Uso abusivo e danos ambientais das sacolas plásticas

* Por Maurício Novaes Souza

A preocupação com as questões ambientais vem aumentando consideravelmente nas duas últimas décadas. Em todo o mundo, governos, cidadãos e empresas têm-se empenhado em reduzir os impactos das atividades humanas sobre a natureza. No Brasil, começou a ganhar vulto a discussão sobre os impactos do uso excessivo das sacolas e sacos plásticos.
Segundo especialistas, o uso dessas embalagens tem provocado danos ambientais expressivos. Em todo o mundo, desde que foram inseridas no mercado na década de 1980, as sacolas plásticas acumulam-se no planeta, sem terem muita utilidade de reciclagem, pois o plástico deste material é muito barato. O Brasil produz em média cerca de 210 mil toneladas de saquinhos plásticos. O número representa cerca de 10% do lixo do país, sendo que os aterros ou lixões estão no total limite.
Soma-se a esse problema, o hábito do povo brasileiro, que na labuta de economizar, reutiliza as sacolas plásticas como forma de abrigar os lixos domésticos. Contudo, há de se considerar, que o ciclo de vida do plástico é estimado em 200 a 450 anos em média. Estima-se que cerca de 300 milhões de sacolas plásticas saem todos os dias do comércio e passam por nossas casas tendo como triste fim a poluição do meio ambiente.
Segundo pesquisas efetuadas pelo IDEC e entrevistas de dirigentes de supermercados, as mesmas demonstram que cabe ao consumidor efetuar a escolha se acha mais viável sacolas de papel, de pano, caixas, entre outras opções viáveis. O ponto fundamental, é que além de campanha educativa sobre as conseqüências dos referidos danos ambientais, é necessário haver uma mudança comportamental, sendo necessário uma colaboração mútua entre empresas, governos e consumidores.
Em Belo Horizonte, uma das primeiras capitais a legislar sobre o tema, foi publicada uma Lei que dispõe sobre a substituição do uso de saco plástico de lixo e sacola plástica por saco de lixo ecológico e sacola ecológica. Já existem também iniciativas isoladas de alguns estabelecimentos comerciais que se dispuseram a utilizar sacolas ecológicas.
Há de se ter cuidado com falsas promessas, como as sacolas plásticas oxibiodegradáveis, cuja tecnologia que permite que o plástico modificado se degrade mais rapidamente que o comum, em contrapartida contamina o meio ambiente de forma agressiva, em razão de que as partículas produzidas no processo de decomposição, quando atacadas pela ação de microorganismos, irão liberar, além de gases do efeito estufa, metais pesados e outros compostos inexistentes no plástico comum; e pigmentos de tintas.
No Rio Grande do Sul, a prefeitura de Lajeado lançou, com apoio do comércio, campanha para substituir o plástico por sacolas de pano. Em São Francisco, nos Estados Unidos, foi proibida a utilização desses sacos em supermercados e farmácias. Na Europa, vários países já evitam a entrega gratuita de sacos pelos supermercados à clientela. Segundo estimativas, o consumo anual de plásticos no Brasil está em 19 quilos por habitante (100 nos Estados Unidos, 70 na Europa).
Os comerciantes devem buscar alternativas para que se reduza o incrível total de sacos plásticos descartados no mundo - 1 milhão por minuto, ou quase 1,5 bilhão por dia, mais de 500 bilhões por ano - são um dos fortes componentes do entupimento da drenagem urbana e dos rios e córregos. A iniciativa deve partir do setor empresarial, como Rogério Muniz, empresário do ramo hortifrutigranjeiro em São Paulo. Preocupado com o interesse de algumas pessoas em levar grande número de “sacolinhas plásticas” em suas compras, ele decidiu distribuir sacolas de tecido aos clientes.
Segundo esse empresário, procurando uma solução, descobriu uma organização não-governamental (ONG) de costureiras de baixa renda. Fizeram uma parceria e já houve uma redução de 3% no uso de sacos plásticos. “É claro que, inicialmente, a sacola de pano é mais cara, mas estou satisfeito com a receptividade”. A economista Fátima Cima, cliente do mercado de Rogério, disse que é “uma satisfação” freqüentar um estabelecimento comercial preocupado em proteger a natureza. É fundamental que se façam campanhas da iniciativa privada e governamental para conscientizar as pessoas, e que os comerciantes tomem atitudes nessa direção – poderá funcionar como marketing verde e terem suas vendas e lucros ampliados.
Publicado originalmente em: INFORMACIRP, RIO POMBA, MG, novembro de 2008.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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