Agronegócio brasileiro: composição, importância e desafios


* Por Maurício Novaes Souza

O Agronegócio, também chamado de agribusiness, ao contrário do que muitos pensam de que se trataria apenas de grandes empresas, é o conjunto de negócios relacionados à agricultura dentro do ponto de vista econômico. Geralmente o seu estudo é dividido em três partes. A primeira parte trata dos negócios agropecuários propriamente ditos ("dentro da porteira") que representam os produtores rurais, sejam eles pequenos, médios ou grandes produtores, constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas (empresas).
A segunda parte, os negócios à montante ("da pré-porteira") aos da agropecuária, representados pela indústrias e comércios que fornecem insumos para a produção rural. Por exemplo, os fabricantes de fertilizantes, defensivos químicos e equipamentos. Na terceira parte, estão os negócios à jusante dos negócios agropecuários, ou de "pós-porteira", onde estão a compra, transporte, beneficiamento e venda dos produtos agropecuários, até chegar ao consumidor final. Enquadram-se nesta definição os frigoríficos, as indústrias têxteis e calçadistas, empacotadores, supermercados e distribuidores de alimentos.
De forma inquestionável, o agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e os números são expressivos. Responde por 34% das riquezas geradas no país, 42% das exportações totais e 37% dos empregos brasileiros. Entre 1998 e 2003, a taxa de crescimento do PIB agropecuário chegou a 4,67% ao ano (IRRIPLUS, 2006). Em 2006, o agronegócio brasileiro fechou com uma elevação de 3,2% em relação ao ano anterior, sendo o setor apontado como tendo um comportamento acima da média da economia brasileira, que cresceu 2,9% (CEPEA-USP/CNA, 2006). Em 2007, o PIB do agronegócio cresceu 5,52%.
Vários fatores vêm contribuindo para o crescimento da agricultura no Brasil. O primeiro foi a reorganização institucional da pesquisa agropecuária, cujo ponto principal foi a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA. Paralelamente se fortaleceram as instituições estaduais de pesquisa agropecuária, as Universidades, os Centros Técnicos e Tecnológicos, como o CEFET-RIO POMBA, e os sistemas estaduais de assistência técnica e extensão rural, estes sim, ainda bastante deficientes. Com investimentos na qualificação dos pesquisadores no Brasil e no exterior, e com a oferta de mais tecnologias, nestas últimas três décadas, o país se consolidou como um dos mais importantes produtores mundiais de soja, milho, leite, carne, laranja, aves, suínos, entre vários outros produtos. Mais que a produção, a produtividade e qualidade de culturas e da pecuária atingiram, e em alguns casos superaram o de outras nações, grandes produtoras de alimentos.
Contudo, tem-se observado impactos negativos resultantes dessa atividade, e diversas são suas fontes e origens, tais como a elevada taxa de desmatamento, o uso excessivo de agroquímicos, os plantios com espécies transgênicas e, ou, exóticas e o uso inadequado da irrigação. Foi implementado o modelo agroquímico de produção, a partir da década de 1960. A partir desse período, em uma velocidade jamais vista, tem ocorrido a degradação de diversos ecossistemas, até então estáveis e harmônicos.
No atual momento, pelo menos dois grandes desafios deverão ser superados por essa atividade, devendo ser desempenhada por profissionais que atuam na área, como os Técnicos em Gestão do Agronegócio: a) os aspectos relacionados ao cumprimento da Legislação Ambiental; e b) promover a inserção dos milhões de pequenos e médios produtores, que não têm conseguido utilizar os conhecimentos desenvolvidos pela pesquisa agropecuária, na escala e na intensidade necessária. Portanto, devem-se priorizar os investimentos em educação e gestão ambiental, na contratação de pessoal para os órgãos de fiscalização ambiental, e estimular as pesquisas para a agricultura familiar, como a Agroecologia, visando integrar este segmento rural à economia brasileira.
PUBLICADO ORIGINALMENTE EM: Jornal do Agronegócio, CEFET/RP - 13-10-2008


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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