É importante salientar que, mesmo após o PCPI, algumas espécies daninhas como a corda-de-viola (Ipomoea spp.) e o fedegoso (Senna spp.) podem causar problemas consideráveis na colheita, por exemplo, o embuchamento da máquina, aumentando as perdas na colheita (Silva et al., 2015).
Segundo Corrêa et al. (2011), a população de plantas infestantes é modificada de acordo com o manejo realizado.
O método químico é, atualmente, a alternativa de controle mais utilizada pelos produtores, porém é importante salientar que a adoção do controle cultural deve ser visto como o principal. O uso de medidas culturais, além de favorecer o crescimento da cultura e reduzir a interferência das plantas daninhas, na maioria das vezes não onera os custos de produção, podendo até mesmo reduzi-los. Entre as medidas culturais adotadas podemos citar o uso de cultivares adaptados às condições de solo e clima da região; espaçamento entrelinhas reduzido; densidade e época de semeadura adequada; uso de cobertura morta, rotação de culturas e adubação balanceada. A rotação cria a oportunidade do uso de diferentes tipos de herbicida, colaborando no manejo da comunidade infestante na cultura do milho e em culturas subsequentes (Silva et al., 2015).

Figura 1. Cultivo de milho em sistema plantio direto orgânico sobre palhada de aveia preta.
Fonte: Coelho (2014).
O plantio direto, quando realizado sob manejo orgânico, tem como maior dificuldade o controle das plantas daninhas (Suarez, 2010), uma vez que neste sistema não é permitido o uso de herbicidas. Atualmente tem sido preconizado o uso de roçada, plantas de cobertura, rotação de culturas e consórcio com espécies que favoreçam a supressão das plantas daninhas (Eyre et al., 2011; Lemos et al., 2013).
No manejo das plantas daninhas, em sistema de plantio direto do milho, é comum a realização de roçadas. No entanto, a eficiência desta prática depende, em grande parte, das espécies de plantas daninhas, da frequência do corte e do estádio de desenvolvimento das plantas. Porém, a utilização exclusiva da roçada favorece o estabelecimento de espécies que se reproduzem vegetativamente (Fontanétti, 2008). Tal autora verificou uma maior produção de biomassa total de plantas daninhas em sistema de plantio direto orgânico em comparação ao convencional, com uso de herbicidas, devido, sobretudo, à alta capacidade de rebrota de algumas espécies.
O uso de plantas de cobertura no plantio direto orgânico modifica a dinâmica de plantas daninhas, sendo, portanto, útil na redução da sua infestação e emergência. A supressão das plantas daninhas pela palhada se deve principalmente ao efeito físico e alelopático (Concenço et al., 2013). No entanto, o sucesso no manejo das plantas daninhas depende da espécie infestante, da época de manejo, da quantidade e qualidade das palhadas das plantas de cobertura utilizadas (Vidal e Trezzi, 2004). No SPD utiliza-se uma grande quantidade de palhada, demandando o cultivo prévio de espécies de plantas de cobertura, com destaque para a aveia preta (Silva et al, 2009).
Estudos sobre o manejo de plantas daninhas na produção orgânica de milho têm demonstrado alternativas de controle e aumento de produção em sistema de plantio direto orgânico (Coelho, 2014).
Vaz de Melo et al. (2007) estudando o cultivo de milho verde, em sistema de plantio direto orgânico sobre a palhada de aveia preta, conseguiram reduzir a infestação de plantas daninhas. Queiroz et al. (2010) concluíram que a crotalária e a mucuna preta foram mais eficientes no controle das plantas daninhas, alcançando produtividade de 8 t ha-1 de espigas de milho verde em plantio direto orgânico. Corrêa (2009) alcançou uma produtividade de 6,4 t ha-1 de milho, utilizando aveia preta como planta de cobertura e consorciando milho com feijão de porco e roçagem nos estádios fenológicos do milho em V3 e V6. Coelho (2014) concluiu que as coberturas de aveia preta e coquetel UFV são alternativas de supressão de plantas daninhas em SPD orgânico de milho. O coquetel de plantas é eficiente para produzir grandes quantidades de palhada para o plantio direto. 

Manejo de plantas daninhas na cultura do feijoeiro
Por ser o feijoeiro cultivado durante todo o ano, ele sofre interferência de uma ampla variedade de plantas daninhas (Ferreira et al., 2015). O período crítico de interferência das plantas daninhas com o feijoeiro situa-se entre 15 e 30 DAE da cultura (Salgado et al., 2007; Parreira, 2009).
A redução de produtividade do feijoeiro devido à competição com espécies infestantes pode chegar a 71%, dependendo das características da cultura, da comunidade infestante, do ambiente e da época, e duração do período de convivência entre plantas (kozlowski et al., 2002).
De acordo com Cobucci et al. (2004) os métodos de controle podem ser preventivo, cultural, mecânico, químico e a combinação de todos estes. Na estratégia de controle das plantas daninhas devem estar associados o melhor método e o momento oportuno, antes do período crítico de competição. A escolha do método, entretanto, deve estar relacionada com as condições locais de mão-de-obra e de implementos, sempre considerando a aná- lise de custos. Deve-se utilizar a associação de métodos sempre que possível. Espécies como beldroega, caruru e tiririca são alguns exemplos de plantas daninhas altamente agressivas em cultivos de verão.
O manejo cultural baseia-se no desenvolvimento de feijoeiros com capacidade de manifestar seu máximo potencial produtivo e competir com as plantas daninhas, pelo uso de práticas como o equilíbrio na fertilidade do solo, densidade de semeadura, manejo de adubação, arranjo espacial das plantas, época adequada de plantio, entre outras. A utilização de seqüência de cultivos (sucessão ou rotação), em que os restos culturais de um cultivo exerçam efeitos alelopáticos supressivos sobre a biota nociva do cultivo, também é importante (Cobucci et al., 2004).
A rotação de culturas, além de muitas outras utilidades é praticada como meio de prevenir o surgimento de altas populações de certas espécies de plantas daninhas mais adaptáveis à determinada cultura. A escolha do tipo de cultura a ser incluída em uma rotação, quando o controle de plantas daninhas é o principal objetivo, deve recair sobre espécies cujas características sejam bem contrastantes com as da cultura anterior. A aveia e o trigo demonstraram potencial para diminuir a população de algumas espécies de plantas daninhas, quando em rotação com o feijoeiro (Ferreira et al., 2015).
Plantas de canola, nabo forrageiro e ervilhaca, apesar de inicialmente apresentarem considerável quantidade de massa seca, podem sofrer alta taxa de decomposição, o que facilita a germinação das plantas daninhas. A cobertura verde pode ser utilizada como prática de redução de população e competitividade das plantas daninhas no feijoal, mas o principal objetivo desta prática é melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Muitas plantas (Stilozobium aterrinum, Crotalaria juncea, C. paulina, Cajanus cajan, Canavalia ensiformes, Dolichos lablab, entre outras) podem inibir o desenvolvimento de certas espécies de plantas daninhas. Esses efeitos persistem após o corte e a distribuição de resíduos vegetais sobre o solo (Cobucci et al., 2004).

Figura 2. Cultivo de feijoeiro em área de plantio direto.
Fonte: Cardoso (2014).

Quando se utiliza herbicida no controle de plantas daninhas, este pode ser aplicado antes da semeadura do feijão; antes da semeadura do feijão e incorporado superficialmente ao solo com a gradagem visando reduzir perdas de parte de alguns herbicidas por volatilização e/ou fotodegradação com aplicação em solo seco, aguardando a umidade ideal para se fazer a semeadura; feita após a semeadura e antes da emergência do feijoeiro; em área total após a emergência do feijão e das plantas daninhas para os herbicidas seletivos, e localizada para os não-seletivos. Os herbicidas usados em pós-emergência devem ser aplicados, quando as plantas daninhas encontram-se no estádio jovem, normalmente com menos de quatro folhas verdadeiras. Os herbicidas recomendados em pré-emergência são metolachlor, pendimethalin e trifluralin 600 e em pós-emergência fomesafen, bentazon, imazamox, paraquat+bentazon, sethoxydim, fluazifop-p-butil e clethodim (Cobucci et al., 2004). Os produtores utilizam muito os herbicidas Flex e Fusilade, isolados ou misturados, em pós-emergência.
Conforme Cardoso (2014) práticas de manejo pós-colheita, utilizando-se herbicidas dessecantes, não deixando que plantas daninhas se desenvolvam e multipliquem na entre safra, e uso de práticas como o plantio direto com braquiária, milheto, crotalária, entre outras, com dessecação antecipada para evitar problemas no plantio, servem de barreira física através da cobertura morta, impedindo o desenvolvimento das plantas daninhas, propiciando o fornecimento de matéria orgânica e a preservação da umidade no solo.
Silva et al. (2005) observaram que a aplicação de herbicidas em pós-emergência diminuiu a biomassa total das plantas daninhas na cultura do feijão, sendo este efeito independente do sistema de preparo. Os sistemas de preparo do solo e a aplicação de herbicida em pós-emergência alteraram a importância relativa das plantas daninhas dentro da comunidade. As espécies que apresentaram maior importância foram Cyperus rotundus, nos tratamentos com preparo convencional do solo e Galinsoga parviflora no plantio direto.

Manejo de plantas daninhas na cultura da soja
Segundo Barros (2012) uma das táticas mais eficazes no sistema de Manejo Integrado de Plantas Daninhas é a utilização de cobertura verde permanente nas áreas de cultivo, pressuposto para a consolidação do SPD, uma vez que a adoção de pousio deve ser evitada, pois permite a multiplicação de plantas daninhas com consequente aumento do banco de sementes no solo, cujo potencial de germinação poderá se expressar por várias safras.
O manejo da cobertura do solo visa manter a maior quantidade possível de resíduos culturais sobre a superfície (palhada) visando proteger o solo contra os processos de degradação (erosão hídrica e eólica), reter a umidade por períodos mais prolongados, melhorar os atributos físicos do solo (agregação, macro e microporosidade), preservar a fauna do solo (micro, meso e macrofauna), dentre outras vantagens. Neste sentido, o não revolvimento do solo por implementos de preparo convencional implica no uso de controle químico das plantas invasoras ocorrentes antes da semeadura da soja no verão, sendo assim, esta operação deve ser realizada com um intervalo que varia de 10 a 20 dias antes da semeadura (principalmente em áreas com utilização de 2,4 D) dependendo da massa de cobertura que for dessecada. Com isto, objetiva-se evitar a implantação da cultura sob condições desfavoráveis ao desenvolvimento inicial das plântulas de soja devido ao abafamento que a massa de invasoras pode ocasionar, bem como facilitar a operação de semeadura da cultura (Barros, 2012).

Figura 3. Cultivo de soja em sistema de plantio direto.
Fonte: Barros (2012).

No sistema aplique-plante, as plântulas de soja têm seu desenvolvimento inicial em meio à cobertura vegetal não totalmente dessecada, apresentando reduções de produtividade que podem chegar próximas a sete sacas por hectare, pois até aos 14 DAE das plantas, sob este sistema, a massa de invasoras continua “em pé” e sombreando a cultura. Portanto, é essencial a realização do manejo antecipado da cobertura do solo, principalmente em áreas de alta infestação de invasoras e/ou elevada cobertura de massa verde (Barros, 2012).  
Somente em algumas situações pode-se utilizar o sistema de manejo de invasoras “desseque-plante”, quando a área a ser manejada não apresentar uma quantidade de massa vegetal muito elevada, para que não ocorram os efeitos adversos da cobertura sobre o estabelecimento e desenvolvimento inicial da cultura da soja como dificuldades na operação de semeadura, mau estabelecimento de estande e estiolamento de plântulas de soja. Neste sentido, como no uso deste sistema a semeadura da cultura é realizada logo após a dessecação, não se pode utilizar o herbicida 2,4 D, dando-se então preferência para a adoção de outros herbicidas com ação latifolicida tais como carfentrazone, clorimurom- etílico, flumioxazin, imazetapir, diclosulam e sulfentrazone. Todos em mistura com o glifosato e em dosagens que proporcionem o melhor custo/benefício possível. Sendo assim, a adoção desta modalidade de manejo deve ser pautada em critérios técnicos e econômicos. Dentre os critérios técnicos pode-se citar: a diversidade da flora na área a ser dessecada; a densidade populacional de cada espécie; o estádio de desenvolvimento das plantas infestantes presentes na área, fato que juntamente com os itens anteriores define o produto e a dose a ser utilizada; a posição das plantas infestantes, sobretudo, as de difícil controle, no dossel da massa vegetal, o que determina o principal alvo a ser atingido na aplicação; o espectro de controle dos produtos a serem utilizados; a dinâmica fisiológica do herbicida na planta (ação por contato ou sistêmica) o que define as características da tecnologia de aplicação; solubilidade dos herbicidas aplicados; textura do solo a ser manejado. É importante lembrar que a retirada do 2,4 D da operação de dessecação, implica na utilização de herbicidas tecnicamente mais complexos, o que aumentam as probabilidades de erros na dessecação em casos do uso incorreto (Barros, 2012).   
No entanto, os produtos anteriormente citados (exceto carfentrazone) apresentam uma boa vantagem em função do seu uso, pois possuem efeito residual, proporcionando uma supressão inicial sobre as primeiras camadas de sementes de plantas daninhas presentes na área, o que, de maneira geral, não implica na eliminação da operação de pós-emergência, mas retarda esta operação, diminui a pressão da infestação e pode, em alguns casos, melhorar a eficiência do pós-emergente, principalmente do glifosato no caso da utilização em soja RR. Esta vantagem muitas vezes resulta na diminuição ou eliminação da interferência inicial da infestação de plantas invasoras sobre a cultura, proporcionando, em alguns casos, ganhos de produtividade que compensam os custos da utilização destes produtos, principalmente em associação ao glifosato na soja RR. Além disso, a utilização de outros herbicidas, com mecanismos de ação diferentes ao do glifosato, no manejo de plantas daninhas da soja RR, ajuda a prevenir o aparecimento (seleção) de invasoras resistentes à molécula de glifosato (Barros, 2012). 
Na cultura da soja, há mais de 30 anos são realizados estudos objetivando identificar os períodos que antecedem a interferência das plantas invasoras sobre a produtividade desta oleaginosa. No entanto, até o momento não foi estabelecida uma data exata na cultura que defina este momento, sendo feitas inferências sobre os períodos que vão de 14 a 20 DAE para as gramíneas e de 20 a 30 DAE para as plantas daninhas de folhas largas. Com o surgimento das variedades de soja resistentes ao glyphosate, a “janela de aplicação” para o controle de invasoras se tornou bem mais ampla, havendo agora a possibilidade de aplicações mais precoces devido a maior seletividade adquirida pela cultura, ou mais tardias pelo fato deste produto ser eficaz também sobre algumas ervas em estádios mais avançados de desenvolvimento, no entanto, é válido lembrar que, mesmo a soja resistente ao glyphosate sofre reduções de produtividade quando submetida à competição com ervas invasoras e que o controle destas deve ser realizado dentro do período crítico de prevenção a esta interferência. O PCPI corresponde ao período após a implantação da cultura em que as plantas daninhas presentes convivem com a mesma sem redução de produtividade e o período que vai da implantação da cultura até o completo fechamento das entrelinhas, onde o controle deixa de ser necessário. Sendo assim, como o método mais utilizado na cultura da soja para controle de plantas daninhas ainda é o químico, as observações anteriores devem ser seguidas para aumentar a eficiência do método, reduzir custos e evitar perdas significativas (Barros, 2012). Esta é uma medida que pode ser tomada somente em áreas de produção de grãos para controlar plantas daninhas ou antecipar a colheita. Para a adoção desta prática o produtor deve estar atento coma a época apropriada para se realizar a aplicação, devendo-se observar que a cultura atinja o estádio R7, deve haver um intervalo de no mínimo sete dias entre a aplicação dos dessecantes e a colheita, para evitar a ocorrência de resíduos nos grãos (Barros, 2012).
A depreciação do produto decorre da presença da planta daninha, ou parte dela, no produto produzido, caracterizando a interferência direta, a exemplo da presença de sementes de feijão-miúdo (Vignia sinensis) em lotes de sementes de soja. Nesse caso, o principal efeito não é a redução da produtividade, mas sim na qualidade do produto enviado para beneficiamento (Carvalho, 2013).
O uso da roçadeira articulada no controle de espécies daninhas de folhas largas como picão preto e amendoim bravo, as quais têm pontos de crescimento em locais capazes de serem eliminados por este equipamento foram controladas de forma eficaz, dificultando a rebrota. Contudo, as espécies de folhas estreitas presentes, principalmente o capim-marmelada, foi eliminado acima do ponto de crescimento da espécie, facilitando a rebrota e o estabelecimento da população. Assim, em situações de predominância de espécies daninhas gramíneas (B. plantaginea e Digitaria ssp) a roçadeira articulada não é eficaz; por outro lado, em situações onde há predominância de espécies dicotiledôneas (Bidens spp., e Euphorbia heteropylla) e, em densidades de infestação média a baixa, o equipamento realiza controle satisfatório (Brighenti et al., 2007a).
Segundo Brighenti et al. (2007b) o controle de plantas daninhas na cultura da soja por meio de descarga elétrica, fixando voltagens do equipamento em 4400 e 6800 voltz, variando apenas a rotação do motor do trator, foi eficiente no controle destas plantas. A rotação 2200 rpm proporcionou o melhor controle e, consequentemente, a maior produtividade da cultura.

Manejo de plantas daninhas no cultivo de hortaliças
O sistema de plantio direto (SPD) de hortaliças é um sistema conservacionista em que o plantio das sementes ou transplantio das mudas é feito diretamente sobre os restos culturais da lavoura anterior, de adubos verdes ou ervas espontâneas em área de pousio temporário (Souza e Rezende, 2006). Tal sistema representa um processo com possibilidade mais sustentável para o cultivo de diversas olerícolas (Rissato et al., 2012).

Figura 4. Cultivo de brócolis orgânico em sistema de plantio direto.
Fonte: Madeira (2008).





Figura 5. Cultivo de repolho em sistema de plantio direto sobre palhada de sorgo.

Melo et al. (2010) citam alguns facilitadores para efetuar o cultivo de hortaliças em plantio direto como a necessidade de mitigar os processos erosivos, a oportunidade de efetuar rotação de culturas, reduzindo os problemas fitossanitários; a amenização dos picos de temperatura proporcionada pela palha, conferindo melhores condições de microclima para algumas espécies hortícolas. Além do controle de plantas invasoras (Breda Júnior e Factor, 2009). Estas plantas, de modo geral, são agressivas e demandam muita mão-de-obra com capinas, refletindo no aumento dos custos de produção.
O manejo das plantas daninhas em hortaliças se diferencia do normalmente utilizado nas grandes culturas. A escolha e a eficiência de cada um dos métodos de controle podem variar conforme as espécies de plantas daninhas existentes na área, as condições climáticas, o tipo de solo, os tratos culturais, a rotação de culturas e a disponibilidade de herbicidas seletivos e registrados para a cultura em questão. A disponibilidade de herbicidas registrados, de mão-de-obra treinada e de bons equipamentos de aplicação são condições essenciais para o uso do método químico (APTA, 2006). O controle de plantas espontâneas na produção de hortaliças é um desafio principalmente em área infestada com tiririca (Cyperus rotundus L.) (Oliveira et al., 2006).
Segundo Pereira e Melo (2008), a incidência das plantas espontâneas, nas áreas de cultivo, depende de vários fatores, os quais variam de acordo com o tipo de hortaliça, uma vez que são cultivadas em diferentes espaçamentos, arranjos, densidades populacionais e ciclos culturais. Além disso, as hortaliças apresentam diferentes taxas de crescimento e arquitetura resultando em diferentes índices de área foliar, cobertura do solo e graus de interceptação da luz solar, fator essencial para o estímulo, germinação de sementes e ocorrência das plantas espontâneas. As espécies hortícolas que cobrem mais rapidamente o solo, geralmente reduzem a incidência das plantas espontâneas na área cultivada.
O manejo das plantas infestantes no sistema de produção orgânica de hortaliças deverá ser realizado mediante a adoção de técnicas como a permanência de cobertura vegetal viva ou morta no solo (Pereira e Melo, 2008).  Segundo Mennan et al. (2006) observa-se correlação negativa entre a quantidade de matéria seca de plantas de cobertura sobre o solo e a biomassa de plantas espontâneas.
No plantio direto de hortaliças podem ser utilizados vários tipos de cobertura do solo como a cobertura morta, a cobertura viva ou uso de plástico de polietileno.
A cobertura morta pode ser obtida pela importação de palhada de outra área como se efetua tradicionalmente na cultura do alho (Allium sativum L.) ou pelo cultivo de plantas de cobertura, fornecedoras de palhada, e seu manejo (corte) no próprio local. Várias espécies como leguminosas e gramíneas podem ser utilizadas em cultivo exclusivo ou consorciado, até mesmo aquelas de maior interesse econômico como o milho, a soja e a ervilha. (Alcântara e Madeira, 2008).
De acordo com estes autores, a escolha da planta para cobertura morta dependerá de diversos fatores: clima; esquema de rotação de culturas, devendo-se considerar o tempo disponível para a formação de palhada; capacidade das culturas hospedarem pragas e patógenos; características físicas do solo pela necessidade de rompimento de camadas compactadas; características químicas do solo considerando a necessidade de reciclagem de nutrientes e a velocidade na disponibilização destes pela cobertura morta; utilidade comercial das plantas de cobertura, entre outros. Se o desejado é a obtenção de uma cobertura morta duradoura, opta-se pelo plantio de gramíneas como o milho, o milheto, o sorgo, as aveias, entre outras. Caso seja uma cobertura morta de degradação mais rápida para liberação de nutrientes a cultura sucessora, utiliza-se o nabo forrageiro, o amaranto, as mucunas, as crotalárias, o lab-lab, as sojas, o guandu, o feijão-de-porco, entre outras. A utilização de consórcios com plantas de diferentes famílias é recomendada como milho e mucuna conseguindo assim maior proteção do solo e liberação mais rápida dos nutrientes. Outro consórcio, muito utilizado em regiões de clima ameno, é a combinação de aveia preta, ervilhaca e o nabo forrageiro, o qual atua como descompactador do solo.
A supressão de plantas espontâneas por culturas de cobertura pode ocorrer durante o desenvolvimento vegetativo das espécies cultivadas ou após a formação de material palhoso (Vidal e Trezzi, 2004). Kliewer (2006) relata que as plantas de cobertura podem controlar as espécies espontâneas de três formas principais: por meio da competição que realizam por água, nutrientes, luz e espaço durante seu crescimento; pela ação alelopática, inibindo a germinação de sementes e o desenvolvimento de plântulas, liberando substâncias químicas (exsudados) que são disponibilizadas durante a decomposição, imediatamente após o manejo. Também, pelo efeito físico dos restos culturais que impedem as sementes das invasoras de receberem estímulos para sua germinação. Neste enfoque, o cultivo de hortaliças em sistema de plantio direto assume elevada importância.
A vegetação espontânea pode ser utilizada como planta de cobertura. Geralmente há predominância de gramíneas, especialmente no verão. No entanto, há que se observar se estão ocorrendo plantas espontâneas problemáticas como grama-seda, trapoeraba, tiririca, losna, entre outras que poderão competir por água e nutrientes durante o ciclo da cultura principal, invibilizando-a (Alcântara e Madeira, 2008).
O manejo da palha das plantas de cobertura, em sistemas orgânicos, é realizado pela roçada ou acamamento com auxílio de alguns equipamentos como roçadeira costal motorizada e rolo-faca, sem a utilização de dessecantes químicos. Normalmente ocorre no pleno florescimento, antes da existência de sementes viáveis. Nos casos em que as plantas de cobertura apresentem alguma capacidade de rebrota (sorgo, milheto), seu plantio em linha pode facilitar as capinas posteriores, efetuando-se o semeio ou o transplantio de mudas da cultura principal nas entrelinhas das plantas de cobertura (Barradas et al., 2010).
A prática da cobertura do solo com filme plástico também proporciona diversos benefícios ao agricultor e ao ambiente, dentre os quais o controle de plantas invasoras, menor evaporação da água do solo e economia de água de irrigação (Branco et al., 2010). Estes autores recomendam o bagaço de cana-de-açúcar que formou na superfície do solo uma camada de palha de aproximadamente 35 mm e o plástico de polietileno dupla face (prateado-preto) de 35 micras, fixado nas bordas dos canteiros com grampos de arame, como coberturas do solo. Concluíram que os cultivos de alface americana e de brócolis podem ser realizados nestas duas coberturas do solo sem prejuízos de produtividade; o tomateiro, a alface crespa, o feijão-vagem e o repolho foram mais produtivos no “mulching” plástico.
Segundo Silva e Silva (2007), o uso de algumas práticas culturais como o plantio de variedades adaptadas às condições edafoclimáticas; uso de sementes de boa qualidade; mudas com sistema radicular bem desenvolvido; época de plantio, espaçamento e arranjo apropriados para as diversas variedades; preparo do solo e adubações adequadas, consegue-se direta ou indiretamente reduzir a infestação por plantas daninhas.
A adoção do sistema de plantio direto confere uma série de vantagens ao agricultor. Todavia, é importante termos a consciência de que nem todas as espécies hortícolas se adaptam bem a este sistema. Diferentemente de espécies como o repolho, tomate, berinjela, abóboras, entre outras, há espécies que têm como produto comercial raiz tuberosa ou tubérculos, a exemplo da cenoura, batata-doce e batata inglesa, e que necessitam de um bom preparo do solo para que haja adequado desenvolvimento da estrutura a ser comercializada (Alcântara e Madeira, 2008).
Têm sido verificadas perdas de até 75% da produção do tomateiro rasteiro, ocasionadas por plantas daninhas (Nascente et al., 2004).
Kieling et al. (2009) avaliando o controle de ervas espontâneas na produção de tomate em sistema de plantio direto sobre as palhadas de aveia preta (Avena strigosa Schreb), ervilhaca (Vicia villosa Roth) e do nabo forrageiro (Raphanus sativus L.) em sistemas de cobertura com as espécies solteiras ou consorciadas, sem o uso de herbicidas, e uma testemunha (pousio de inverno) recomendam o uso de aveia + ervilhaca, aveia + nabo, aveia + ervilhaca + nabo e aveia solteira para a produção de matéria seca de plantas de cobertura e controle de plantas espontâneas.
Tavella et al. (2010) avaliando o desempenho agronômico do coentro em sistema de plantio direto orgânico sob diferentes tipos de cobertura viva e palhada, e doses crescentes de composto orgânico, verificaram que o SPD com palhada de resteva natural proporcionou melhor resultado em todas as variáveis avaliadas na planta, comparado ao SPD com cobertura viva de amendoim forrageiro e plantas espontâneas. O coentro respondeu linearmente a adubação orgânica, com produtividade de 4.554 t ha-1 a 6.542 t ha-1 quando adubado com 10 a 30 t ha-1, respectivamente.
Silva (2010) avaliando estratégias de manejo de plantas daninhas sobre a produção de melancia nos sistemas de plantio direto e convencional, em cultivo sucessivo ao meloeiro, constatou que o SPD reduziu a densidade e a massa seca das plantas daninhas e proporcionou produção de frutos superior ao plantio convencional. O filme de polietileno foi eficiente no controle de plantas daninhas independente do sistema de plantio. A cobertura morta no SPD e o filme de polietileno permitem um segundo cultivo na área em sucessão ao meloeiro.

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* Agroecóloga, Técnica em Meio ambiente pelo IF Sudeste de Minas campus Rio Pomba e doutoranda pela UFV.