Mudanças climáticas: o que são e quais os seus impactos?


Por Maurício Novaes Souza*
Publicado em: INFORMACIRP Setembro de 2007

O clima, ao contrário do que muitos pensam, não permaneceu o mesmo ao longo da história da Terra. No passado, ocorreram grandes variações climáticas causadas por mudanças naturais, como alterações na composição da atmosfera, alterações na topografia dos continentes e na quantidade de radiação recebida do Sol.
Em meados do século XIX surgiram as primeiras preocupações quanto à possibilidade das ações humanas provocarem mudanças climáticas. Em 1896 o químico sueco Svante Arrhenius descreveu o efeito estufa e propôs a teoria de que mudanças na quantidade de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera poderiam afetar a temperatura na superfície da Terra.
Em 1957 dois medidores de CO2 foram instalados: um na Antártida, outro no Havaí. O resultado dessas medições comprovou definitivamente que a quantidade de CO2 na atmosfera estava aumentando e os pesquisadores previram que o aquecimento global era induzido pelo aumento desse gás.
Como entender tal fenômeno? A atmosfera da Terra - que pode ser considerada uma grande estufa - contém pequenas quantidades de certos gases que desempenham o mesmo papel do vidro nas estufas de plantas. São os chamados gases de efeito estufa. Eles permitem que a luz do Sol passe quase livremente, mas impedem parcialmente a saída do calor formado na superfície do planeta e emitida pela superfície aquecida da Terra, promovendo o seu aquecimento. Os principais gases de efeito estufa hoje presentes na atmosfera são: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonos (CFCs) e vapor d’água.
Pode-se afirmar que o efeito estufa é prejudicial à vida na Terra? Não. O efeito estufa sempre existiu e sua presença é de extrema importância para a manutenção da vida no planeta. Não fosse a presença dos gases de efeito estufa na atmosfera, a temperatura da superfície da Terra seria de aproximadamente –18ºC.
Então, qual seria o motivo de tamanha preocupação? Nos dias atuais, o que preocupa, é o aumento de sua intensidade, em conseqüência da excessiva concentração dos gases-estufa na atmosfera, provocada basicamente pelas atividades humanas. Estima-se que, em virtude da intensificação do efeito estufa, a temperatura média na superfície terrestre deverá elevar-se entre 1,5 e 4,50C.
E por que tanta preocupação com o CO2? Porque é o principal gás de efeito estufa, pois é produzido em maior quantidade, contribuindo para o aquecimento global com cerca de 50%. As principais fontes humanas que aumentam a sua produção são a queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão) e o desmatamento.
E quais seriam as principais conseqüências do aquecimento global? Derretimento de calotas polares; alteração no suprimento de água doce; maior número de sinistros atmosféricos; tempestades fortes e mais freqüentes; forte e rápido ressecamento do solo; migração de espécies; aumento da área de ocorrência de doenças (malária, febre amarela); maior incidência de pragas nas culturas agrícolas; destruição de safras agrícolas; entre outras.
Fica uma pergunta: é possível que se tomem iniciativas e se proponham soluções para a redução dos efeitos do aquecimento global? Sim, é possível. Várias medidas podem ser adotadas, tais como: aumentar a eficiência dos automóveis; diminuir o uso de automóveis; construir prédios com iluminação, resfriamento e aquecimento mais eficientes; trocar usinas elétricas a carvão por outras a gás natural; capturar o carbono e enterrá-lo em poços profundos; energia nuclear; energia eólica; painéis solares; usar combustíveis alternativos, como álcool; aumentar a área de florestas; entre outros.
E o que vem sendo feito em todo o mundo? Desde 1997, mesmo com o acordo firmado entre diversos países - o Protocolo de Quioto - a emissão de gases de efeito estufa continuou aumentando aceleradamente, impulsionada pelo crescimento econômico dos países em desenvolvimento. Novas propostas vêm sendo elaboradas e algumas começam a ser colocadas em prática. Entretanto, não há uma única solução para estabilizar as concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa, principalmente o CO2. Muitos esforços terão que ser feitos simultaneamente; e todas as pessoas, de todos os países, terão que dar sua parcela de contribuição.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Tecnólogo em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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