A questão do “lixo” urbano e sua disposição


* Maurício Novaes Souza1; Nair Maria Bernardino2; Mirianne Grôppo2; e Elir Andrade Júnior2.

A geração de resíduos é inseparável das atividades humanas. Nos primórdios da nossa civilização, se baseava principalmente em material orgânico, como restos de comida, que facilmente eram degradados e absorvidos pela natureza. Com o processo de industrialização, os resíduos se modificaram em quantidade e composição, tornando-se um dos grandes problemas sócio-ambientais da atualidade. A estes foram incorporadas substâncias perigosas e tóxicas, que podem causar danos irreparáveis à saúde humana e ao meio ambiente. Por esses motivos, deve haver preocupação com a produção, o manuseio e a disposição dos resíduos.

Mas de quem é essa responsabilidade? Atualmente, por lei, cabe ao município a destinação correta do “lixo” gerado no município. Contudo, o problema dos custos é central. Está para ser reeditado um Projeto Nacional de Política de Resíduos Sólidos, popularmente conhecido como “lixo” – área em que o atraso brasileiro é inacreditável. Diversos projetos já foram discutidos, como o que tornava obrigatória a coleta seletiva e reciclagem em municípios com mais de 100 mil habitantes (embora se pudesse perguntar por que só neles????). Mas a pressão dos setores interessados fez com que recuassem e tudo voltasse à estaca zero.

Toda essa questão preocupa imensamente, posto que o quadro atual é dramático. Segundo o IBGE, em 2002, eram coletadas a cada dia no país 228,4 mil toneladas de resíduos domiciliares e comerciais, e desse total, 59,5% não tinham destinação adequada. Ou seja, iam para lixões a céu aberto 146,8 mil toneladas diárias, ou 90 bilhões de quilos por ano. Nas áreas rurais, onde vivem 20% da população, apenas 17,4% dos domicílios dispunham de coleta.

A nova política proposta atribui ao gerador de resíduos sólidos urbanos a responsabilidade pelo acondicionamento, a disponibilização para a coleta, tratamento e disposição final ambientalmente adequado aos dejetos, o que alivia os custos que hoje estão a cargo do poder público, semi-falido na maioria dos municípios brasileiros.

Na maioria dos municípios brasileiros o lixo é coletado e transportado inadequadamente em carro aberto por toda a cidade. De que forma cada cidadão poderá contribuir? a) reduzindo a produção de “lixo” a partir do consumo mais racional; b) não jogar “lixo” nas ruas e em locais não adequados; c) conservar as lixeiras já existentes e cobrar a instalação de novas em pontos estratégicos; d) procurar saber em qual horário é realizada a coleta em sua rua e colocar o lixo apenas alguns minutos antes desse horário, evitando que as embalagens sejam abertas por animais, o que aumenta o risco de contaminação e suja toda a cidade.

Solução definitiva? Cabe a cada cidadão a disposição correta do “lixo”, ou seja, na lixeira, que dependerá de investimentos em Educação Ambiental; e a iniciativa das Prefeituras em construir Usinas de Triagem e Reciclagem, além de Aterro Sanitário.

1* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM - Zona da Mata, MG, e do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2* Técnicos em Meio Ambiente do IFET - RIO POMBA.

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