Cuidados especiais com a água

Por Maurício Novaes Souza*

Devem ser priorizados os cuidados com os recursos hídricos: a crise de água atingiu muitas regiões do planeta e os conflitos resultantes de seu uso múltiplo redobram-se. Inúmeras são as previsões relativas à escassez de água, em conseqüência da desconsideração da sua esgotabilidade. É inquestionável que a água é um dos recursos naturais fundamentais para as diferentes atividades humanas e para a própria sobrevivência. Entretanto, apesar de muitos entenderem que o ciclo natural da água promove a sua recomposição, na prática não é o que se observa, tendo em vista os inúmeros fatores que interferem neste ciclo hidrológico.
As principais causas que conduziram à degradação dos recursos hídricos são: 1) crescimento populacional desordenado associado à rápida urbanização; 2) diversificação dos usos múltiplos, tais como a irrigação e as hidroelétricas para produção de energia; 3) gerenciamento não coordenado dos recursos hídricos disponíveis; 4) degradação do solo por pressão da população, aumentando a erosão e a sedimentação de rios, lagos e represas; e 5) peso excessivo de políticas governamentais nos “serviços de água” - fornecimento de água e tratamento de esgotos - permitindo que tais serviços sejam utilizados para fins de interesses políticos pessoais, tendo como conseqüência problemas sociais, econômicos e ambientais.
Caso medidas eficientes não sejam tomadas, em 2025, dois terços da população estará vivendo em regiões com estresse de água e poluição extrema. Quais seriam as principais conseqüências? 1) riscos de epidemias e efeitos negativos crescentes na saúde humana; 2) conflitos locais, regionais e institucionais sobre os usos múltiplos; e 3) o aumento dos impactos econômicos.
Dessa forma, as iniciativas têm de ser imediatas, no desenvolvimento de tecnologias, políticas públicas e outras medidas no gerenciamento, tais como: 1) gerenciamento integrado, adaptativo, preditivo e atenção para usos múltiplos; 2) consideração da qualidade/quantidade de água; 3) reconhecimento da água como fator econômico; 4) implementação de coleta seletiva, redução de lixo e implementação de aterros sanitários nos municípios; 5) tratamento de esgotos dos municípios; 6) reflorestamento ciliar com espécies nativas às margens dos rios e represas; 7) práticas agrícolas que reduzem a erosão, como o uso de curvas de nível; 8) controle do uso de agrotóxicos e adubos; 9) controle dos resíduos industriais nos municípios; 10) priorizar programas educativos, de conservação e de regulamentação; 11) proteção dos mananciais de águas superficiais e controle do crescimento urbano desordenado que afeta os mananciais; 12) diminuição do desperdício na distribuição; 13) ampliação e aprofundamento da educação sanitária e ambiental da população.
A instalação de Comitês de Bacias Hidrográficas com a participação de usuários, entre outros, é importante ferramenta para evitar futura carência, poluição e fator de conflitos. Auxiliarão na Gestão desse recurso tão precioso. O objetivo da gestão é melhorar o desempenho ambiental e a operacionalização de uma organização, levando-as a adotarem uma postura preventiva ao invés de corretiva. Assim, o objetivo final da gestão ambiental é favorecer o desenvolvimento sustentável, garantindo que ele atenda às necessidades humanas atuais, sem o comprometimento das gerações futuras atenderem às suas.
A legislação brasileira de recursos hídricos inclui, entre os instrumentos de gestão, a cobrança pelo uso da água. É uma ferramenta indutora do uso racional dos recursos hídricos, uma vez que alerta o usuário para os prejuízos que eventualmente ocorreriam caso este não sofresse qualquer tipo de penalidade por utilizar a água bruta em quantidades acima da necessária. E você, como cidadão, sabendo que o município de Rio Pomba já enfrenta problemas dessa natureza, qual seria a sua contribuição? No mínimo, use racionalmente a água, evitando desperdícios.

*Engenheiro Agrônomo, Mestre em Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET-Rio Pomba, coordenador dos cursos Tecnólogo em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.
Publicado originalmente em: INFORMACIRP - Informativo da Associação Comercial de Rio Pomba, MG. Setembro de 2007.

Comentários

elirjunior disse…
A crise da agua é um problema que remota desde os tempos da epoca da colonização.
È claro que o Brsail deve aproveitar seu potencial hidrico, mas nao de formna tao exorbitante como nos dias atuais.
A agua é um bem preciosa, por isso devemos ter concientização e economizar.

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