Economia, Sociedade e Ambiente: realidade na sustentabilidade do desenvolvimento


* Por Maurício Novaes Souza

A triste, cruel e inquietante realidade ambiental vêm sendo ainda ignorada ou menosprezada pela maioria dos governos, das comunidades e de cada uma das pessoas. Torna-se cada vez mais evidente que a humanidade se defronta com um sério dilema nos tempos atuais. É preciso reiterar as análises críticas e perspectivas sobre a questão sócio-ambiental e sua inseparável relação com a dinâmica econômica dos países no mundo. O Brasil é um celeiro de biodiversidade; contudo, os sistemas produtivos apresentam medíocre e dicotômica relação economia-ambiente.

Não há dúvidas de que mecanismos para superação de quadros críticos relacionados à produção e ao uso dos recursos naturais vêm sendo desenvolvidos, implantados e aplicados, porém com uma velocidade e eficácia distante daquela necessária. Nesse sentido, não oponente às várias reuniões mundiais em que o tema meio ambiente era pauta, nos últimos anos a preocupação em alinhar necessidades de consumo e, ou, de produção com o uso dos recursos naturais, esteve e está presente.

Foi vinculado um laço de comprometimento conduzido por todos os “stakeholders” (partes envolvidas e interessados, tais como ONG’s, Corporações, Governos e Organismos Internacionais), de todo o mundo, provocando uma comoção internacional direcionada à relação economia-ambiente, que gerou reformulações quanto ao aspecto jurídico, político-social, econômico e, sobretudo, de mercado. É nesse viés que o surgimento de um novo paradigma sócio-ambiental é erguido para a condução do desenvolvimento sustentável.

Dessa forma, por ser uma ciência social aplicada, a Economia não se pode furtar da possibilidade de gerar limites e possibilidade para o planejamento de uma sociedade que vem usando ilimitadamente os recursos ambientais. Continuar agindo assim, seria uma sabotagem à sobrevivência humana. A partir de uma análise global na relação Economia–Ambiente, o debate está colocado. Faz-se fundamental a construção de uma sociedade composta por tecnologias limpas, processos produtivos sustentáveis, manutenção e preservação dos recursos naturais. Reivindicam-se uma reestruturação da sociedade moderna e, ou, pós-moderna, com características diferenciadas do que se vive na atualidade, bem como do setor produtivo, dos agentes econômicos e do governo, junto à concepção de gestão ambiental e responsabilidade sócio-ambiental.

Nesse sentido, há de se considerar a importância de se conhecerem os princípios básicos que regem o meio ambiente e como as atividades humanas podem interferir. Isto pode ser observado como um dos resultados do processo de globalização, onde a relação de mercado não considera a dinâmica ambiental ou as transformações ambientais decorrentes do uso dos recursos naturais como um elemento de análise estrutural e conjuntural. Este cenário é devidamente aplicado ao contexto mundial e, sobretudo, brasileiro, quando emerge essa nova intenção mercadológica em face às questões que envolvem crescimento e desenvolvimento econômicos, a questão ambiental e o princípio de desenvolvimento sustentável.

De acordo com Rafael Vieira - economista, consultor em Meio Ambiente (Enviromental Consultant in Offshore) e professor da UniverCidade e da UNIGRANRIO - no Brasil, a absorção de um “novo paradigma sócio-ambiental” é reiterada pelo segmento empresarial que sabe que os mecanismos para ingressar e permanecer no mercado são essenciais. A esse respeito também é importante ressaltar que as oportunidades que revelam a fundamental mudança de atitude, no caso brasileiro, como as de implantação de modelos de gestão ambiental e de implementação das normas referentes à segurança no trabalho, com respeito às questões sociais, estão diretamente ligadas ao meio ambiente e geram oportunidades nas dimensões do espaço econômico.

Assim, segundo esse mesmo autor, não furtando a existência de uma concepção com tendência implícita essencialmente na lógica de mercado, o setor privado propôs assumir o princípio do desenvolvimento sustentável, considerando a premissa que a sua base é um sistema de mercados abertos e competitivos em que os preços refletem com as transparências dos custos, inclusive os ambientais: a competição estimula os produtores a usar o mínimo de recursos, reduzindo o avanço sobre os sistemas naturais. Também os estimula a minimizar a poluição, se são obrigados a pagar pelo seu controle e pelos danos causados ao meio ambiente. Deverão promover a criação de novas tecnologias para tornar a produção mais eficiente do ponto de vista econômico e ambiental. Faz-se também, fundamental, a internalização das externalidades positivas.

Enfim, não há, portanto, qualquer desconfiança de que o mercado brasileiro e o mundial foram direta ou indiretamente pressionados para apresentar uma nova identidade e coexistir na sua lógica com o uso dos recursos naturais, remetendo-se a outros conceitos inerentes à dinâmica de mercado atual, que são a responsabilidade social e a responsabilidade ambiental. A postura do setor privado em destacar o planejamento ambiental junto ao seu projeto de desenvolvimento é, atualmente, uma das vertentes de adequação e adoção de um novo paradigma sócio-ambiental - deverá incluir os aspectos ecológico-econômico, jurídico-ambiental, social e político para a geração da sustentabilidade e do desenvolvimento.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

Comentários

Carlos disse…
Mauricio!Bom dia!Estamos fazendo um trabalho monografico como avaliação final do curso de Ciência Ambiental com enfase em Gestão Ambiental.E gostaria que você me orientasse sobre alguns artigos ou até mesmo livros que versam sobre a interação APP versus Solos e a sua contextualização importantisima dentro do ecossistema local,regional,ou até mesmo, mais abrangente.
Meio biotico "versus" meio abiótico.
Farei esse trabalho com dois veterinarios e alguns biólogos.
Temos tudo para apresentar uma obra bem interessante.E que faço questão de enviar lhe uma cópia após o termino do trabalho.
Abraço e meus elevados protestos da mais alta estima!Carlos Pontes
Carlos disse…
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Meio biotico "versus" meio abiótico.
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Abraço e meus elevados protestos da mais alta estima!Carlos Pontes

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