Poluição e escassez hídrica: reflexos ambientais e sócio-econômicos


Por Maurício Novaes Souza1 e Maria Angélica Alves da Silva2

A água é um bem precioso e cada vez mais tema de debates em todo o mundo. De forma estratégica, as cidades são construídas nas proximidades ou ao longo de cursos de água. Contudo, como acontece em 97% dos municípios brasileiros, inclusive em Rio Pomba, todos os esgotos são lançados nos rios sem nenhuma forma de tratamento. Por esse motivo, o uso descontrolado e a poluição de fontes importantes de rios e lagos podem ocasionar a falta de água doce muito em breve, caso nenhuma providência seja tomada.
Como agravante, o mau uso do solo nas áreas urbanas e rurais, têm sido um dos principais fatores da aceleração de processos erosivos. São comuns loteamentos em áreas de encostas; grandes áreas com desmatamento e queimadas; pontos clandestinos de retirada de areia; desvio de água cada vez maior para indústria ou projetos de irrigação, em sua maioria sem planejamento ou manejo, e sem a devida autorização dos órgãos ambientais.
Como resultado, ocorre a perda de fertilidade dos solos agricultáveis, a poluição de corpos hídricos, o assoreamento de barragens e rios, o aumento das freqüências de vazões de enchente e o aumento dos custos de tratamento de água, fato que vem acontecendo, inclusive, na bacia do rio Pomba. A degradação dos ecossistemas aquáticos tem sido um dos preços pagos pelo desenvolvimento urbano e rural descomprometido com as condições básicas de sustentabilidade, refletindo em prejuízos significativos para o meio ambiente, ocasionando perdas econômicas e sociais para toda a coletividade.
Esse processo se dá desde o lançamento de simples embalagens de balas, até os mais perigosos poluentes tóxicos, como resíduos industriais e agrotóxicos, que contém elevado teor de metais pesados, danosos à saúde. Tais fatos conduziram à formulação da política para o setor de recursos hídricos. Já foi concluída a primeira etapa do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH), que vem sendo apresentado à população por meio de reuniões em todo o estado de Minas Gerais. O PERH é um projeto que visa estabelecer diretrizes para o planejamento e controle do uso da água em Minas Gerais.
O Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM é o órgão responsável pela concessão de direito de uso dos recursos hídricos estaduais, pelo planejamento e administração de todas as ações voltadas para a preservação da quantidade e da qualidade de águas em Minas Gerais. Lançou recentemente a segunda fase do plano. Nessa etapa, o PERH vai tratar da quantidade e qualidade das águas no estado mineiro. A partir daí, ações e metas deverão ser implementadas, incluindo Instrumentos de Gestão desses recursos, como a outorga e a cobrança pelo uso da água, encontram-se, nesta fase da consolidação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos, em pleno estágio de aprimoramento.
Considerando as condições atuais das bacias hidrográficas brasileiras, deve-se investir prioritariamente no saneamento básico dos municípios e em projetos de Educação Ambiental. Melhorará a qualidade de vida da população, bem como a proteção ao meio ambiente urbano. Contudo, a revitalização desses ecossistemas não virá apenas com obras, mas com opções e atitudes públicas, empresariais e individuais.
O Sindicato Rural de Rio Pomba tem duas estagiárias do Curso Técnico em Meio Ambiente do CEFET-RP, Juliana e Nair, que durante todo o período da manhã, realizam o cadastramento e fornecem informações aos empresários e produtores rurais.
Como, individualmente, contribuir para evitar a poluição e a degradação dos rios?
Não jogue lixo nas águas dos rios;
Não canalize esgoto diretamente para os rios;
Não desperdice água, em casa ou em qualquer outro lugar;
Observe se alguma empresa/indústria está poluindo algum rio e avise as autoridades.
Publicação original em: INFORMACIRP, setembro de 2008.

1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É consultor do IBAMA e conselheiro do COPAM - Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Pedagoga e Especialista em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. Professora das disciplinas Sociologia e Artes do CEFET - Rio Pomba. E-mail: gecamau@yahoo.com.br.

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