PAISAGISMO URBANO E RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS


* Por Maurício Novaes Souza1; Jhennifer Alves Pereira Mata2 e Mauro César Martins3

O ser humano foi capaz de conviver “harmoniosamente” com o planeta Terra por muitos anos. No entanto, embora haja uma grande fronteira “dominada” pelo homem, podem-se observar a aglomeração da população mundial em centros urbanos. Ao contrário dos ambientes naturais, as cidades apresentam artificialidades, tais como: forte impermeabilização do solo; abundância de materiais altamente refletores, absorventes e transmissores de energia; excessivo consumo de energia e matéria, com correspondente geração de resíduos; poluição atmosférica, hídrica, sonora e visual.

Tais características afetam negativamente o ambiente urbano - em consequência, a qualidade de vida das pessoas. Este fato é agravado pela desenfreada devastação da vegetação ao redor dos centros urbanos e pela deficiência na implantação de áreas verdes no seu interior. A presença de árvores, além de diminuir a poluição, traz benefícios em relação à saúde e ao bem-estar da população, podendo ocasionar zonas de conforto térmico. Altas temperaturas afetam significativamente a temperatura no corpo humano e a freqüência respiratória, podendo causar estresse e redução no rendimento das atividades humanas. Em vegetais e animais, o desconforto térmico ocasiona redução ao seu desenvolvimento, o torna suscetível a pragas e doenças, gerando prejuízos econômicos. Daí a importância da presença de árvores nos meios urbanos.

Contudo, o paisagismo não é apenas a criação de jardins por intermédio do plantio desordenado de algumas plantas ornamentais. É uma técnica artesanal aliada à sensibilidade, que procura reconstituir a paisagem natural dentro do cenário devastado pelas construções. Requer conhecimentos de botânica, ecologia, variações climáticas regionais e estilos arquitetônicos, sendo também importante o conhecimento das compatibilidades plásticas para o equilíbrio das formas e cores.

A finalidade do paisagismo é a integração do homem com a natureza, facultando-lhe melhores condições de vida pelo equilíbrio do meio ambiente. Ele abrange todas as áreas onde se registra a presença do ser humano. Até mesmo nos desertos se é notada a presença dos seres humanos nos oásis, onde existe vegetação nativa ligada à água. Desde as áreas rurais até as regiões metropolitanas, o paisagismo deve atuar como fator de equilíbrio entre o homem e o ambiente.

A manutenção de áreas verdes nas grandes indústrias influencia positivamente para o aumento da produção, chegando a assegurar uma diminuição nos índices de acidentes de trabalho. Uma paisagem mais amena nas áreas das fábricas, suavizando a artificialidade metálica dos maquinários de trabalho, diminui a tensão dos trabalhadores. O paisagismo urbano tem por objeto os espaços abertos (não construídos) e as áreas livres, com funções de recreação, amenização e circulação, entre outras, sendo diferenciada entre si pelas dimensões físicas, abrangência espacial, funcionalidade, tipologia ou quantidade de cobertura vegetal.

A criação de jardins internos, nas residências ou em áreas comerciais, comprova a necessidade do ser humano em manter-se ligado à natureza. Embora haja uma política crescente com relação à criação de parques, praças e avenidas arborizadas, ainda faltam estudos sobre quais espécies são mais indicadas para compor estas áreas/faixas verdes. Algumas espécies apresentam melhores condições morfológicas para serem plantadas em centros urbanos, visando seu efeito na temperatura e umidade relativa do ar.

Para cada projeto de paisagismo, existem fatores a se considerar, tais como: o porquê de implantar, onde implantar, como implantar, como manter, que estilo, que cores e quais as características desejáveis das plantas. Para a arborização de ruas, normalmente cada cidade tem suas regras e modelos estabelecidos por profissionais da área, que irão avaliar ruas, avenidas, praças, parques, jardins públicos e, após, implantar seu projeto de forma mais adequada às condições da cidade. Quanto a jardins de prédios, de casas, de indústrias ou escritórios, escolas e clubes particulares, há uma série de outros fatores relevantes, e normalmente há mais maleabilidade na realização do projeto.

Com relação aos ecossistemas aquáticos e os conflitos com a obrigatoriedade de preservação da qualidade hídrica dos mananciais, a ocupação urbana promove o crescente desmatamento e a impermeabilização do solo. O resultado disso se traduz no assoreamento de rios e córregos com a freqüência ainda maior de cheias e inundações, que atingem exatamente os estratos mais pobres da população. As funções ecológicas das áreas verdes urbanas auxiliam na prevenção, minimização ou reversão dos processos de degradação, promovendo a recuperação e conservação ambiental.


* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Tecnóloga e Bacharelanda em Agroecologia do IFET/RIO POMBA. E-mail: jhenniferalpem@yahoo.com.br.
3. Zootecnista, Especialista em Gestão Ambiental e Técnico de Laboratório do IFET/RIO POMBA. E-mail: mcmsagrado@yahoo.com.br

Comentários

Jhon disse…
Muito bom artigo!Sobretudo na atualidade, onde paisagismo torna-se uma temática cada vez mais difundida (porém pouco esclarecida)Parabéns aos pesquisadores pela iniciativa!
Raquel Pereira disse…
Olá Doutor Maurício.Achei seu texto muito interessante e estou tentando fazer minha Monografia do curso de Especialização em Gestão Ambiental unindo a Recuperação de Áreas Degradadas com o Paisagismo.
Caso o senhor possa me indicar materiais, fico inteiramente grata.

Postagens mais visitadas deste blog

ÁRVORES E ARBUSTOS COMPROVADAMENTE TÓXICOS PARA ANIMAIS RUMINANTES E EQUINOS