quarta-feira, 13 de maio de 2009

A questão do “lixo” urbano e sua disposição


* Maurício Novaes Souza1; Nair Maria Bernardino2; Mirianne Grôppo2; e Elir Andrade Júnior2.

A geração de resíduos é inseparável das atividades humanas. Nos primórdios da nossa civilização, se baseava principalmente em material orgânico, como restos de comida, que facilmente eram degradados e absorvidos pela natureza. Com o processo de industrialização, os resíduos se modificaram em quantidade e composição, tornando-se um dos grandes problemas sócio-ambientais da atualidade. A estes foram incorporadas substâncias perigosas e tóxicas, que podem causar danos irreparáveis à saúde humana e ao meio ambiente. Por esses motivos, deve haver preocupação com a produção, o manuseio e a disposição dos resíduos.

Mas de quem é essa responsabilidade? Atualmente, por lei, cabe ao município a destinação correta do “lixo” gerado no município. Contudo, o problema dos custos é central. Está para ser reeditado um Projeto Nacional de Política de Resíduos Sólidos, popularmente conhecido como “lixo” – área em que o atraso brasileiro é inacreditável. Diversos projetos já foram discutidos, como o que tornava obrigatória a coleta seletiva e reciclagem em municípios com mais de 100 mil habitantes (embora se pudesse perguntar por que só neles????). Mas a pressão dos setores interessados fez com que recuassem e tudo voltasse à estaca zero.

Toda essa questão preocupa imensamente, posto que o quadro atual é dramático. Segundo o IBGE, em 2002, eram coletadas a cada dia no país 228,4 mil toneladas de resíduos domiciliares e comerciais, e desse total, 59,5% não tinham destinação adequada. Ou seja, iam para lixões a céu aberto 146,8 mil toneladas diárias, ou 90 bilhões de quilos por ano. Nas áreas rurais, onde vivem 20% da população, apenas 17,4% dos domicílios dispunham de coleta.

A nova política proposta atribui ao gerador de resíduos sólidos urbanos a responsabilidade pelo acondicionamento, a disponibilização para a coleta, tratamento e disposição final ambientalmente adequado aos dejetos, o que alivia os custos que hoje estão a cargo do poder público, semi-falido na maioria dos municípios brasileiros.

Na maioria dos municípios brasileiros o lixo é coletado e transportado inadequadamente em carro aberto por toda a cidade. De que forma cada cidadão poderá contribuir? a) reduzindo a produção de “lixo” a partir do consumo mais racional; b) não jogar “lixo” nas ruas e em locais não adequados; c) conservar as lixeiras já existentes e cobrar a instalação de novas em pontos estratégicos; d) procurar saber em qual horário é realizada a coleta em sua rua e colocar o lixo apenas alguns minutos antes desse horário, evitando que as embalagens sejam abertas por animais, o que aumenta o risco de contaminação e suja toda a cidade.

Solução definitiva? Cabe a cada cidadão a disposição correta do “lixo”, ou seja, na lixeira, que dependerá de investimentos em Educação Ambiental; e a iniciativa das Prefeituras em construir Usinas de Triagem e Reciclagem, além de Aterro Sanitário.

1* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM - Zona da Mata, MG, e do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2* Técnicos em Meio Ambiente do IFET - RIO POMBA.

AGROECOLOGIA E ADUBAÇÃO ORGÂNICA: ALTERNATIVA ECONÔMICA E ECOLÓGICA


* Por Maurício Novaes Souza1 e Silvane de Almeida Campos2

No Brasil, e em todo o mundo, desde meados do ano anterior, a preocupação está voltada para a crise financeira americana, que trouxe reflexos na economia de todos os países do Planeta. Contudo, a questão ambiental, que deveria ser a prioridade dado o atual estado de degradação e por ser a fonte de todos os recursos utilizados nos processos produtivos, vem sendo relegada ao segundo plano. Na prática, o antigo discurso da necessidade de crescimento econômico para a geração de emprego e renda acaba prevalecendo. Ou seja, continua vigorando a visão imediatista, de curtíssimo prazo, cujos resultados finais são conhecidos e previsíveis. De fato, a economia global está perdendo mais dinheiro com a destruição dos recursos naturais do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo financiado pela União Européia.

Segundo dados dessa pesquisa, intitulada “A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade”, calcula-se que os desperdícios anuais, apenas com o desmatamento, variam de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono. O estudo foi discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, realizado em Barcelona. De acordo com o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, o custo resultante da degradação da natureza ultrapassa o dos mercados financeiros globais. Cabe ainda uma consideração sobre os custos ambientais: pelo fato de serem contínuos, seus reflexos no longo prazo serão ainda maiores e de difícil quantificação.

De fato, o desconhecimento dos profissionais da área econômica sobre conceitos básicos de ecologia e de economia dos recursos naturais e renováveis, os impedem de perceber que existem limites ao crescimento. Sabe-se que qualquer atividade antrópica é capaz de gerar algum tipo de impacto. O homem, na ânsia de sucesso e maximização de suas atividades, força o ambiente a realizar um esforço amplificador a fim de produzir um determinado resultado desejado; contudo, os ecossistemas têm sua capacidade de suporte e de regeneração que dependerá da sua resistência e da sua resiliência. Ocorrido um estresse, caso seja ultrapassado o seu limite, podem-se criar efeitos secundários que acabam reduzindo o ritmo e as chances de sucesso que uma determinada atividade vinha alcançando. Como consequência, ocorre que depois de uma expansão inicial, o crescimento se torna uniforme e com o tempo pode ficar tão lento que a espiral de reforço pode se inverter. Percebe-se então, que o importante é não forçar o crescimento, mas sim conhecer o ambiente e conviver dentro da possibilidade e dos fatores que o limitam.

Por estas questões, a idéia de objetivar o desenvolvimento sustentável, manifestado enfaticamente a partir do início dos anos da década de 1990, revela a crescente insatisfação com a situação criada e imposta pelos modelos vigentes de desenvolvimento e de produção das atividades humanas. Resulta de emergentes pressões sociais pelo estabelecimento de uma maior eqüidade social. Na elaboração da Agenda 21 Brasileira, foi considerada fundamental que se promova à substituição progressiva dos sistemas simplificados, como aqueles praticados pela agricultura convencional, por sistemas diversificados que integrem os sistemas produtivos aos ecossistemas naturais.

Contudo, percebe-se que as propriedades rurais, a indústria, o comércio e as diversas comunidades, não estão aproveitando efetivamente os seus recursos, que incluem seu potencial de transformação dos produtos agropecuários, da matéria-prima florestal e agroflorestal, e da administração de seus resíduos gerados durante os processos produtivos, urbanos e rurais, em produtos de maior valor agregado. Dessa forma, a tão discutida retomada do crescimento, intensamente discutida nos dias atuais, não é suficiente para a solução dos diversos problemas e não é a melhor alternativa para se chegar ao desenvolvimento sustentável. É necessário que haja, paralelamente à transformação da estrutura produtiva que garanta a recuperação do dinamismo econômico, políticas que promovam uma maior eqüidade social e estimulem o uso racional dos recursos naturais.

Considerando a atual crise econômica e ambiental que o mundo vem enfrentando, há necessidade urgente de buscarmos tecnologias mais limpas, menos agressivas, visando o uso de recursos naturais de forma racional a fim de garantirmos sustentabilidade às presentes e futuras gerações. É neste cenário mundial que a Agroecologia tem dado importante contribuição, pois nos remetem a estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente; que promove a inclusão social de forma justa e igualitária; proporciona condições econômicas viáveis aos agricultores; respeito à cultura de seus antepassados, ao conhecimento local; ecologicamente proporciona melhor equilíbrio entre nutrientes – solo – água - planta; estabelece uma relação de harmonia entre homem e natureza; defende uma agricultura que não destrói o meio ambiente e não é excludente. Esta ciência apresenta a idéia e a expectativa de uma nova agricultura capaz de fazer bem ao homem e ao meio ambiente. Uma de suas alternativas é a técnica da agricultura orgânica.

De fato, esse tipo de agricultura utiliza como estratégia o uso de antigas práticas agrícolas, porém adaptando-as às mais modernas tecnologias de produção agropecuária com o objetivo de aumentar a produtividade e causar o mínimo de interferência nos ecossistemas, objetivando ser uma das alternativas para viabilizar a agricultura familiar. Trata-se de uma técnica ecológica, pouco onerosa, capaz de produzir alimentos saudáveis tais como os convencionais, garantindo excelente qualidade de vida aos seus consumidores, além destes contribuírem fortemente para a preservação e conservação ambiental.

Apesar da maioria da população reconhecer os benefícios que os produtos orgânicos trazem ao homem, poucas pessoas conseguem ter acessá-los, sendo consumidos somente por aquelas de maior poder aquisitivo. É neste contexto que a adubação orgânica obtém técnicas que possibilita aumentos de produtividades em larga escala competitivas com a agricultura convencional. Um dos métodos para a obtenção de adubos orgânicos é por intermédio da compostagem.

Tal processo de transformação de resíduos orgânicos em fertilizantes orgânicos humificados, pode utilizar como matéria-prima frutas, legumes, verduras, borra de café, casca de arroz e de árvores, serragem, lodo de esgoto, esterco bovino, lixo domiciliar cru, cama animal, palhada, resíduos industriais e outros. Geralmente, utiliza-se o material que se encontra disponível na propriedade ou região a fim de reduzir os custos de produção. Existem critérios essenciais que devem ser observados durante o processo de compostagem em leiras, tais como: tempo de compostagem, aeração, irrigação, temperatura, aquecimento, umidade e revolvimento. Este processo se dá devido à ação benéfica dos microrganismos (bactérias, fungos, etc.) presentes no solo e na matéria-prima.

Na compostagem, a relação C/N ideal é em torno de 30/1 e indica quando a matéria orgânica se encontra crua, bioestabilizada (semicurada) e humificada (curada). São inúmeros os benefícios que os compostos orgânicos podem proporcionar ao solo: melhorias nas suas propriedades físicas, químicas e biológicas; liberação gradual de nutrientes; elevação no teor de matéria orgânica; melhoria na infiltração da água; aumento na capacidade de troca de cátions e o efeito tampão. A agricultura orgânica pode contribuir decisivamente para o desafio dos tempos atuais, relacionados à sustentabilidade dos recursos naturais restantes, garantindo sobrevivência sócio-econômica e ambiental às gerações presentes e vindouras.


* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Técnica em Meio Ambiente e graduanda do Curso de Bacharel em Agroecologia do IFET/RIO POMBA. E-mail: silvaneacampos@yahoo.com.br.

ADUBAÇÃO ORGÂNICA: UMA ALTERNATIVA ECONÔMICA E AGROECOLÓGICA


* Por Maurício Novaes Souza1 e Silvane de Almeida Campos2

A idéia de objetivar o desenvolvimento sustentável revela, inicialmente, a crescente insatisfação com a situação criada e imposta pelos modelos vigentes de desenvolvimento e de produção das atividades humanas. Resulta de emergentes pressões sociais pelo estabelecimento de uma maior eqüidade social. Na elaboração da Agenda 21 Brasileira, foi considerada fundamental que se promova à substituição progressiva dos sistemas simplificados, como aqueles praticados pela agricultura convencional, por sistemas diversificados que integrem os sistemas produtivos aos ecossistemas naturais.

Contudo, percebe-se que as propriedades rurais, a indústria, o comércio e as diversas comunidades, não estão aproveitando efetivamente os seus recursos, que incluem seu potencial de transformação dos produtos agropecuários, da matéria-prima florestal e agroflorestal, e da administração de seus resíduos gerados durante os processos produtivos, urbanos e rurais, em produtos de maior valor agregado. Dessa forma, a tão discutida retomada do crescimento, intensamente discutida nos dias atuais, não é suficiente para a solução dos diversos problemas e não é a melhor alternativa para se chegar ao desenvolvimento sustentável. É necessário que haja, paralelamente à transformação da estrutura produtiva que garanta a recuperação do dinamismo econômico, políticas que promovam uma maior eqüidade social e estimulem o uso racional dos recursos naturais.

Considerando a atual crise econômica e ambiental que o mundo vem enfrentando, inclusive aqui no município de Rio Pomba, há necessidade urgente de buscarmos tecnologias mais limpas, menos agressivas, visando o uso de recursos naturais de forma racional a fim de garantirmos sustentabilidade às presentes e futuras gerações. É neste cenário mundial que a Agroecologia tem dado importante contribuição, pois nos remetem a estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente; que promove a inclusão social de forma justa e igualitária; proporciona condições econômicas viáveis aos agricultores; respeito à cultura de seus antepassados, ao conhecimento local; ecologicamente proporciona melhor equilíbrio entre nutrientes – solo – água - planta; estabelece uma relação de harmonia entre homem e natureza; defende uma agricultura que não destrói o meio ambiente e não é excludente. Esta ciência apresenta a idéia e a expectativa de uma nova agricultura capaz de fazer bem ao homem e ao meio ambiente. Uma de suas alternativas é a técnica da agricultura orgânica.

De fato, esse tipo de agricultura utiliza como estratégia o uso de antigas práticas agrícolas, porém adaptando-as às mais modernas tecnologias de produção agropecuária com o objetivo de aumentar a produtividade e causar o mínimo de interferência nos ecossistemas, objetivando ser uma das alternativas para viabilizar a agricultura familiar. Trata-se de uma técnica ecológica, pouco onerosa, capaz de produzir alimentos saudáveis tais como os convencionais, garantindo excelente qualidade de vida aos seus consumidores, além destes contribuírem fortemente para a preservação e conservação ambiental.

Apesar da maioria da população reconhecer os benefícios que os produtos orgânicos trazem ao homem, poucas pessoas conseguem ter acessá-los, sendo consumidos somente por aquelas de maior poder aquisitivo. É neste contexto que a adubação orgânica obtém técnicas que possibilita aumentos de produtividades em larga escala competitivas com a agricultura convencional. Um dos métodos para a obtenção de adubos orgânicos é por intermédio da compostagem.

Tal processo de transformação de resíduos orgânicos em fertilizantes orgânicos humificados, pode utilizar como matéria-prima frutas, legumes, verduras, borra de café, casca de arroz e de árvores, serragem, lodo de esgoto, esterco bovino, lixo domiciliar cru, cama animal, palhada, resíduos industriais e outros. Geralmente, utiliza-se o material que se encontra disponível na propriedade ou região a fim de reduzir os custos de produção. Existem critérios essenciais que devem ser observados durante o processo de compostagem em leiras, tais como: tempo de compostagem, aeração, irrigação, temperatura, aquecimento, umidade e revolvimento. Este processo se dá devido à ação benéfica dos microrganismos (bactérias, fungos, etc.) presentes no solo e na matéria-prima.

Na compostagem, a relação C/N ideal é em torno de 30/1 e indica quando a matéria orgânica se encontra crua, bioestabilizada (semicurada) e humificada (curada). São inúmeros os benefícios que os compostos orgânicos podem proporcionar ao solo: melhorias nas suas propriedades físicas, químicas e biológicas; liberação gradual de nutrientes; elevação no teor de matéria orgânica; melhoria na infiltração da água; aumento na capacidade de troca de cátions e o efeito tampão. A agricultura orgânica pode contribuir decisivamente para o desafio dos tempos atuais, relacionados à sustentabilidade dos recursos naturais restantes, garantindo sobrevivência sócio-econômica e ambiental às gerações presentes e vindouras.


* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Técnica em Meio Ambiente e graduanda do Curso de Bacharel em Agroecologia do IFET/RIO POMBA. E-mail: silvaneacampos@yahoo.com.br.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A economia global e os custos ambientais



* Por Maurício Novaes Souza

Desde o segundo semestre do ano anterior, em todo o mundo, a preocupação está voltada para a crise financeira americana. Verificam-se reflexos em todos os países do Planeta. Contudo, a questão ambiental, que deveria ser a prioridade posto ser a fonte de todos os recursos utilizados nos processos produtivos, vem sendo deixada sempre em segundo plano. Na prática, o velho discurso da necessidade de crescimento econômico para a geração de emprego e renda acaba prevalecendo. Ou seja, continua vigorando a visão imediatista, de curtíssimo prazo. De fato, a economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo financiado pela União Européia.

Segundo dados dessa pesquisa, intitulada “A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade”, calcula-se que os desperdícios anuais com o desmatamento variam de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono. O estudo foi discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, realizado em Barcelona. De acordo com o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, o custo resultante da degradação da natureza ultrapassa o dos mercados financeiros globais.

Ainda cabe uma consideração sobre os custos ambientais: além de ser maior, ele é contínuo. De acordo com diversas fontes econômicas, enquanto as bolsas americanas perderam entre US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão, vários estudos apontam que as perdas com a destruição das florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Há de se considerar que a humanidade herdou um acúmulo de 3,8 bilhões de anos de capital natural: mantendo-se os padrões atuais de uso e degradação, muito pouco há de restar até o fim do século XXI. Nas últimas três décadas consumiu-se um terço dos recursos da Terra, ou seja, de sua riqueza natural.

Dessa forma, é preciso saber que à medida que as florestas e outros ecossistemas são destruídos, a natureza cessa de fornecer serviços que normalmente oferece de graça. Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços - seja pela construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono, ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Os serviços de armazenamento de água e da regulação do ciclo de carbono, entre outros, cria condição para um meio ambiente saudável, oferecendo não só água e ar limpos, chuvas, produtividade oceânica, solo fértil e elasticidade das bacias fluviais, como também certas funções menos valorizadas, mas imprescindíveis para a manutenção da sustentabilidade, tais como: a) o processamento de resíduos (naturais e industriais); b) a proteção contra os extremos do clima; e c) a regeneração atmosférica.

Por estas questões, o homem em suas atividades produtivas deve sempre considerar que os ecossistemas são sistemas abertos e integrados por todos os organismos vivos, inclusive ele próprio, e os elementos não viventes de um setor ambiental definido no tempo e no espaço, cujas propriedades globais de funcionamento (fluxo de energia e ciclagem da matéria) e auto-regulação (controle) derivam das relações entre todos os seus componentes, tanto pertencentes aos sistemas naturais, quanto aos criados ou modificados pelo Homem.

Apesar de não haver mais dúvidas com relação a essas questões, o homem continua interagindo com o ambiente à sua volta, modificando-o e transformando-o de acordo com suas necessidades: na indústria, no comércio e nas propriedades rurais. Os resultados dessas ações são facilmente perceptíveis ao longo de toda a biosfera. Esta interferência ocorre nos diversos níveis, agindo diferentemente sobre os componentes ambientais: ar, solo, água e seres vivos. Os reflexos, geralmente desastrosos, podem ser observados, por exemplo, nas atividades agropecuárias e florestais, causando profundas alterações na paisagem, em nível mundial. Nos sistemas urbanos também são encontradas marcas profundas da intervenção humana.

Para agravar ainda mais a situação, sabe-se que os gastos com a degradação do ambienterecaem principalmente sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente dos ecossistemas naturais, como as florestas, principalmente nas áreas tropicais. Caso os políticos durante as suas legislaturas tivessem visão de médio e longo prazo, com propostas efetivas de cunho social e ambiental, deveriam considerar estudos como esse vislumbrando uma nova forma de criar políticas que financiem a proteção da natureza, em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.
Publicado originalmente em abril, 2004: Jornal INFORMACIRP.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela UFV. É professor do IFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É consultor do IBAMA e Conselheiro do COPAM da Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

Escassez e qualidade da água: reflexões sobre saúde e políticas públicas


* Por Maurício Novaes Souza

No dia 22 de março foi comemorado o dia mundial da água. Como se pergunta a todo ano, existe motivo para comemoração? Também, no mês de março, aconteceu em Istambul, na Turquia, o V Fórum Mundial da Água, com a pretensão de apresentar respostas para escassez do recurso provocada pelo crescimento da população, o desperdício, o consumo extravagante e o aumento da necessidade de energia. Tal encontro acontece a cada três anos e nesta ocasião reuniu um número de participantes jamais vistos - 28.000 pessoas de mais de 180 países.

O Fórum analisou os problemas da escassez de água, o risco de conflito por enfrentamentos entre países por rios e lagos e a melhor maneira de proporcionar água limpa a milhões de pessoas. Segundo o presidente do Conselho Mundial da Água, o francês Loïc Fauchon, o comportamento humano com relação ao uso deste recurso é cada vez mais irrefletido e inconsequente, e aumentar indefinidamente a oferta de água, além de colocar em perigo o meio natural. é muito mais caro hoje em um contexto de evolução do clima e crise financeira.

Na verdade, o modelo de produção e consumo são os responsáveis pelas agressões cometidas sobre os ecossistemas aquáticos, responsáveis pela evolução do clima, que vem se somar às mudanças globais, responsáveis das tensões que reduzem a disponibilidade das massas de água doce, indispensáveis para a sobrevivência da humanidade. A previsão é de que a população mundial, atualmente superior a 6,7 bilhões de pessoas, possa chegar a nove bilhões até meados deste século, o que aumentará consideravelmente a demanda de recursos hídricos, a 64 bilhões de metros cúbicos por ano, segundo dados da ONU.

Segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), o número de pessoas com graves problemas para conseguir água chegará a 3,9 bilhões em 2030, ou seja, metade da população do mundo. As contas da OCDE não incluem o impacto da mudança climática, que pode já estar afetando as coordenadas da água, mudando o lugar e o momento das chuvas e nevascas. Considere-se ainda que quase 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso ao saneamento básico, o que contraria as Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU. Sabe-se que as causas da crise são a irrigação excessiva, as falhas no fornecimento urbano, a contaminação dos rios e a extração desenfreada de qualquer fonte.

Também, no dia 07 de abril, foi comemorado o Dia Mundial da Saúde. Tal data foi criada em 1948, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em função da preocupação de seus integrantes em manter o bom estado de saúde das pessoas do mundo, bem como alertar sobre os principais problemas que podem atingir a população. Segundo a OMS, ter saúde é garantir a condição de bem-estar das pessoas, envolvendo os aspectos físicos, mentais e sociais das mesmas, em harmonia.

Sabe-se que a alimentação e saneamento são formas de prevenir doenças. Portanto, é necessário que informações acerca da higiene, doenças, lixões, aterros sanitários, dentre outras, cheguem à população, pois dessa forma o governo faz um trabalho preventivo, melhorando a saúde da população e diminuindo gastos com a saúde pública. Sendo de responsabilidade dos governantes, a saúde pública deve ser levada a sério tanto pelos municípios, estados e governo federal - devem cuidar de aspectos ligados às suas responsabilidades, capacidades e verbas.

O saneamento básico é um desses aspectos para se manter a saúde de uma população, pois garante que a água tratada chegue até nossas casas e que as redes de esgotos estejam devidamente encanadas, diminuindo os riscos de contaminação por bactérias. Campanhas de vacinação também é uma forma preventiva de cuidar da saúde, pois por intermédio delas é possível evitar doenças e epidemias. Participar de pequenas associações também é uma forma de buscar informações sobre a manutenção da saúde, pois estas estão diretamente ligadas a governantes, que devem assumir tais responsabilidades; promover discussões e reflexões visando maior amplitude do tema, buscando soluções para manter o saneamento ambiental, garantindo o desenvolvimento social e econômico de um país.

Outra forma de garantir a saúde de um povo é dando-lhes condições dignas de trabalho, a fim de proporcionar ganhos o suficiente para manter uma alimentação de qualidade - por intermédio de uma boa alimentação as pessoas adquirem uma forma saudável de manter a saúde própria, evitando despesas com planos de saúde e remédios. Contudo, ainda estamos longe de atingir essa situação. Apenas a partir da adoção de políticas públicas locais, regionais e nacionais, com a participação efetiva de toda a sociedade, será possível atingir o “Desenvolvimento Sustentável”, permitindo que no futuro se possa de fato comemorar o dia da água – em quantidade e qualidade para todos.
Publicado originalmente em maio de 2009: Jornal INFORMACIRP.


* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do IFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

A economia, o ambiente e os limites do crescimento



* Por Maurício Novaes Souza

Em todo o mundo, desde o segundo semestre do ano anterior, a preocupação está voltada para a crise financeira americana, que trouxe reflexos na economia de todos os países do Planeta. Contudo, a questão ambiental, que deveria ser a prioridade posto ser a fonte de todos os recursos utilizados nos processos produtivos, vem sendo relegada ao segundo plano. Na prática, o antigo discurso da necessidade de crescimento econômico para a geração de emprego e renda acaba prevalecendo. Ou seja, continua vigorando a visão imediatista, de curtíssimo prazo, cujos resultados finais são conhecidos e previsíveis. De fato, a economia global está perdendo mais dinheiro com a destruição dos recursos naturais do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo financiado pela União Européia.

Segundo dados dessa pesquisa, intitulada “A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade”, calcula-se que os desperdícios anuais, apenas com o desmatamento, variam de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono. O estudo foi discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, realizado em Barcelona. De acordo com o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, o custo resultante da degradação da natureza ultrapassa o dos mercados financeiros globais. Cabe ainda uma consideração sobre os custos ambientais: pelo fato de serem contínuos, seus reflexos no longo prazo serão ainda maiores e de difícil quantificação.

Na verdade, os economistas desconhecem ou simplesmente desconsideram os serviços ambientais prestados pela natureza. Tais serviços ou funções, como o armazenamento de água e a regulação do ciclo de carbono, entre outros, cria condição para um meio ambiente saudável, oferecendo não só água e ar limpos, chuvas, produtividade oceânica, solo fértil e elasticidade das bacias fluviais, como também certas funções menos valorizadas, mas imprescindíveis para a manutenção da sustentabilidade, tais como: a) o processamento de resíduos (naturais e industriais); b) a proteção contra os extremos do clima; e c) a regeneração atmosférica. Por estas questões, o homem em suas atividades produtivas deve sempre considerar que os ecossistemas são sistemas abertos e integrados por todos os organismos vivos, inclusive ele próprio, e os elementos não viventes de um setor ambiental definido no tempo e no espaço, cujas propriedades globais de funcionamento (fluxo de energia e ciclagem da matéria) e auto-regulação (controle) derivam das relações entre todos os seus componentes, tanto pertencentes aos sistemas naturais, quanto aos criados ou modificados pelo Homem.

De fato, o desconhecimento dos profissionais da área econômica sobre conceitos básicos de ecologia e de economia dos recursos naturais e renováveis, os impedem de perceber que existem limites ao crescimento. Sabe-se que qualquer atividade antrópica é capaz de gerar algum tipo de impacto. O homem, na ânsia de sucesso e maximização de suas atividades, força o ambiente a realizar um esforço amplificador a fim de produzir um determinado resultado desejado; contudo, os ecossistemas têm sua capacidade de suporte e de regeneração que dependerá da sua resistência e da sua resiliência. Ocorrido um estresse, caso seja ultrapassado o seu limite, podem-se criar efeitos secundários que acabam reduzindo o ritmo e as chances de sucesso que uma determinada atividade vinha alcançando. Como consequência, ocorre que depois de uma expansão inicial, o crescimento se torna uniforme e com o tempo pode ficar tão lento que a espiral de reforço pode se inverter. Percebe-se então, que o importante é não forçar o crescimento, mas sim conhecer o ambiente e conviver dentro da possibilidade e dos fatores que o limitam.

Contudo, não é assim que o modelo de desenvolvimento vem se comportando. É comum se observar que no início das atividades os eventos vão bem. Dessa forma, a tendência do modelo atual é repetir o que estamos fazendo até atingirmos um ponto onde os resultados positivos cessam. Nesse ponto, as tentativas de mudança se tornam inúteis. Nessas situações que limitam o crescimento, a alternativa correta está em se buscar uma situação que trouxesse novo equilíbrio e não estimular a situação que gerou a condição de estresse. Dessa forma, para modificar o comportamento do sistema, é necessário identificar e alterar o fator limitante. No entanto, essa é uma ação contínua, pois quando eliminamos uma fonte de limitação, o crescimento acaba encontrando outra (num fenômeno parecido com a transferência de “gargalos”).

Considere-se a situação dos ecossistemas aquáticos. Como em todo o ano, no dia 22 de março se comemorou o “Dia Mundial da Água”. Como se pergunta a todo ano, existe motivo real para comemoração? De fato, a qualidade das águas de praticamente todos os rios do Brasil, e de todo o mundo, piorou nos últimos anos. Esse fato, que é o resultado do modelo de desenvolvimento atual e que afeta drasticamente as populações, foi um dos temas discutidos no recente Fórum Social, em Belém. Nesse encontro se estabeleceram metas para a elaboração de um novo modelo de desenvolvimento e crescimento econômico. Também, no mês de março, aconteceu em Istambul, na Turquia, o V Fórum Mundial da Água, com a pretensão de apresentar respostas para escassez do recurso provocada pelo crescimento da população, o desperdício, o consumo excessivo e o aumento da necessidade de energia.

Tal encontro reuniu um número de participantes jamais vistos - 28.000 (vinte e oito mil) pessoas de mais de 180 (cento e oitenta) países. O Fórum analisou os problemas da escassez de água, o risco de conflito por enfrentamentos entre países por recursos hídricos e a melhor maneira de proporcionar água limpa à população mundial. Segundo Loïc Fauchon, presidente do Conselho Mundial da Água, o comportamento humano com relação ao uso deste recurso é cada vez mais irrefletido e inconsequente. Aumentar indefinidamente a demanda por água, nos diais atuais, além de colocar em perigo o meio natural, torna-se cada vez mais caro o seu tratamento e distribuição em um contexto de evolução do clima e crise financeira.

Tal análise se justifica pelo fato de que a economia e o meio ambiente estão passando por uma crise sem precedentes. Para agravar ainda mais a situação, a atual crise econômica mundial tem trazido como solução, por parte dos principais economistas e governantes mundiais, o estímulo ao consumo – situação ainda mais ameaçadora às atuais situações ambientais. Esse modelo visa, efetivamente, a geração de lucros imediatos, não considerando os limites do crescimento; portanto, socialmente e ambientalmente não é sustentável. Do ponto de vista social, é sabido que os 20% (vinte por cento) da população mais rica utilizam ¾ dos recursos naturais, trazendo o esgotamento e, ou, a degradação dos recursos naturais. Do ponto de vista ambiental, considerando a Pegada ecológica (índice que expressa a área produtiva necessária para sustentar o consumo de recursos e assimilação de resíduos de uma dada população) mostra que há 1,8 hectare de área disponível para cada habitante, dentro do padrão que se pode considerar sustentável. No entanto, o consumo global atual apresenta uma média de consumo relativo a 2,2 hectares por habitante. Ou seja, o ambiente está sendo usado além de sua capacidade de suporte e de reposição.

Analisando os EUA, verifica-se que o seu padrão de consumo é de 9,6 hectares por habitante, sendo que sua capacidade é de apenas 4,7 hectares por habitante. Pergunta-se, então, de onde eles retiram esses recursos para manter consumo tão elevado? A resposta está na exploração de outros países que tem uma capacidade produtiva de recursos naturais superior, como o Brasil. Se todos os habitantes tivessem o mesmo padrão de consumo dos EUA, seriam necessários 6 planetas iguais a Terra para atender à tal demanda... e continuam estimulando o consumo como forma de saírem da atual crise financeira. A continuar dessa forma, as gerações futuras não terão onde e nem como produzir para se sustentarem.

Estas foram as questões que estimularam no mês de fevereiro passado representantes de 160 países se encontrarem em Belém do Pará, para avaliarem os grandes problemas ambientais e sociais durante o Fórum Social Mundial. Foram discutidos temas associados à crise financeira, ao aquecimento global, às doenças associadas à ausência de saneamento ambiental, entre outras. Esses encontros representam o início da mobilização da população mundial, embora saibamos que ainda há muito que se fazer. O Tratado de Quito é um exemplo da inconsequente irresponsabilidade dos países que têm elevada produção e liberação de gases poluentes e de efeito estufa, que não o ratificam e não o adotam.

Na verdade, o modelo de produção e consumo são os responsáveis pelas agressões cometidas sobre os diversos ecossistemas, responsáveis pela evolução do clima, que vem se somar às mudanças globais, responsáveis das tensões que reduzem a disponibilidade da água doce, indispensáveis para a sobrevivência da humanidade. A previsão é de que a população mundial, atualmente superior a 6,7 bilhões de habitantes, possa chegar a nove bilhões até meados deste século, o que aumentará consideravelmente a demanda de recursos hídricos, a 64 bilhões de metros cúbicos por ano, segundo dados da ONU.

Segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), o número de pessoas com graves problemas para conseguir água chegará a 3,9 bilhões em 2030, ou seja, metade da população mundial. Os cálculos da OCDE não incluem o impacto da mudança climática, que pode já estar afetando as coordenadas da água, mudando a quantidade e a distribuição das chuvas e nevascas. Considere-se ainda que quase 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso ao saneamento básico, o que contraria as Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU. Sabe-se que as principais causas da crise relacionada à água são a irrigação sem planos de manejo, as falhas na distribuição urbana e a contaminação dos rios pelas atividades urbano-industriais e agropecuárias.

Essa semana, no dia 07 de abril, será comemorado o Dia Mundial da Saúde. Tal data foi criada em 1948 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em função da preocupação de seus integrantes em manter o bom estado de saúde das pessoas do mundo, bem como alertar sobre os principais problemas que podem atingir a população. Segundo a OMS, ter saúde é garantir a condição de bem-estar das pessoas, envolvendo os aspectos físicos, mentais e sociais em harmonia. Sabe-se que a alimentação e saneamento são formas de prevenir doenças. Contudo, nos dias atuais, percebe-se que o crescimento urbano e industrial nem sempre significa desenvolvimento humano: particularmente nos países em industrialização, vem acompanhado de desigualdade de acesso aos itens básicos necessários a uma sobrevivência digna, tais como à educação, à alimentação e à saúde. A falta do saneamento nas cidades, em níveis mínimos que assegurem o bem-estar das populações, tem gerado um quadro de degradação do meio ambiente urbano sem precedentes, sendo os recursos hídricos um dos primeiros elementos integrantes da base de recursos naturais a sofrer tais efeitos. Infelizmente, o que se observa nas periferias das grandes cidades é uma total desinformação sobre higiene, aumento das doenças veiculadas pela água, lixões a céu aberto, entre outros. Os governos ainda não vêm realizando um trabalho preventivo, o que melhoraria a saúde da população e diminuiriam os gastos com a saúde pública.
Como consequência desse modelo econômico, o mundo está enfrentando intensas transformações globais, sem precedentes, incluindo aumento da população, migração, urbanização, mudanças climáticas, desertificação, seca, alteração do uso e degradação do solo, crises econômicas e alimentares. Caso continuemos a agir dessa forma, não respeitando os limites do crescimento, pouco restará para as gerações futuras. Como bem lembra Leonardo Boff, caso não se cuide do planeta a partir de uma visão sistêmica e holística, poderá submetê-lo à destruição de suas partes e inviabilizar a própria vida. Há inúmeras evidências que existem limites para o crescimento econômico, considerando que os recursos naturais são escassos.

Apesar das inúmeras iniciativas governamentais e organizacionais, os efeitos efetivos ainda são discretos. Deve-se refletir sobre a necessidade urgente de abandono às concepções anacrônicas ligadas à produção e ao consumo, adotando a sustentabilidade sócio-ambiental nas ações públicas e privadas, em todos os níveis, do local ao global. É preciso que sejam conhecidos e respeitados os limites do crescimento. Essas deverão ser as propostas de um novo modelo guiado pelos princípios do “Desenvolvimento Sustentável”. Contudo, o seu sucesso dependerá da participação e esforço de cada um dos habitantes de nosso planeta, posto que o somatório das atitudes individuais trará soluções sustentáveis para os problemas relativos às questões sociais e ambientais.


Publicado originalmente em 7-4-2009: www.ambientebrasil.com.br

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do IFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM - Zona da Mata, MG, do IBAMA e Diretor pro tempore do IFET - ARAÇUAÍ. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.