terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gerenciamento da sustentabilidade do projeto como processo auxilia de planejamento e execução

* Por Anna Sophia Barbosa Baracho



A busca de um produto que seja desenvolvido de forma sustentável nas esferas econômica, social e ambiental já faz parte do escopo de muitas empresas que produzem estratégias capazes de viabilizar as suas responsabilidades socioambientais, através de projetos específicos para a área ambiental, principalmente para aquelas potencialmente poluidoras. Mas apesar disso, ainda é comum profissionais perderem o controle do prazo e do custo – chegando a afetar a qualidade do(s) produto(s) – devido à má utilização ou falta de metodologias aplicadas no gerenciamento de seus processos.



A elaboração de projetos ambientais ainda é feita sem a devida sistematização das informações necessárias à implantação do projeto e resultados esperados: passagem pelas fases dos processos, das ferramentas e técnicas mais apropriadas para o planejamento e execução.
O devido acompanhamento dos projetos ambientais que garanta o princípio de sustentabilidade nos negócios deve ser focado no padrão PMI desde o início da sua concepção, pois, permite detectar possíveis falhas, além de ir de encontro com as atuais exigências de gerenciamento e transformações do mercado.



Palavras chaves: Gerenciamento da Sustentabilidade, Metodologia e Sistematização PMBoK, Responsabilidade Social Corporativa.



INTRODUÇÃO: OPORTUNIDADES PARA A SUSTENTABILIDADE



Organizações de todo o mundo estão cada vez mais procurando meios de melhorar seu desempenho global considerando aspectos da qualidade, meio ambiente e saúde, como parte integrante de sua gestão integrada. A incorporação da sustentabilidade nos negócios demanda, atualmente, por instrumentos objetivos que permitam às organizações trilharem, de forma prática, os caminhos necessários às mudanças nos modelos mentais e de gestão. Tendo como ponto de partida da análise os projetos como agentes potenciais de mudança, objetiva-se uma avaliação desta prática de gestão e como ela pode ser revisada, incorporando premissas e diretrizes do desenvolvimento sustentável.



A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) como forma de orientar as empresas rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável tem sido o grande desafio de gestão já vivenciado pelas empresas no mundo todo. Ao serem colocados nas mesmas posições os aspectos econômicos, sociais e ambientais, busca-se um equilíbrio de variáveis que usualmente fogem ao modelo praticado pelas organizações: a perspectiva sistêmica, a noção do longo prazo, dentre outros.



Diversas são as estratégias de se repensar os negócios a partir das premissas do desenvolvimento sustentável, entretanto, poucas delas têm focado um aspecto importante no dia-a-dia das organizações: os projetos.Se projetos promovem mudanças, então pode-se dizer que estas levam as empresas a novos rumos em seus negócios. Mas quais rumos são esses? E quanto esses projetos trouxeram as diretrizes para a sustentabilidade? Adotando-se que os modelos de gestão estão usualmente baseados em melhores práticas a serem incorporadas em suas realidades, deve-se perguntar quais são estas melhores práticas associadas aos projetos e o quanto elas estão levando em consideração as diretrizes para o desenvolvimento sustentável.



O objetivo aqui consiste em colocar de forma mais enfática os aspectos positivos, ou seja, o quanto o produto ou serviço potencializa as questões sociais e ambientais. Todo esse processo de questionamento demanda de um roteiro que facilite sua compreensão e entre todos os roteiros desenvolvidos destaca-se o sugerido pelo Project Management Institute (PMI)© (http://www.pmi.org/). O roteiro vem somar às demais técnicas já propostas e utilizadas no campo da gestão, agregando quando o tema são os investimentos ligados aos projetos empresariais e sustentabilidade.



Modernizar, competir, rentabilizar, aprimorar, são palavras cotidianas no mundo dos negócios. E este é o primeiro ponto: com que freqüência, a cada projeto novo iniciado nas organizações, é questionado o quanto ele contribui para o caminho a um modelo de desenvolvimento sustentável e simultaneamente corporativamente responsável?



Pode-se pensar em projetos dos mais variados tipos dentro das organizações: aprimorar modelos de gestão, implantar novos sistemas de informação, entrar em novos mercados, lançar novos produtos, ou seja, existem projetos de todos os tipos, portes e impactos. Entretanto, há uma natureza de projetos que está no caminho crítico de qualquer negócio: são os projetos relacionados aos produtos ou serviços. Estes projetos são particularmente importantes, pois justificam a organização perante seu mercado, oferecem a ela as condições de permanecer existindo, de gerar seus resultados econômicos, de se mostrarem para seus clientes da forma verdadeira. E, são estes mesmos projetos os principais responsáveis pelos impactos, positivos ou negativos, no negócio em termos econômicos, ambientais e sociais.



Há que se ressaltar que o tema de projetos alinhado com a questão do desenvolvimento sustentável pode ser considerado como um “tipo de inovação”. Entretanto, sua implementação no modelo de gestão atual pode ser considerada como uma ação de certa complexidade, ao mesmo tempo em que aponta questões de ordem prática ligadas ao tema da sustentabilidade no cotidiano das empresas e pode apresentar impactos relevantes estruturais ou na decisão final por determinados investimentos.



DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: CAMINHO SEM VOLTA



Diversos são os sinais e constatações da insustentabilidade do modelo econômico atual. Como implementar mudanças que alinhem as três esferas (econômico, social e ambiental) no contexto da gestão empresarial? Muitos têm sido os esforços para o “repensar” do modelo dos negócios, principalmente no que se refere ao posicionamento estratégico das organizações e do modelo de gestão. Porém, tem-se notado que as criações de novos paradigmas no campo da sustentabilidade encontram maiores dificuldades do que o esperado em processos usuais de mudanças no mundo corporativo. Tem-se conseguido demonstrar em que aspectos a gestão dos negócios deve mudar, contudo, não se consegue ter o mesmo sucesso na explicitação de formas que levem à criação de um novo paradigma que sustente o modelo proposto.



Em grande parte, as organizações explicitam sua intenção de agir pautadas pelas três dimensões (econômico, social e ambiental), porém as atitudes, em sua maioria, são direcionadas pelo paradigma da dimensão econômica. Todo esse processo de mudança encontra questionamentos ao longo do percurso de transformação de uma organização rumo à sustentabilidade: o que faz determinadas lideranças empresariais considerarem a sustentabilidade nos negócios como evidente, ao mesmo tempo que para outras é difícil a forma de geri-los.



Porém, muitas organizações que já adotaram a sustentabilidade como diretriz estratégica apresentam melhores resultados econômicos. Este é o contexto no qual se insere o tema de projetos. Sabe-se que um projeto é uma mudança, entretanto, é preciso sempre entender as motivações e as reais possibilidades de rumar na direção desejada.



ESTRATÉGIAS, PROJETOS E SUSTENTABILIDADE



A proposta apresentada para o encaminhamento dos projetos no contexto da sustentabilidade parte da seguinte visão geral:











No centro da figura encontra-se a estrutura clássica de gestão empresarial,onde, no topo da pirâmide, constam os princípios do negócio. No lado direito, as dimensões da Responsabilidade Social Corporativa adotadas por algumas empresas e, no lado esquerdo, as dimensões da Sustentabilidade. A tríade econômico, social e ambiental está representada no modelo, tendo na base a necessidade de Integração, Alinhamento e Coerência.


Um projeto que esteja neste contexto, durante sua concepção necessita responder a algumas questões ligadas aos aspectos econômicos do negócio, como por exemplo, se alterará ou não a proposta de valor da empresa frente aos seus mercados, se alterará ou não a estrutura organizacional da empresa, etc.


Agrega-se aos projetos um conjunto de novas questões que, somadas às questões usuais aplicadas a estes, despertam a possibilidade de colocar o tema em pauta, principalmente aos stakeholders do projeto. Em todo o processo de aprovação de investimentos em projetos podem ser inseridas estas questões como parte dos critérios de aprovação dos mesmos. O objetivo é que, todo projeto de investimento acima de um determinado valor, seja aprovado pelas instâncias com poderes para tal, aplicando como questionamento as propostas contidas no roteiro do projeto.




Figura 2: Novas questões a serem inseridas nos projetos quando da montagem de seu escopo, referindo-seao potencial de inserção dos temas de gestão como parte integrante do planejamento e execução.


AVALIAÇÃO DOS PROJETOS COM O ENFOQUE DA SUSTENTABILIDADE


Que novos processos devem ser pensados para a gestão da sustentabilidade? Quais são as técnicas, as ferramentas e as informações que devem ser adicionados àqueles já previstos pelas áreas de conhecimento? Ou seja, como garantir que os padrões de gerenciamento de projetos reflitam preocupações relacionadas à sustentabilidade?


Visando facilitar a aplicação dos conceitos apresentados no campo da sustentabilidade, foram desenvolvidas duas planilhas com base no modelo proposto pelo PMBoK®. Para a elaboração do check-list foram mapeados os resultados que derivam das fases de planejamento e execução do ciclo de gerenciamento dos projetos, inserindo questões que contemplam a temática da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e do desenvolvimento sustentável tomando como referência os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (http://www.pnud.org.br/milenio/index.php).

PROCESSOS DE PLANEJAMENTO DO PROJETO

Aprovado o Termo de Abertura, dá-se início ao planejamento do projeto. Esta etapa do ciclo demanda um maior detalhamento e confere materialização às questões da sustentabilidade tratadas na etapa de Iniciação do Projeto.

PROCESSOS DE EXECUÇÃO DO PROJETO

Findo o planejamento do projeto e aprovado seu detalhamento junto à alta administração, inicia-se a etapa de execução.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estabelecidos os parâmetros utilizados para a avaliação e condução de projetos, os aspectos apresentados influenciam os resultados de cada uma das diferentes etapas que derivam de cada uma das fases do ciclo de processos de gerenciamento dos projetos.

Como em todo processo de inovação, a construção de um novo modelo de gerenciamento de projetos, que leve em conta o desenvolvimento sustentável, a incorporação de novas sugestões e observações, dentro do conjunto de aspectos específicos das diretrizes estratégicas da empresa, terão como resultados destes aprimoramentos: a contribuição positiva para imagem da empresa, considerando a exposição na mídia, pública e a percepção dos clientes; a observação de critérios, protocolos e declarações ambientais e de gestão de expressão internacional, passíveis de certificação ou não; a redução dos impactos ambientais nos processos; a melhoria da qualidade de trabalho para funcionários, com fornecedores e clientes; a aplicação de conceitos de consumo consciente, cidadania corporativa, ética, qualidade de vida e desenvolvimento local.

Dentro do universo das empresas, grande parte delas deve entender que os temas tratados sobre a sustentabilidade são relevantes, e virá para a pauta estratégica do negócio por necessidade e pressão interna e/ou externa. Afinal é esperado das organizações que incorporem em sua visão a perspectiva da sustentabilidade como eixo central de sua estratégia de sobrevivência e crescimento; que incorporem em suas atitudes e práticas de gestão novas perspectivas de análise e tomada de decisão, que considerem e integrem equilibradamente os aspectos econômicos, sociais e ambientais; que baseados nessas mudanças, possam apresentar resultados significativos em termos de impactos produzidos no contexto socioambiental em que atuam, minimizando impactos negativos e potencializando impactos positivos, de forma contínua e progressiva; que sejam agentes multiplicadores desta perspectiva de desenvolvimento em toda sua cadeia, influenciando e fortalecendo suas relações com os stakeholders.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. 191 p.CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO INSTITUTO ETHOS 2006. Gestão de projetos para sustentabilidade. Disponívelem:<http://www.ethos1.org.br/>. Acesso em 12/12/2008.
LEAL, Guilherme. Crise financeira pode abrir espaço para que o modelo de desenvolvimento seja repensado de forma mais sustentável. Disponível em:<http://www.funbio.org.br/publique/web/cgi/cgilua.exe/sys/start.htminfoid=6234&sid=17>. Acesso em 09/01/2009.
NBR ISO 14001. Sistemas de gestão ambiental: especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. 14p.OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/milenio/index.php> Acesso em 10/12/2008.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos: guia PMBOK. 3ª ed. Newton Square: PMI, c2004. 388 p.

SOUZA, Maurício Novaes. Degradação e recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável. Dissertação de Mestrado. Viçosa: UFV, 2004.

VARGAS, Ricardo Viana. Manual prático do plano de projeto: utilizando o PMBOK Guide. 3ª ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2007. 226 p.

* Arquiteta e Urbanista (PUCMINAS); Especialista em Meio Ambiente e Arquitetura Bioclimática (Universidad Politécnica de Madrid); Especialista em Engenharia Ambiental Integrada (IETEC); Pós-graduanda em MBA Administração de Projetos pelo IETEC.

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: ÉTICA NA PRÁTICA DO DIA A DIA

* Por Maria de Fátima Vieira Aguiar

Ter o conhecimento e colocá-lo em prática há uma diferença muito grande, principalmente no que se refere à utilização da água. Nossos hábitos culturais estão arraigados. Ariscamos muitas vezes a interromper processos nos quais necessitamos para dar continuidade a uma vida saudável. Desperdiçamos, consumimos exageradamente, colocamos em risco nossa saúde e a dos nossos semelhantes. Preferimos não olhar a nossa volta e continuar a caminhar como se nada pudesse nos impedir de viver. Mas sabemos da nossa fragilidade e interdependência. O que acontece conosco então?

Refletir sobre artigos que nos alertam sobre nosso comportamento em relação à utilização dos recursos naturais e escrever sobre os mesmos, tem como finalidade a Educação Ambiental. É uma forma de alertar o leitor de que, apesar de termos uma consciência reflexiva, nossas ações muitas vezes, não condizem com nosso conhecimento e necessidades. E para essa prática, escolhemos estes dois artigos que poderão ser apreciados.

O artigo, “Dia Mundial da água: vamos comemorar?”; da engenheira civil e ambiental, Rosa Helena Borges Peres, e o artigo: “A economia, o ambiente e os limites do crescimento” do engenheiro agrônomo, Maurício Novaes Souza, refletem bem o grau de complexidade relacionada à adequação de um sistema, no qual insistem na insustentabilidade. E nos alegra ler trabalhos de profissionais de áreas diferentes, que possuem a mesma consciência ética relacionada ao meio ambiente. Esses profissionais, e tantos outros com a mesma postura, parecem estar na contramão no que diz respeito a visão do sistema organizacional, defendem a ética na utilização dos recursos naturais.

A professora Rosa pergunta-nos: como merecia ser comemorado o dia da água? Parece que está sendo comemorado, segundo Peres, (2009), com bolo e vela, se comparado ludicamente. Mas com água farta para todos? Até nos embriagar se fosse possível? Água límpida? Colocam-na em pauta quase todos os dias, mas ao utilizarmos o recurso hídrico, talvez por estarmos em região que ainda não é possível sentir sua escassez de fato, nos fartamos desta fonte de vida, sem lucidez.

O professor Maurício em sua visão holística sugere que se façam políticas públicas voltadas para a questão social e ambiental. Que o poder público ao legislar consiga efetivar as propostas dentro de parâmetros éticos, visando pesquisas voltadas a proteção dos ecossistemas, no qual estamos inseridos. Pensar desta forma, é ser estratégico, é estar em sintonia com a realidade econômica, no qual depende totalmente dos resultados dessa interação.

Para comemorar o dia da água, a "resurgência" da vida, a cada dia deveríamos estar repensando de como se apropriar deste recurso de forma a contribuir para que esta prática nunca se esgote. Proteger aquela que nos alimenta, nossa extensão. Numa festa sem fim, dia após dia. Acordar e “acordar” a cada minuto para que nossos hábitos sejam compatíveis com as nossas necessidades individuais, humanizados, interagindo bem com a natureza.


* Licenciada em Geografia, Especialista em Educação-concentração em Geografia e Gestão Ambiental. Técnica em Meio Ambiente/ Professora de Ensino Básico do Estado de Minas Gerais. Orientadora do curso de especialização de Geografia (EVATA). Vice - presidente do Instituto Ambiental Sol do Campo. E-mail: fatima@soldocampo.com

A superpopulação, o modelo de crescimento e a importância da consciência ambiental


* Por Maurício Novaes Souza1 e Maria Angélica Alves da Silva2


Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde” não havia preocupação com as questões ambientais. Isso porque os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. Com o crescimento acelerado e desordenado da produção e da população humana mundiais, que resultaram na aceleração dos impactos e degradação ambientais, o resultado que se tem é a escassez dos recursos naturais. Surge então, recentemente, o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e perceber a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

Cabe considerar o conceito “Limites do Crescimento” - de acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, como estamos usando os recursos além de sua capacidade produtiva, significa que os limites do crescimento não foram observados, ultrapassaram-se a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002 elaborado pelo WWF. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares (ha) de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 ha de área produtiva per capita. Contudo, a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de ha para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 ha; ou seja, essa é a pegada ecológica de um dos habitantes do Planeta. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica, nos dias atuais, é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.

A Pegada Ecológica de 2,3 ha é uma média. Há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados de 1999 mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 ha e a dos norte-americanos de 9,6 ha. Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 ha – dentro da média mundial, está cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta; ou seja, vivemos a época do horror econômico e ambiental – a época do contra senso.

De acordo com Konrad Zacharias Lorenz, que criou o conceito de "imprinting", ou cunhagem, todos os dons recebidos pelo homem por intermédio de seu profundo conhecimento da natureza e de seus progressos advindos do desenvolvimento tecnológico, nos mais diversos setores, tais como a química, a informática e a medicina, tudo aquilo que parecia poder atenuar o sofrimento humano, tende, por um espantoso paradoxo, a arruinar a humanidade. Segundo esse mesmo autor, ela ameaça fazer algo que, normalmente, não costuma acontecer em outros sistemas vivos, ou seja, sufocar a si mesma. O pior, nesse processo apocalíptico, é que as qualidades e as faculdades mais nobres do homem são as que parecem destinadas a desaparecer em primeiro lugar, justamente aquelas que mais estimamos, e que são, com justeza, as mais especificamente humanas.

Segundo esse autor, os que vivem em países civilizados de grande densidade demográfica, ou mesmo em grandes cidades, não se têm idéia do quanto nos falta o amor ao próximo, sincero e caloroso. É preciso ter pedido hospitalidade numa região pouco habitada, onde vários quilômetros de estrada ruim separam vizinhos uns dos outros, para medir o quanto o ser humano é hospitaleiro e capaz de simpatizar com os outros quando suas faculdades de contato não são constantemente e excessivamente solicitadas. Na verdade, para esse autor, o ajuntamento humano nas cidades modernas é em grande parte responsável por não sermos mais capazes de distinguir o rosto do próximo nessa fantasmagoria de imagens humanas que mudam, se superpõem e se apagam continuamente. Diante dessa multidão e dessa promiscuidade, nosso amor pelos outros se desgasta a tal ponto que os perdemos de vista. Os que querem ainda ter para com seus semelhantes sentimentos calorosos e benévolos são obrigados a se concentrar em um pequeno número de amigos.

Em artigo recente do jornalista Fernando Martins, “O mito do homem bom e do homem mau”, uma pergunta inicial: o ser humano é bom ou mau por natureza? A resposta a essa pergunta, tão antiga como o homem, moldou todas as instituições políticas e econômicas atuais e a forma como elas nos governam. Também ajudou a reforçar mitos dos quais a sociedade atual não consegue escapar. O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588–1674) entendia que o homem é naturalmente egoísta. Para ele, sem um Estado forte que limite as pretensões individuais, haveria uma guerra de todos contra todos. Suas teorias justificaram o absolutismo dos reis europeus, e, posteriormente, todas as formas de autoritarismo e totalitarismo. Mas as idéias “atenuadas” de Hobbes de certa forma também inspiram nações democráticas que crêem no papel de um governo forte para definir os rumos de uma sociedade.

De fato, para Lorenz, nos é impossível amar toda a humanidade, apesar da justeza dessa exigência moral. Somos, portanto obrigados a fazer uma escolha, ou seja, a manter a distância, emocionalmente, numerosos seres dignos de nossa amizade. É um processo absolutamente inevitável para cada um de nós, mas já manchado de desumanidade. Levando mais adiante esse tipo de defesa voluntária contra as relações humanas, veremos que, de conformidade com os fenômenos de exaustão do sentimento, conduz às espantosas manifestações de indiferença que os jornais relatam diariamente. Quanto mais somos levados a viver na promiscuidade das massas, mais cada um de nós se sente acuado pela necessidade de não se envolver. É assim que hoje em dia os ataques à mão armada, o assassinato e o estupro podem acontecer em plena luz do dia, justamente no centro das grandes cidades, nas ruas cheias de gente, sem que sequer um “transeunte” intervenha. Amontoar os homens em espaços limitados leva de forma indireta a atos de desumanidade provocados pelo esgotamento e desaparecimento progressivo dos contatos, e é a causa direta de todo um comportamento agressivo.

Segundo esse mesmo autor, numerosas experiências realizadas em animais nos ensinaram que a agressividade entre congêneres pode ser estimulada amontoando-os em espaço limitado. Quem nunca teve experiência semelhante, quer em cativeiro, quer em situação análoga em que muitas pessoas vivem juntas por força das circunstâncias, não pode avaliar o grau de intensidade a que cega a irritabilidade. E se a pessoa tenta se controlar, se esmera no contato de cada dia, de cada hora, para ter uma atitude delicada e, portanto amigável, para companheiros pelos quais não tem qualquer amizade, a situação vira suplício. A falta de amabilidade generalizada, que podemos observar em todas as grandes cidades, é claramente proporcional à densidade das massas humanas aglomeradas em determinado lugar. Atinge proporções aterradoras nas grandes estações, ou nos terminais de ônibus e de metrô de Nova Iorque, Tóquio e São Paulo, por exemplo.

A superpopulação, que na verdade é produto das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde”, contribui diretamente para gerar todos os problemas, todos os fenômenos de decadência. Acreditar na possibilidade de produzir, graças a um “condicionamento” apropriado, um novo tipo de homem, armado contra as conseqüências nefandas do empilhamento num espaço limitado, me parece uma ilusão perigosa. Isso já é bem registrado em pesquisas com animais. De acordo com José Saramago, há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genômico. Há seis anos que a revista Science publicou um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

De acordo com Saramago, nas últimas décadas, o setor pecuário se transformou em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica “rocinha familiar” que os livros de texto na escola buscam descrever. Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos se concentram em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas às incomensuráveis granjas/depósitos fecais atuais, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agentes patogênicos à velocidade imprevisível, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários. Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

Voltando a falar de consumo de energia, tem-se de pensar em emissões de poluentes. Nesse aspecto, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto daqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. Dessa forma, o grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente essa situação antes que seja demasiado tarde.

A escritora Viviane Forrester, em seu livro “O horror econômico”, comenta: depois da exploração do homem pelo homem em nome do capital, o neoliberalismo e seu braço operacional, que é a globalização, criaram, mantêm e ampliam, em nome da sacralidade do mercado, a exclusão de grande parte do gênero humano. O próximo passo será a eliminação? Caminhamos para um holocausto universal, quando a economia modernizada terá repugnância em custear a sobrevivência de quatro quintos da população mundial? Depois de explorados e excluídos, bilhões de seres humanos, considerados supérfluos, devem ser exterminados? Diante a situação em que vivemos, o raciocínio é bem mais do que uma hipótese.

Viu-se no filme “Uma verdade Inconveniente” que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural e dos rumos ditados pelos modelos de desenvolvimento econômico. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Como diz Leonardo Boff, devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.

A conscientização ambiental de massa só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas, que é o fundamento invisível das diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar/conservar o meio ambiente é garantir a própria vida. Fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.

Mas, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente: pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. As sugestões encontradas nos modelos de gestão ambiental, além de despertarem a consciência ambiental que se faz indispensável nesse momento de crise, podem garantir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável.

* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Pedagoga e Especialista em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É professora das disciplinas Sociologia e Artes do IFET - Rio Pomba. E-mail: gecamau@yahoo.com.br.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A importância da consciência e da gestão ambiental para o desenvolvimento sustentável


* Por Maurício Novaes Souza

Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde” não havia preocupação com as questões ambientais. Os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. A partir da escassez dos recursos naturais, somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais, surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

De acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, ou limites do crescimento não foram observados, ultrapassaram-se a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002 elaborado pelo WWF. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares (ha) de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 ha de área produtiva per capita. Contudo, a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de ha para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 ha. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.

Segundo essa mesma autora, a Pegada Ecológica de 2,3 ha é uma média. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados de 1999 mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 ha e a dos norte-americanos de 9,6 ha. Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 ha – dentro da média mundial, está cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.

Quanto se fala em emissões de poluentes, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto daqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. Dessa forma, o grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente essa situação antes que seja demasiado tarde.

Viu-se no filme “Uma verdade Inconveniente” que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.

De acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a conscientização ambiental de massa só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas, que é o fundamento invisível das diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar/conservar o meio ambiente é garantir a própria vida. Fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.

Mas, ainda de acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente: pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. As sugestões encontradas nos modelos de gestão ambiental, além de despertarem a consciência ambiental que se faz indispensável nesse momento de crise, podem garantir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

O QUE É GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E QUAL A RELAÇÃO COM O TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO?

* por Claudemir Aparecido Neto Garcia1 e Maurício Novaes Souza



Nos dias atuais é gerada uma carga extremamente elevada de resíduos. Como agravante, milhares de toneladas de resíduos sólidos são muitas vezes despejados no meio ambiente diariamente, trazendo, dessa forma, drásticas consequências.

Providências urgentes têm que ser tomadas para reverter esse quadro, e a necessidade de mudança de conceitos e formas de tratar o assunto é premente para que sejam alcançados melhores resultados no manejo dos resíduos sólidos, principalmente na disposição final, segmento em que os dados são mais alarmantes.

A Gestão de Resíduos Sólidos (GRS) é um conjunto de atitudes (comportamentos, procedimentos, propósitos) que apresentam como objetivo principal, a eliminação dos impactos ambientais negativos, associados à produção e à destinação do lixo. Na ausência do gerenciamento de resíduos sólidos, a produção e a destinação do lixo podem conduzir aos seguintes problemas, entre vários outros: contaminação do solo com fungos e bactérias; contaminação das águas de chuva e do lençol freático; aumento da população de ratos, baratas e moscas, disseminadores de doenças diversas; aumento dos custos de produtos e serviços; entupimento das redes de drenagem das águas de chuva; assoreamento dos córregos e dos cursos d’água; incêndios de largas proporções e difícil combate; destruição da camada de ozônio, etc.

A gestão de resíduos sólidos pode diminuir, e em alguns casos evitar, esses impactos negativos, propiciando níveis crescentes de qualidade de vida, saúde pública e bem estar social, além de gerar uma redução das despesas de recuperação das áreas degradadas, da água, dos lençóis freáticos e do ar poluídos, possibilitando a aplicação desses mesmos recursos (econômicos) em outras áreas de interesse da população. Além disso, a GRS aplicada às indústrias e às fábricas reduz os custos de produção, possibilitando a recuperação de matérias-primas, aproveitáveis no processo de fabricação, ou comercializáveis para terceiros.

A gestão de resíduos sólidos é uma das maneiras mais diretas para minimizar os impactos ao meio ambiente. Também cabe ao técnico em segurança do trabalho, orientar sobre medidas que podem reduzir o desperdício. Como a empresa de um modo geral pode direcionar sua produção de um modo produtivo e de modo também que venha colaborar com o meio ambiente em geral como, por exemplo, reaproveitamento de material que foi rejeitado na produção para ser reciclados e aproveitados pelos outros setores evitando assim que seja descartado para o lixo.

Cada um de nós pode estar colaborando para que o descarte desses resíduos diminua. Comprando produtos ecologicamente corretos e que são produzidos por empresas que fabricam seus produtos com uma preocupação voltada para o meio ambiente e que, saibamos, tenham programas de controle voltados para as áreas de gestão ambiental como, por exemplo, a Petrobrás e a Natura.

* 1. Aluno do curso Técnico em Segurança no Trabalho do IFET SE campus Rio Pomba.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuidados importantes e medidas preventivas nas primeiras chuvas da primavera

* Por Maurício Novaes Souza

Durante a temporada seca nos esquecemos dos problemas associados aos excessos de chuvas ocorridos nos anos anteriores. Ao final de 2008 e início de 2009, em vários Estados e regiões do Brasil, aconteceram sérios desastres ambientais. As principais causas estão associadas à precipitação pluviométrica elevada e concentrada em um curto período de tempo. Apesar dos esforços das Prefeituras e de todos os serviços de prevenção, as consequências são: deslizamentos de encostas, extravasamento dos córregos e dos rios, destruição de estradas, soterramento e inundação de cidades e fazendas, famílias desabrigadas, carros alagados, queda de árvores e postes, partes da cidade sem o fornecimento de energia, trânsito caótico; que resultam em perdas humanas e materiais.

Nas áreas urbanas os problemas quase sempre são dramáticos. Quais são os principais fatores que agravam essa situação? Construções em locais inadequados, como nas encostas e nas margens dos rios; grandes áreas impermeabilizadas com asfalto, calçamento e construções, que impedem a infiltração das águas das chuvas; reduzidas áreas verdes; e ausência ou deficiência na manutenção das galerias de drenagem das águas pluviais. De fato, os detritos vegetais e outros materiais inertes, que durante a estação seca se depositaram nos lotes e telhados, ao longo das valetas das ruas e avenidas, contribuem para situações de obstrução dos canais de escoamento. As primeiras chuvas de setembro/outubro são geralmente responsáveis pelo arrastamento destes resíduos sólidos até locais inadequados (sarjetas, sumidouros, valetas), originando acumulações de águas pluviais que poderão provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos de edifícios.

Nas zonas mais vulneráveis às situações de cheia, alguns CUIDADOS IMPORTANTES devem ser observados antes, durante e depois da inundação:

· Antes da inundação:

Moradores de regiões propensas a inundações devem-se manter informados sobre as condições meteorológicas; ao primeiro sinal de chuva forte, colocar os móveis, eletrodomésticos e demais objetos em lugares altos; desligar aparelhos elétricos e eletrônicos, além da chave geral de sua casa; fechar os registros de entrada de água e de gás; retirar o lixo e levá-lo para áreas não sujeitas a enchentes; evitar construir em cima e embaixo de barrancos que possam deslizar, carregando sua casa; colocar documentos e objetos de valor em um saco plástico fechado e em local protegido; não jogar lixo ou entulho no córrego, para não obstruir a passagem de água, nem em terrenos baldios ou ruas; limpar o telhado, calhas, condutores e canaletas para evitar entupimentos.

· Durante a inundação

Evite o contato direto com a água contaminada da enchente, pois ela pode provocar doenças; se estiver em local seguro, procure não se deslocar; não atravesse ruas alagadas, pois você pode ser arrastado pela água; em local alagado, preste atenção a buracos e bueiros sem tampas ou encobertos pela água; em caso de ventos muito fortes, cuidado com as quedas de árvores, fios, postes, semáforos, entre outros; utilize calçado, calça comprida e blusa para a proteção do corpo; não use bermuda e não fique sem camisa; não deixe crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos, pois elas podem ser levadas pela correnteza ou contaminar-se, contraindo doenças graves, como hepatite e leptospirose.

· Depois da inundação

Beba apenas água filtrada ou fervida; não utilize alimentos que estiveram em contato com a água da inundação; fique atento aos sintomas de doenças, tais como febre, vômito, dor de cabeça ou no corpo (principalmente na “batata da perna”), e diarréia; nesses casos, procure os serviços de saúde; chuvas de grande intensidade ou longa duração provocam deslizamentos, principalmente em áreas de risco: fique atento a qualquer sinal; não use equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou que estiveram em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito; lave e desinfete os objetos atingidos pela enchente usando uma mistura de um copo de água sanitária para cada balde de 20 litros de água limpa, utilizando luvas e botas.

Recomenda-se também a adoção das seguintes MEDIDAS PREVENTIVAS, tanto do poder público, como da sociedade civil:

Desobstrução de linhas de água principalmente junto a pontes, aquedutos e outros estrangulamentos do escoamento; Limpeza de linhas de água assoreadas; Limpeza dos resíduos sólidos urbanos (muitos deles de grandes dimensões) depositados ilegalmente nos troços marginais dos cursos de água; Verificação (e eventual reparação) de possíveis situações de desmoronamentos das margens das linhas de água, de modo a evitar obstruções ou estrangulamentos; Inspeção visual de diques ou outros aterros longitudinais às linhas de água destinadas a resguardar os terrenos marginais.


Cada cidadão deve também tomar uma atitude proativa, nomeadamente assegurando a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais dos quintais ou varandas e a limpeza de bueiros e dos telhados de suas residências.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

sábado, 8 de agosto de 2009

O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Este artigo tem a intenção de apresentar conceitos relativos à "Ecologia Profunda". É uma nova linha de estudo dentro da Ecologia, que visualiza um mundo diferente daquele que estamos vivendo. Tradicionalmente, estamos acostumados com o modelo capitalista, onde o individual egoísta supera os ideais coletivos, e a ética deixou de ser uma condição básica ou um princípio fundamental. O novo modelo, ou paradigma, chamado de visão holística, concebe o mundo como um todo integrado, em uma rede de fenômenos interconectados e interdependentes, e não uma superposição de partes dissociadas. Pretende-se, dessa forma, podermos atingir o tão discutido “Desenvolvimento Sustentável”. Essa deve ser a principal proposta nos dias atuais, e o nosso maior objetivo (SOUZA, 2008).


Recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO". O artigo trata desse tema: propõe e evidencia a necessidade da mudança de paradigmas. Segue o artigo:


O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Por Maurício da Silva - Físico




Tenho lido e refletido acerca da revolução que vem lentamente ocorrendo através das novas concepções da física; que vem mudando profundamente nossas visões de vida e do universo; passando da visão superficial de vida efêmera no mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão cosmológica de Einstein, de Huberto Rhoden, de Dr. Samael Aun Weor e outros, muito mais profunda, holística e ecológica.


As mudanças de paradigmas, para Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias e representam uma transformação cultural. As mudanças de paradigmas ocorrem em todas as áreas do conhecimento humano: nas ciências, na cultura, nos esportes etc., e refletem em toda sociedade.


Um paradigma tem seu ponto de partida e de chegada e, quando vai chegando ao fim é porque vai sendo substituído por outro, após haver predominado por muito tempo. O paradigma cartesiano, que na física é newtoniano já vai se indo, após haver dominado a nossa cultura centenas de anos, aonde moldou a sociedade ocidental, influenciou o mundo inteiro. Esse paradigma é calcado no antropocentrismo centrífugo, que concebe o universo como sendo um sistema casual, automático, composto de sistemas fragmentados. Ele visualiza o micro, o meso e o macro-cosmo, como sendo máquinas, totalmente destituídas de qualquer princípio organizativo inteligente. A vida em sociedade é concebida como sendo uma luta competitiva pela existência e a crença no progresso material é ilimitado. Deve ser obtido por intermédio de um crescimento econômico, feito a custo do sacrifício dos desvalidos, em decorrência do mais valia.


O novo paradigma, que já vai substituindo gradativamente os princípios antropocêntricos, de natureza ecocêntrica, é denominado pela concepção holística do cosmos, por conceber o universo como uma totalidade integrada, onde as unidades funcionam simultaneamente, interdependente e integradamente e não como um conjunto desconexo de partes dissociadas.


Na visão ecocêntrica há o reconhecimento da independência fundamental de todos os fenômenos; onde há o encaixe e a dependência dos homens nos processos cíclicos da natureza. Aí os sistemas vivos possuem conexões vitais com o meio ambiente e se sustentam reciprocamente.


A Ecologia Profunda é um movimento popular global, que vai sendo conhecido por muita gente e está rapidamente adquirindo preponderância. Arne Naess fundou a escola filosófica ecocentrista, no início dos anos 70, dando distinção entre "Ecologia Rasa", a ecologia convencional e "Ecologia Profunda", a ecologia revolucionária. Onde fica claro que a Ecologia Convencional é muito superficial e antropocêntrica, por estar centralizada no ser humano. Para ela os seres humanos estão situados acima ou fora da natureza, como sendo a fonte de onde emergem todos os valores, tendo no meio ambiente e nos demais seres vivos apenas um valor de objeto de uso.


Na Ecologia Profunda os seres humanos não se separam das outras coisas do meio ambiente natural, sejam elas de natureza vegetal, animal ou mineral. Para ela o mundo não se constitui numa coleção de objetos isolados, mas numa rede de fenômenos cósmicos interconexos, simultâneos e interdependentes.


A ecologia profunda compreende que cada ser vivo se constitui numa pérola muito valorosa engastada no colar da Teia de Vida da Terra Viva; reconhece o valor intrínseco de cada ser vivo e vê o ser humano apenas como um fio particular desta teia de vida.


Devemos nos reeducar convenientemente, para adquirir consciência ecológica profunda, o que significa experimentar e compreender a realidade da sensação de pertinência e de interconexidade com Unidade Absoluta do universo cósmico, ser diversidade na unidade, ser uno com o todo.


As escolas devem abordar em seus currículos a Ecologia Profunda, para construir a Cultura da Paz e Não Violência na Terra: paz ambiental, escolar e social, por intermédio do combate à violência na causa. As escolas devem ensinar aspectos importantes do novo paradigma ecológico, fazendo suas abordagens dentro de uma visão ecológica coerente com o holismo cósmico.


Nossa natureza tem sido dramaticamente violentada por uma sociedade homemoidal fundamentalmente antiecológica, decorrentes de nossas estruturas sócio-econômicas estarem solidificadas no neocapitalismo que engendra sistemas ideológicos dominadores, que geram explorações antiecológicas, traduzidas no patriarcado, no imperialismo, no racismo, no escravismo.


As mudanças de paradigmas só poderão se dar por meio da revolução da consciência ecológica, com base nos três fatores de revolução da consciência. Isto ampliará nossa capacidade de registro das nossas percepções do holismo do universo, mudando nossas maneiras de pensar e sentir a natureza.


Numa sociedade capitalista como a nossa, é amedrontador para a maioria das pessoas conceber mudanças de paradigma, para atingir valores centrípetos mais equilibrados; principalmente aqui no Brasil, onde levar vantagem em tudo é a lei, o que reforça a competitividade, a individualidade e o egoísmo, em detrimento da solidariedade e do altruísmo; onde alguns são favorecidos, privilegiados, recebem recompensas econômicas e poderio político.


A síndrome do medo exacerbado imposta pelo ego, leva o homemóide à aquisição de poder excessivo de dominação sobre os demais. Se as estruturas políticas, militares e corporativas fossem hierarquicamente organizadas para servir ao próximo seriam toleráveis; mas, para defender a ideologia da estrutura de poder, para manutenção de privilégios à camada dominante, se constitui em algo criminoso e absurdo. Ninguém desejaria poder para si mesmo, se não possuísse o germe egóico do medo da inferioridade. Para pessoas investidas de poder, as mudanças de paradigmas, de valores trazem em seu bojo o medo existencial.


Portanto, para o exercício do poder, mais apropriado para o novo paradigma, seria o poder como influência de outros. A estrutura ideal para exercitar esse tipo de poder não é a hierarquização das funções, mas uma rede intrincada de convergência ecocêntrica, que é também, ao mesmo tempo, a metáfora central da Ecologia Profunda. A mudança de paradigma passa também por uma mudança na organização social, mudando de hierarquias para redes; indo de uma relação de poder hierárquico para uma rede dialógica.


A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Questionamento 2: comentei que em alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores... e que hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA".

Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Logo após essa leitura e análise, li outro artigo do mesmo autor... "A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA"... e verifiquei que os meus questionamentos ficaram mais intensos... Segue o novo artigo:

A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA, por Maurício da Silva, Físico



Nós, seres humanos, somos responsáveis direta e indiretamente pelo caos na ecologia do planeta, ao colocá-lo em profunda agonia por meio da violência generalizada ao meio ambiente.

Nós, seres humanos, distinguimos dos demais animais pela capacidade de agir sobre a natureza, com um nicho ecológico diferente dos outros nichos dos demais seres vivos. Nós somos capazes de agir sobre os meios naturais, para criarmos o nosso próprio meio. Assim, além de adaptar-se às condições do meio natural, o ser humano adapta os meios naturais às suas necessidades.

A ação de transformar o ambiente está diretamente relacionada com o desenvolvimento das nossas funções orgânicas e habilidades, que caracterizam a nossa condição humana. Com efeito, podemos concluir que o ser humano é inteiramente responsável pelo impacto catastrófico que vem impondo ao planeta; é autor e vítima das conseqüências nefastas deste caos para a continuidade da vida existencial aqui na Terra.

O ser humano se desenvolveu bastante em ciência, mas regrediu em consciência. Tecnologia como expoente da ciência, sem que a base da potência esteja sobre o substrato da consciência, é o caminho mais curto de se chegar ao caos e à morte da vida sobre a Terra.

O ser humano possui atualmente apenas 3% de seu potencial consciencitivo desenvolvido. Com apenas 3% de consciência, onde os alicerces da essência ecológica se apóiam e convergem os homens para as atitudes de preservação da natureza. Entretanto, os 3% de consciência desperta é muito pouco para percepção holística do cosmo, da beleza do universo, da dinâmica sincronizada do nosso planeta.

Para os seres de consciência, a Terra é bela! É parte de si mesmo, e se encantam com os encantos da natureza telúrica. Os indivíduos de consciência ecológica desenvolvida são altamente sensíveis à beleza cósmica de nosso planeta, possuem uma relação de empatia com a Terra; eles sentem-se parte dela, integrados a ela pelo fio da vida, que congrega os diversos para formar o universo. Os indivíduos com apenas 3% de consciência não possuem uma relação dialógica com a mãe natureza. Estes se acham dono da Terra, não percebem a sua inteireza e agem no sentido de destruí-la, subjugá-la em benefício próprio, etc.

É preciso educar o homem do presente, para subsistir no futuro, de maneira integrada à natureza; para se sentir extensão dela e esta, parte de si mesmo, na mecânica holística do cosmos. É preciso educar o homem do presente, para expandir o seu percentual de consciência ecológica e amar mais, e muito mais a mãe natureza. Inculcar no estudante a idéia de que a nossa luta para mobilização articulada em favor da preservação do planeta Terra, se integra à luta pela própria realização da condição humana sobre a superfície do nosso planeta.

As escolas devem proporcionar uma educação revolucionária aos homens do presente, para que estes atuem concretamente no sentido de conciliar progresso e preservação do planeta, evitando assim uma catástrofe apocalíptica. Nossos alunos devem ser educados com uma didática fundamental, que lhes garanta o exercício da cidadania plena e solidária e a aquisição de um conhecimento transcendental, revestido de valores éticos e morais que lhes garanta a formação de uma consciência ecológica da mecânica holística do planeta Terra, embasada na Psicologia Revolucionária que nos deixou o Dr. Samael Aun Weor, um dos maiores ecologistas de todos os tempos, ao lado de São Francisco de Assis e outros tantos.


A entropia na psique humana

Alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores. Hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?

Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA". Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...

Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Segue o artigo:

A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA - Por Maurício da Silva





Define-se convencionalmente entropia como sendo a quantidade energia de um sistema que não pode ser convertida em trabalho de natureza mecânica, sem comunicação de calor a algum outro corpo, ou sem alteração do volume. A entropia se amplia em todos os processos irreversíveis e permanece constante nos processos reversíveis.

Se tivéssemos desenvolvido tecnologia, ciência e consciência, em pleno segundo milênio, já poderíamos alimentar os famintos, abrigar os sem-teto, os sem-terra, os sem nada, proteger, criar e educar nossos filhos; transmitindo às gerações futuras oportunidades, para que tornassem cidadãos ecológicos, herdeiros e contribuintes da nossa herança humana, biológica e cultural.

“Acredito que a resposta explanatória mais plausível para o cenário que temos diante de nós resida num fenômeno entrópico, de base comportamental e causa política, tanto individual como coletivo. De fato, vivemos um tempo de grande entropia biocultural. Mas o que isso quer dizer?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O ego de cada indivíduo que compõe a sociedade se constitui no canal para atuação do fenômeno da entropia; e esta leva todo universo físico para o equilíbrio estático de energia e matéria, rumo à desestruturação, à degeneração, à dissipação, à estagnação e ao caos, consoante aos princípios termodinâmicos da física.

Erwin Schrödinger, mostrou em 1944, que os seres vivos não resistem a entropia física. E a sociedade humana é composta de Homo sapiens, elemento reino animal, componente do conjunto dos seres vivos.

"Se o atributo humano singular da educabilidade permite melhor compreender o comportamento social da humanidade, o que esperar da sua aplicabilidade na solução de problemas individuais ou coletivos, locais ou globais? Como, por exemplo, lutar contra a tendência política prevalecente no nosso tempo, de escolher sistematicamente o caminho para vencer a entropia biocultural, da miséria da condição humana, da degradação ambiental, manifestos nos quadros de decaimento generalizado do mundo de hoje? Como, enfim, aprimorar o homem, elevar a condição humana e preservar o planeta com desenvolvimento ecologicamente auto-sustentável?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

Precisamos nos educar para viver em meio ao caos, com equilíbrio e serenidade. Temos que nos constituirmos em células positivas do mesocosmos; aqueles, que mesmo em meio à barbárie e ao caos, repensam suas trajetórias para construção de um mundo melhor com um homem de perfil ecológico.

Se educarmos as gerações do futuro com fundamentos na Psicologia Revolucionária, com certeza se abrirá a cada pessoa à possibilidade de autotransformação em direção a escalada luminosa de elevação do nível de seidade. A partir daí poderemos construir uma sociedade dialógica, com uma consciência ecológica desenvolvida, para gerir holisticamente um planeta auto-sustentável.

O combate ao centrifuguismo antropocêntrico com uma educação centrípeta representa a chave capaz de abrir o universo psicológico do homem e apontar caminhos para um mundo ético, social, moral, ecologicamente aceitável e para destruição da entropia biocultural.

"Biologicamente, o homem de hoje é muito semelhante aos seus ancestrais de dez mil, cem mil e até de um milhão de anos atrás. Culturalmente, porém, as diferenças do presente em relação ao passado são tão fantásticas que são auto-evidentes. Mas o que dizer sobre mudanças na natureza psicossocial do homem, diante do quadro de grande entropia biocultural do mundo contemporâneo?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos.

A natureza psicossocial humana pouco ou nada mudou ao longo da nossa trajetória evolucionária como espécie humana, apesar das riquezas materiais acumuladas e de todo o progresso técnico-científico alcançado até agora, e nunca mudará; pois mudanças radicais nesta não são possíveis com evolução e só com revolução da consciência, através dos três fatores que revolucionam a consciência.

Nosso homem saiu do planeta, foi à Lua, quer chegar a Marte, mas ainda não conseguiu sair de uma condição de escravidão e miséria e nunca sairá enquanto persistir o ego, fator que embaça a consciência, engendra os defeitos que causam a violência social e ambiental.

Graças a uma nova percepção sobre a vida e o ambiente da Terra, introduzidos pelas ciências centrípetas nos últimos 50 anos, o homem vem, gradativamente, redescobrindo o holismo univérsico, o todo, a interdependência de cada parte do todo, a transitoriedade e a finitude de todas as coisas do cosmo. "A consciência ecológica começa e termina no indivíduo, mas, passa pelo outro, tornando-se assim social e dialógica. Trata-se de um processo necessariamente ético e estético. Daí o verdadeiro ato educativo - não importa se escolar ou não escolar, formal ou não formal, em qualquer nível, para qualquer idade - ser a autotransformação que ocorre no contexto social da pantransformação”. (José Maria G.).

Devemos nos educar convenientemente para compreender e lutar pela erradicação da entropia biocultural, criar resistência a toda e qualquer forma de desordenação social que represente decaimento na escala de seidade. Pela capacidade do livre arbítrio podemos escolher e até fazer caminhos rumo à educabilidade, e daí, escolhemos e fizemos o mundo que se nos apresenta hoje. Assim, também poderemos fazer no futuro um mundo diferente, onde haja a justiça, a paz, o bem-estar comum, o mutualismo na alteridade e a sustentabilidade planetária.

É por demais sombria a natureza homemoidal dos nossos tempos. Tempos de escândalos de todos os tipos, tempos de violência permanentemente violência à natureza, tempos de caos. A entropia nos arrastou bem para o fundo de poço, onde há obscuridade e desesperança e, daí só sairá aquele que revolucionar a consciência. Isto demanda, do lado iluminado da consciência, constante vigilância, discernimento moral, etc.

Há uma profunda dor em minha alma por causa dos navios de petróleo que derramam no mar, matando os seres vivos; por causa do fogo que queima incessantemente a mata da Amazônia; por conta das crianças que tombam nas escolas, nas ruas, nas casas, que dormem nas calçadas, etc, vitimadas pela violência generalizada, por causa do descaso político e da injustiça social.

A PROIBIÇÃO DE PENSAR

O presente artigo eu recebi do meu amigo Fábio Oliveira (Visite o seu blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/). O artigo é do Prof. Luís Carlos Lopes, autor de diversos livros, entre eles, o "Culto às Mídias". Considerando o momento de alienação em que nossa sociedade vive, fiz algumas adaptações ao texto e penso que reflete bem a situação atual. O que podemos fazer? O direcionamento está ao final desse artigo... mas a resposta precisa ainda não sabemos exatamente ... o que e como fazer? Nem mesmo nossas Instituições de Ensino... apesar das inúmeras alternativas que o "progresso" nos proporciona, não estão preparadas para enfrentar essa dura realidade... ou pior, o modelo está sendo, por elas, retroalimentado. Quais seriam, então, as perspectivas?

Há de se considerar que, no mundo moderno, as possibilidades de esclarecer são infinitamente maiores do que no passado. Todavia, os meios do esclarecimento são os mesmos que servem para produzir descerebrados, pessoas que nada ou pouco reclamam, aceitando o destino como algo inexorável e impossível de mudar.


O título deste artigo foi tomado de empréstimo de Slavoj Zizek, um dos pensadores europeus mais conscientes e merecedores de atenção, por diversas razões. Sua clareza e produtividade espantam a quem está acostumado a estilos obscuros e ilegíveis, ou ainda, a pensamentos circulares que não levam a nada. Nele, os problemas são formulados e as respostas fluem sem medo de errar. Seu senso moral é imbatível, bem como seu compromisso com um pensamento renovado, sem esquecer as longas raízes de uma visão crítica do mundo, nascida no século XIX e desenvolvida, com muitos percalços, no século passado.


Para quem vive no hemisfério sul, a obra do autor esloveno chama à atenção pelo seu universalismo e por sua capacidade crítica de resistir à tentação do eurocentrismo. Não é necessário concordar com ele em tudo. Entretanto, a leitura dos seus livros, fartamente traduzidos ao português, é uma aventura no terreno positivo das provocações intelectuais, demonstrando a validade de idéias e fatos históricos que forças poderosas prefeririam que fossem esquecidos ou permanecessem escondidos. Zizek examina velhas e novas teorias, faz a ligação do passado com o presente e desenvolve propostas que devem irritar profundamente os conservadores antigos e "modernosos" que, porventura, cheguem a ler suas obras.


As sociedades humanas tendem a desenvolver tabus, assuntos que não devem ser discutidos. Em versões mais suaves, discute-se o problema com a superficialidade aceitável pelo poder. Poucos ousam ir mais fundo e trazer à tona a vida que existe nas profundezas dos fatos históricos. No Brasil, isto não se passa de modo diverso. Não pensar virou moda, com o atual desprestígio da crítica escrita e falada. O forte "presentismo" atual tenta afogar quaisquer tentativas de iluminar o passado e mostrar as relações com o que hoje se vive. Também, o presente é tratado como algo que se deva aceitar de modo inelutável. Não se pode discutir seriamente o que já se passou. É, igualmente, proibido falar de modo mais ácido sobre o que está se passando agora.


A forte naturalização dos fenômenos sociais e políticos é moeda corrente nas mídias, sobretudo, nas que dominam o cenário. A publicidade e a propaganda política são, em muitos casos, exercícios radicais do não-pensamento e do culto aos preconceitos e a outras irracionalidades. Seria possível fazer uma lista extensa do que é varrido para debaixo do tapete ou tratado com imensa superficialidade, mesmo que seja assunto abundantemente abordado pelas mídias.


Um exemplo, apenas para ilustrar, é o modo que o crime é tratado pelas grandes mídias. A lógica usada é a mesma dos filmes de ação. Mocinhos e bandidos são exibidos com garbo, nem sempre é claro quem é quem. Não parece estranho, a você leitor, pessoas andando nas ruas das grandes e médias cidades brasileiras e nas suas comunidades pobres portando armas de guerra? Não é ainda mais esquisito o fato de não haver uma guerra para valer, como existe na Colômbia? E o que dizer das balas tracejantes que sobrevoam sua casa, iluminando o céu como fogos de artifício? E os helicópteros com seu imenso ruído e com soldados armados até os dentes? Tudo isto é tratado como coisas absurdamente naturais, com as quais se devem comungar e aceitar com a (in)tranqüilidade possível ou impossível.


Você que chegou até aqui, deve estar pensando em inúmeros assuntos que gostaria de compreender melhor. Coisas que te disseram, mas não te convenceram, a não ser, em um primeiro momento. A intriga funciona assim. Inicialmente convence e mobiliza consciências. Depois, gera uma imensa frustração porque se descobre - quando acontece ou foi possível – o engano e a manipulação. A espiral da intriga tomou de assalto a sociedade brasileira e, com especificidades, o mundo atual. Facilmente, imagina-se que determinado assunto se está plenamente esclarecido. Em seguida, descobre-se que havia elementos antes desconhecidos ou censurados pelo poder de plantão.


O "deserto do real", em uma das expressões bombásticas de Zizek, surge, por vezes, em um átimo. Para nos segundos seguintes, esconder-se atrás da nuvem de preconceitos e irracionalidades que caracterizam as trocas comunicacionais e informacionais do tempo presente. As mídias muito comumente operam este jogo de luzes. As sociedades estão treinadas a aceitá-lo como natural. Afinal, ele é repetido incansavelmente até que acreditem na sua veracidade.


Quase sempre não é agradável ver o real de perto. O escritor esloveno tem razão. Ele é desértico. Suas cores são borradas pela intensa luminosidade que quase cega quem tem a coragem de se aproximar. É mais confortável viver na penumbra, sobretudo, se quase todos a vivem sem problemas como na famosa caverna de Platão. É difícil convencer a muitos que é melhor sair da caverna e ver a luz do Sol. Há quem prefira, como advertiu o velho sábio grego, a escravidão, os grilhões que atavam os habitantes do mesmo local.


A fuga do real é um problema humano, tão antigo como a própria humanidade. Entretanto, ninguém sobrevive, com dignidade, tendo uma vida só de ilusões. Elas não enchem a barriga, não protegem ninguém da natureza e nem da exploração do homem pelo homem. Manter-se indefinidamente nelas significa negar sua própria natureza e a capacidade de qualquer um conhecer e interpretar o mundo. Logo, se está de frente a um paradoxo, talvez insolúvel.


Existem os que escolhem o papel terrível de alienar, de tentar impedir de todo jeito que se possa compreender o que está em volta. Na outra ponta, felizmente, a crítica e os críticos fazem exatamente o contrário, em diversos espaços sociais. No mundo moderno, as possibilidades de esclarecer são infinitamente maiores do que no passado. Todavia, os meios do esclarecimento são os mesmos que servem para produzir descerebrados, pessoas que nada ou pouco reclamam, aceitando o destino como algo inexorável e impossível de mudar. Tudo depende de quem tem a propriedade ou consegue influenciar os meios humanos e técnicos de comunicação.