Cuidados importantes e medidas preventivas nas primeiras chuvas da primavera

* Por Maurício Novaes Souza

Durante a temporada seca nos esquecemos dos problemas associados aos excessos de chuvas ocorridos nos anos anteriores. Ao final de 2008 e início de 2009, em vários Estados e regiões do Brasil, aconteceram sérios desastres ambientais. As principais causas estão associadas à precipitação pluviométrica elevada e concentrada em um curto período de tempo. Apesar dos esforços das Prefeituras e de todos os serviços de prevenção, as consequências são: deslizamentos de encostas, extravasamento dos córregos e dos rios, destruição de estradas, soterramento e inundação de cidades e fazendas, famílias desabrigadas, carros alagados, queda de árvores e postes, partes da cidade sem o fornecimento de energia, trânsito caótico; que resultam em perdas humanas e materiais.

Nas áreas urbanas os problemas quase sempre são dramáticos. Quais são os principais fatores que agravam essa situação? Construções em locais inadequados, como nas encostas e nas margens dos rios; grandes áreas impermeabilizadas com asfalto, calçamento e construções, que impedem a infiltração das águas das chuvas; reduzidas áreas verdes; e ausência ou deficiência na manutenção das galerias de drenagem das águas pluviais. De fato, os detritos vegetais e outros materiais inertes, que durante a estação seca se depositaram nos lotes e telhados, ao longo das valetas das ruas e avenidas, contribuem para situações de obstrução dos canais de escoamento. As primeiras chuvas de setembro/outubro são geralmente responsáveis pelo arrastamento destes resíduos sólidos até locais inadequados (sarjetas, sumidouros, valetas), originando acumulações de águas pluviais que poderão provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos de edifícios.

Nas zonas mais vulneráveis às situações de cheia, alguns CUIDADOS IMPORTANTES devem ser observados antes, durante e depois da inundação:

· Antes da inundação:

Moradores de regiões propensas a inundações devem-se manter informados sobre as condições meteorológicas; ao primeiro sinal de chuva forte, colocar os móveis, eletrodomésticos e demais objetos em lugares altos; desligar aparelhos elétricos e eletrônicos, além da chave geral de sua casa; fechar os registros de entrada de água e de gás; retirar o lixo e levá-lo para áreas não sujeitas a enchentes; evitar construir em cima e embaixo de barrancos que possam deslizar, carregando sua casa; colocar documentos e objetos de valor em um saco plástico fechado e em local protegido; não jogar lixo ou entulho no córrego, para não obstruir a passagem de água, nem em terrenos baldios ou ruas; limpar o telhado, calhas, condutores e canaletas para evitar entupimentos.

· Durante a inundação

Evite o contato direto com a água contaminada da enchente, pois ela pode provocar doenças; se estiver em local seguro, procure não se deslocar; não atravesse ruas alagadas, pois você pode ser arrastado pela água; em local alagado, preste atenção a buracos e bueiros sem tampas ou encobertos pela água; em caso de ventos muito fortes, cuidado com as quedas de árvores, fios, postes, semáforos, entre outros; utilize calçado, calça comprida e blusa para a proteção do corpo; não use bermuda e não fique sem camisa; não deixe crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos, pois elas podem ser levadas pela correnteza ou contaminar-se, contraindo doenças graves, como hepatite e leptospirose.

· Depois da inundação

Beba apenas água filtrada ou fervida; não utilize alimentos que estiveram em contato com a água da inundação; fique atento aos sintomas de doenças, tais como febre, vômito, dor de cabeça ou no corpo (principalmente na “batata da perna”), e diarréia; nesses casos, procure os serviços de saúde; chuvas de grande intensidade ou longa duração provocam deslizamentos, principalmente em áreas de risco: fique atento a qualquer sinal; não use equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou que estiveram em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito; lave e desinfete os objetos atingidos pela enchente usando uma mistura de um copo de água sanitária para cada balde de 20 litros de água limpa, utilizando luvas e botas.

Recomenda-se também a adoção das seguintes MEDIDAS PREVENTIVAS, tanto do poder público, como da sociedade civil:

Desobstrução de linhas de água principalmente junto a pontes, aquedutos e outros estrangulamentos do escoamento; Limpeza de linhas de água assoreadas; Limpeza dos resíduos sólidos urbanos (muitos deles de grandes dimensões) depositados ilegalmente nos troços marginais dos cursos de água; Verificação (e eventual reparação) de possíveis situações de desmoronamentos das margens das linhas de água, de modo a evitar obstruções ou estrangulamentos; Inspeção visual de diques ou outros aterros longitudinais às linhas de água destinadas a resguardar os terrenos marginais.


Cada cidadão deve também tomar uma atitude proativa, nomeadamente assegurando a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais dos quintais ou varandas e a limpeza de bueiros e dos telhados de suas residências.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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