quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mudanças Climáticas e Crise Ambiental: possibilidades, probabilidades e esperança



*por Maurício Novaes Souza

As notícias dos efeitos das mudanças climáticas estão em toda a imprensa mundial. Isso porque, é sabido, que os impactos da mudança climática pioraram em quase todos os anos desde 1980, de acordo com um estudo divulgado no início de dezembro de 2009, pela Agência Reuters. Foi inspirado no índice de ações Dow Jones e que representa o aquecimento global em números. O novo índice da mudança climática é baseado nas temperaturas do mundo, na extensão do gelo no Ártico no verão, na concentração de dióxido de carbono na atmosfera e no nível dos mares, de acordo com o Programa Internacional Geosfera-Biosfera (IGBP). Para Sybil Seitzinger, diretora-executiva do IGBP, em entrevista coletiva durante a conferência sobre mudanças climáticas da ONU, em Copenhague, o sistema climático está mudando na direção do aquecimento do planeta. Ou seja, vivemos essa realidade e, muito poucos sabem, de fato, o que está acontecendo. Esse artigo tem a intenção de apresentar uma fotografia instantânea do aquecimento global para ajudar na compreensão do que são e são os responsáveis pelas questões climáticas. Muitas respostas ainda não existem, mas a verdade é que o desmatamento continua aumentando, acelera-se a acidez dos oceanos, ou agravam-se a frequência de eventos climáticos extremos.

A cada dia, temos a sensação de que vivemos uma catástrofe nova; ou simplesmente nos perguntamos se já vimos tais cenas degradantes no ano anterior, como no caso das enchentes? Será que elas só acontecem nos dias atuais? De verdade, o planeta Terra conheceu no passado catástrofes naturais, como o fim da época primária, que significou a destruição de 95% das espécies vivas. A novidade é que hoje está a caminho uma catástrofe que é resultante do desenvolvimento humano. Pessoalmente, acho que o aquecimento climático não é o mais importante, ainda que o seja; o problema real é que estamos em um processo combinado de destruição do planeta que nos leva a uma catástrofe geral ou a várias catástrofes combinadas. O desastre, então, anuncia-se. Devemos concluir, então, que não se pode continuar muito tempo por este caminho.

Fica, então, uma pergunta: como mudar? É um problema difícil. Primeiro porque não podemos mudá-lo com uma única decisão pessoal, ou mesmo uma única decisão coletiva; devemos pensar como se processaram as grandes mudanças do passado... Toda grande mudança tem um peso e uma forma que em seu início é muito humilde; pense em Jesus Cristo, em Maomé… Um desvio cria uma tendência e esta tendência pode mudar o caminho… Creio que as denúncias contra a mundialização do capitalismo são boas, mas não basta denunciar, é preciso anunciar. A enunciação não é um programa, é uma ideia mestra. Por exemplo, devemos insistir sobre a qualidade da vida, não sobre a quantidade; é uma boa ideia… Fiz algumas dessas enunciações na minha tese de mestrado e em vários de meus artigos. Qual deverá ser a política da civilização? Sabe-se que precisamos buscar e seguir um novo caminho, ou melhor, é preciso buscar alguns caminhos que sejam sustentáveis.

Na conferência do clima realizada na Dinamarca, no mês de dezembro, falaram do clima de desesperança que pesa sobre nós. Será que a política pode nos tirar este peso? Quem sabe. As velhas gerações têm a sensação de que foram enganadas em sua fé no comunismo, em uma sociedade democrática harmoniosa, civilizada; no progresso como lei da história… Tudo isso se desintegrou e hoje os jovens estão totalmente desorientados… A análise que faço é que há possibilidades, não probabilidades, de esperança. E a esperança não se encontra no coração da desesperança. Hölderlin dizia: “Ali onde cresce o perigo cresce também a salvação”; isso significa que o crescimento do perigo nos remete à consciência do que acontece e nos enuncia o que deve ser feito… Antes da esperança era uma fé; agora é apenas esperança. É muito importante, porque se não houver esperança não haverá projeção no futuro. É muito bom refletirmos sobre esses fatos no início do ano....

Heráclito, famoso filósofo grego, pré-socrático, falava de buscar o inesperado. Então, o que seria o inesperado neste momento? O inesperado é sair desta via mortal que seguimos, buscando novos caminhos. Se buscarmos, encontraremos outra via. Será possível encontrar harmonia? Se a procuramos é porque ela não existe. É claro que há momentos de harmonia no âmbito privado, no amor, quando seu time vence… Pedaços de harmonia: a poesia da vida… Não penso que a política sozinha possa dar a harmonia: a compreensão humana, a solidariedade, depende de nós, e daí virá a harmonia. Tudo há de recomeçar. É algo terrível, mas é também maravilhoso, porque necessitamos de um estímulo. Esta ideia nos ajuda a viver. Eu, particularmente, sou otimista e pessimista. É preciso que tenhamos momentos de grandeza. Dessa forma haverá esperança.

E os intelectuais, a academia, o IFET, o que devem fazer? Creio que hoje o seu papel é mais importante do que no passado. Mas se produziu muito academicismo… Devem colocar sobre a mesa os problemas fundamentais, e não fazê-lo de uma maneira superficial.... O comércio e a indústria poderão contribuir? Certamente que sim. Inicialmente, as empresas, as comunidades, as instituições e os países devem se posicionar claramente em relação ao assunto. O governo brasileiro já conhece o problema das mudanças climáticas e o efeito que terá no clima, na economia e na sociedade brasileira em geral. O passo seguinte é que coordene uma iniciativa que faça frente ao fenômeno, envolvendo toda a sociedade, já que o problema afetará a todos.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET Rio Pomba e Diretor-Geral do IFET São João del-Rei. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.