sábado, 20 de fevereiro de 2010

Crise de percepção e de valores: mudanças climáticas e seus efeitos sócio-ambientais



*por Maurício Novaes Souza

As mudanças climáticas e seus efeitos estão nas notícias de toda a imprensa mundial. Isso porque o seu agravamento se acelerou em quase todos os últimos 30 anos. De fato, o sistema climático está mudando na direção do aquecimento do planeta. Ou seja, vivem-se essa realidade e poucos sabem o que está acontecendo. Esse artigo tem a intenção de apresentar uma fotografia instantânea do aquecimento global para ajudar na compreensão do que são e quem são os responsáveis pelas questões climáticas. Muitas respostas ainda não existem, mas a verdade é que o desmatamento e a poluição continuam aumentando, acelera-se a acidez dos oceanos, e se agravam a frequência de eventos climáticos extremos.

A cada dia, temos a sensação de que vivemos uma catástrofe nova; ou simplesmente nos perguntamos se já vimos tais cenas degradantes no ano anterior, como no caso das enchentes! Será que elas só acontecem nos dias atuais? De fato, o planeta Terra conheceu no passado catástrofes naturais, como o fim da época primária que significou a destruição de 95% das espécies vivas. A novidade é que hoje está a caminho uma catástrofe resultante do acelerado desenvolvimento humano. O consumo excessivo associado ao total descuido é um processo combinado que culminará com a destruição do planeta. Sugere-se que ocorrerá uma catástrofe geral ou várias catástrofes combinadas.

Ou seja, a permanecer como está, o desastre se anuncia. Ficam, então, duas perguntas: o povo, o governo, sabe o que está acontecendo com relação às mudanças climáticas? É possível reverter tal situação? As respostas são ainda imprecisas, mas não se sabe efetivamente como... Mas se tem a certeza que não será fácil. Primeiro porque não se podem mudar os fatos a partir de uma decisão pessoal, ou mesmo de uma “única” decisão coletiva. Sabe-se que toda grande mudança tem um peso e uma forma: por exemplo, as denúncias contra a mundialização do capitalismo são boas, mas não basta denunciar, é preciso anunciar. Há de se considera que a enunciação não é um programa, é uma ideia mestra. Por exemplo, deve-se insistir sobre a qualidade da vida, não sobre a quantidade. Fica outra pergunta: qual deverá ser a política da civilização para se atingir o tão desejado equilíbrio sócio-ambiental? Com certeza, o rumo não é esse que estão se seguindo... Precisam-se buscar e seguir caminhos que sejam sustentáveis.

Na conferência do clima realizada na Dinamarca, no mês de dezembro passado, falaram do clima de desesperança que pesa sobre a humanidade. De fato, vivem-se uma enorme crise de percepção. As empresas/indústrias querem produzir cada vez mais, o sistema financeiro ganhar também cada vez mais, e a população aceita esse modelo com naturalidade – esperam que os políticos façam algo para mudar. Mas será que a política pode reverter tal processo? Será que os políticos têm interesse de que tal processo se reverta? Quem sabe!!! As velhas gerações têm a sensação de que foram enganadas por promessas que anunciavam uma sociedade democrática, harmoniosa, civilizada; no progresso como lei da história. Tudo isso se desintegrou e hoje os jovens estão totalmente alienados e desorientados: de fato, vive-se uma enorme crise de percepção associada a uma maior ainda crise de valores. Como resultado, uma crise sócio-ambiental sem precedentes.

Sabe-se que, historicamente, apenas a política não é capaz de trazer harmonia. É preciso que se tenham momentos de grandeza para que haja esperança. E os intelectuais, a academia, o comércio e a indústria, a comunidade, o que devem fazer? O papel de todos é fundamental. Devem colocar sobre a mesa os problemas fundamentais, e não fazê-lo de maneira superficial como vem sendo feito. Está havendo excesso de postergação. O governo brasileiro já conhece o problema das mudanças climáticas e o efeito que terá no clima, na economia e na sociedade brasileira em geral. O passo seguinte é que coordene uma iniciativa que faça frente ao fenômeno, envolvendo toda a sociedade, já que o problema afetará a todos.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É Diretor Geral do IF SEMG campus São João del-Rei. E-mail: mauricios.novaes@ifsudeste.edu.br.

Mudanças Climáticas: crise de percepção e seus efeitos ambientais



*por Maurício Novaes Souza

As mudanças climáticas e seus efeitos estão nas notícias de toda a imprensa mundial. Isso porque o seu agravamento se acelerou em quase todos os anos desde 1980. De fato, o sistema climático está mudando na direção do aquecimento do planeta. Ou seja, vivemos essa realidade e poucos sabem o que está acontecendo. Esse artigo tem a intenção de apresentar uma fotografia instantânea do aquecimento global para ajudar na compreensão do que são e quem são os responsáveis pelas questões climáticas. Muitas respostas ainda não existem, mas a verdade é que o desmatamento e a poluição continuam aumentando, acelera-se a acidez dos oceanos, e se agravam a frequência de eventos climáticos extremos.

A cada dia, temos a sensação de que vivemos uma catástrofe nova; ou simplesmente nos perguntamos se já vimos tais cenas degradantes no ano anterior, como no caso das enchentes! Será que elas só acontecem nos dias atuais? De verdade, o planeta Terra conheceu no passado catástrofes naturais, como o fim da época primária que significou a destruição de 95% das espécies vivas. A novidade é que hoje está a caminho uma catástrofe resultante do acelerado desenvolvimento humano. Um processo combinado de destruição do planeta que nos leva a uma catástrofe geral ou a várias catástrofes combinadas.

O desastre, então, anuncia-se. Fica, então, uma pergunta: é possível mudar? Ainda não se sabe como, mas não será nada fácil. Primeiro porque não podemos mudar os fatos a partir de uma decisão pessoal, ou mesmo de uma “única” decisão coletiva. Sabemos que toda grande mudança tem um peso e uma forma: por exemplo, as denúncias contra a mundialização do capitalismo são boas, mas não basta denunciar, é preciso anunciar. A enunciação não é um programa, é uma ideia mestra. Por exemplo, devemos insistir sobre a qualidade da vida, não sobre a quantidade. Qual deverá ser a política da civilização? Com certeza precisamos buscar e seguir caminhos que sejam sustentáveis.

Na conferência do clima realizada na Dinamarca, no mês de dezembro, falaram do clima de desesperança que pesa sobre nós. De fato, vivemos uma enorme crise de percepção. Dessa forma, será que a política pode nos tirar este peso? Quem sabe!!! As velhas gerações têm a sensação de que foram enganadas em promessas que anunciavam uma sociedade democrática, harmoniosa, civilizada; no progresso como lei da história… Tudo isso se desintegrou e hoje os jovens estão totalmente desorientados.

Não penso que a política sozinha possa dar a harmonia. É preciso que tenhamos momentos de grandeza para que haja esperança. E os intelectuais, a academia, o IF SEMG, o comércio e a indústria, a comunidade, o que devem fazer? O papel de todos é fundamental. Devem colocar sobre a mesa os problemas fundamentais, e não fazê-lo de maneira superficial. O governo brasileiro já conhece o problema das mudanças climáticas e o efeito que terá no clima, na economia e na sociedade brasileira em geral. O passo seguinte é que coordene uma iniciativa que faça frente ao fenômeno, envolvendo toda a sociedade, já que o problema afetará a todos.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É Diretor Geral do IF SEMG campus São João del-Rei. E-mail: mauricios.novaes@ifsudeste.edu.br.
PUBLICADO: FOLHA DAS VERTENTES, 19-02-2010.

Irrigação e suas tendências - ENTREVISTA a CPT

ENTREVISTA FEITA POR: RIVÂNIA (CPT)

ENTREVISTADO: Maurício Novaes Souza

FORMAÇÃO PROFISSIONAL: Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo (UFV).

PROFISSÃO: Professor e atualmente Diretor Geral do IF SEMG campus São João Del Rei

INSTITUIÇÃO QUE TRABALHA: IF SEMG (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas)

ASSUNTO: Irrigação e suas tendências

1. Qual a sua opinião sobre a irrigação atualmente em Minas Gerais e no Brasil?
De acordo com CHRISTOFIDIS (2002), o Brasil possui a segunda maior área potencialmente irrigável do mundo, com aproximadamente 55 milhões de hectares, sendo 30 milhões de terras baixas de várzeas e 25 milhões de terras altas. Apesar deste grande potencial de área irrigável, apenas uma pequena parcela é dedicada a este tipo de agricultura. No ano de 2001, o total da área irrigada em uso no Brasil era de 3,159 milhões de hectares e o Estado de Minas Gerais respondeu por aproximadamente 10% desse valor (314 mil hectares), representando apenas 13% do total de áreas identificadas como aptas para irrigação no Estado.
Dados mais recentes, do Censo agropecuário de 2006, mostraram que 6,3% dos estabelecimentos declararam utilizar a técnica da irrigação, em todo o Brasil. Esse número representa um aumento de 39% no número de estabelecimentos agropecuários que a praticam, em relação ao Censo anterior, apontando um aumento de 1,3 milhão de hectares na área irrigada (aumento de 42%). Em 2006, a área irrigada compreendia 4,45 milhões de ha (7,4% da área total em lavouras temporárias e permanentes), com a seguinte distribuição: 24% da área irrigada no método de inundação; 5,7% por sulcos; 18% sob pivô central; 35% em outros métodos de aspersão; 7,3% com métodos localizados; e 8,3% com outros métodos (molhação).
Dados desse último Censo (2006) mostram que Minas Gerais é o estado com maior número de estabelecimentos (48,39 mil) utilizando alguma técnica de irrigação. Quanto à fonte da água, 74,8% declararam utilizar fontes do próprio estabelecimento (69,5% da área total irrigada); 15,5% declararam utilizar fontes de fora do estabelecimento bombeadas com equipamento próprio (28,4% da área); e 7,1% obtida de terceiros por intermédio de projetos particulares ou comunitários de irrigação (6,3% da área).
Ou seja, a atividade está em plena expansão em Minas Gerais e em todo o Brasil; porém ainda apresenta um sério problema: poucos são os produtores que têm um plano de manejo estabelecido. Tal realidade aumenta os riscos da ocorrência de impactos ambientais associados a essa atividade.


2. O que se torna mais importante a partir do momento em que se decide irrigar um cultivo ou uma pastagem?
Vive-se nos dias atuais o agravamento da instabilidade climática, com conseqüências diretas na distribuição das chuvas, associada a uma constante redução dos recursos naturais. Tal fato tem levado a grande maioria dos produtores, mesmo de regiões onde os níveis de precipitação são elevados e com distribuição uniforme, a adotarem a irrigação como tecnologia indispensável ao sistema produtivo das culturas.
A escolha do sistema de irrigação é fundamental a partir do momento que se decide irrigar um cultivo ou uma pastagem. Por diversas questões, tal escolha tem sido um dos grandes problemas do produtor, dada à variedade de sistemas existentes no mercado e dado a necessidade de se maximizar a produtividade da cultura. De modo geral, sob o ponto de vista da irrigação, seguindo as orientações do maior especialista em manejo de irrigação do Brasil, Prof. Everardo Mantovani, ao iniciar-se um projeto se deve ter em mente: aumentar a produção, economizar trabalho e água, e minimizar a deterioração da estrutura do solo e a perda de nutrientes – trata-se de manejo da irrigação: esse é o ponto ao qual o produtor deverá dar maior atenção. Agindo dessa forma, e sob o ponto de vista da fisiologia, na escolha de um sistema de irrigação mais adequado, será maximizado o uso dos recursos disponíveis, promovendo, com isso, crescimento, desenvolvimento e produção otimizada das culturas.

3. O que é indispensável na elaboração de um projeto de irrigação?
A atividade de irrigação no Brasil, e em todo mundo, está associada a uma série de impactos ambientais. Como medidas mitigadoras desses impactos ambientais, além do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), algumas ações de caráter técnico do projeto de engenharia e manejo podem ser recomendadas, de acordo com a ABIMAQ (2002) e MANTOVANI et al. (2006):
· Equipamentos: devem ser projetados e fabricados de forma a atender às normas de qualidade, além de serem adaptados às condições brasileiras.
· Dimensionamento dos sistemas de irrigação: devem estar adequados às necessidades da cultura e às condições da propriedade.
· Manejo da água: deve ser realizado racionalmente, atendendo as necessidades da cultura e às limitações do solo da propriedade.
· Operação dos equipamentos: deve atender às especificações de projeto, e às técnicas de cultivo devem ser apropriadas à lavoura irrigada.
Seguindo essas recomendações na elaboração de um projeto, fica evidente que o conhecimento técnico do projeto e uma avaliação prévia dos impactos ambientais podem reduzir ou, mesmo, evitar o seu aparecimento.

4. Qual sistema de irrigação você acha mais indicado, quando se deseja visar economia e menor impacto ambiental?
Os métodos de irrigação estão divididos em irrigação por superfície, por aspersão e localizada. Neste último, a irrigação localizada, estão incluídos os sistemas mais recentes de irrigação onde a água é aplicada próxima à região radicular, em pequena intensidade e alta freqüência (diariamente). Apresenta elevado potencial de uso eficiente da água e de produtividade, com grande expansão em todo o Brasil. É, sem dúvida, o método onde são encontrados os sistemas de irrigação (gotejamento e microaspersão) capazes de proporcionarem a maior economia do uso da água com menores impactos ambientais.

5. Você concorda com a frase: “A irrigação pode ser a solução para o aumento da produção de alimentos, visto que está previsto uma escassez devido ao aumento significativo da população”.
Tem-se verificado, a partir da década de 1960, em função dos modelos de crescimento e desenvolvimento implementados, que a água, matéria-prima da atividade irrigação, vem se tornando um fator cada vez mais crítico para o desenvolvimento econômico e social de longo prazo, bem como para a sustentabilidade ambiental. Enormes parcelas dos povos de muitos países não têm acesso à água limpa e a água contaminada tem sido a responsável, a cada ano, por milhões de mortes que poderiam ser evitadas.
Por este motivo, os países, as grandes organizações, as instituições financeiras mundiais, os pesquisadores, os técnicos, os produtores, enfim, todos aqueles envolvidos com os sistemas produtivos, defrontam-se nos dias atuais com dois dos mais importantes desafios para a humanidade: a) o uso eficiente dos recursos na produção de alimentos - existe uma crescente consciência que o aumento da produção de alimentos deve estar associado a uma preocupação constante com o uso racional dos recursos tais como terra, água, energia e agroquímicos; e b) o segundo desafio consiste em atender a tal demanda de forma sustentável, ou seja, aumentar a produtividade, preocupando-se com a conservação dos recursos naturais.
Dessa forma, considerando os aumentos de produtividade na produção de alimentos, a agricultura irrigada tem sido e será a mais importante estratégia para otimização da produção mundial de alimentos, gerando desenvolvimento sustentável no campo, com geração de empregos e renda de forma estável. Há de se considerar que, ainda de acordo com MANTOVANI et al. (2006), atualmente, mais da metade da população mundial depende de alimentos produzidos em áreas irrigadas.


6. Qual a tendência da irrigação?
Recentemente defendi a minha tese de doutorado no Departamento de Engenharia Agrícola da UFV, tendo como orientador o Prof. Everardo Mantovani. Nesse trabalho, foi possível diagnosticar que o Brasil, apesar de liderar o mundo com seu Plano Nacional de Recursos Hídricos, as preocupações continuam sendo a construção de barragens; a vulnerabilidade das áreas de mananciais de abastecimento público; o desmatamento nas áreas de mananciais; o lançamento de esgoto diretamente nos corpos hídricos; a agricultura mal planejada; o desperdício; a crescente demanda gerada por ocupações irregulares nas grandes cidades; e a precariedade do controle dos órgãos ambientais sobre o uso da água.
Diante do problema global da escassez e da poluição das águas, o Brasil precisa aprender com os erros cometidos em outros países. Temos a oportunidade de escolher um rumo mais sustentável. Essa preocupação, entretanto, ainda passa longe da agenda dos políticos brasileiros. É necessário ter a capacidade de juntar um quebra-cabeça que é complexo e, onde seja possível, conservar os recursos naturais, combater e mitigar os impactos das mudanças climáticas, tudo em harmonia com as necessidades de crescimento econômico e geração de emprego no País.
Por esse motivo, impõe-se a necessidade de esforço conjunto, não apenas nas atividades de irrigação, mas no uso geral dos recursos hídricos, para: a) aumentar a capacidade de predição e prognóstico, por meio da integração contínua da ciência interdisciplinar; e b) praticar o planejamento e gerenciamento na área de recursos hídricos. Ou seja, a irrigação deverá adotar a gestão estratégica, que deve ser sistêmica, preditiva e adaptativa, com igual ênfase em medidas estruturais e não estruturais. A sua gestão, que de fato será a gestão das águas, deverá ser aperfeiçoada com os instrumentos legais disponíveis e o conjunto de ações para proteção, recuperação e conservação de águas superficiais e subterrâneas, que incluem instrumentos legislativos e sistemas de taxação e incentivos adequados. Por exemplo, os produtores que tiverem um bom plano de manejo deverão receber privilégios ou algum outro tipo de subsídio.

7. Deixe algumas dicas para se realizar um bom manejo na irrigação tornando-a mais eficiente e rentável?
É importante esclarecer que o uso da água para a atividade de irrigação é consuntivo, ou seja, a água não retorna ao rio após ser levada até as culturas – pelo menos, parte dela. Há de se considerar, ainda, a combinação de mudanças climáticas, secas e perda de áreas úmidas – que acumulam grande volume de água –, ao lado de infra-estruturas inadequadas para a água e a má gestão dos recursos hídricos, estão “globalizando” a crise relativa aos recursos hídricos - tanto em quantidade como em qualidade.
Nesse caso, considerando a atividade de irrigação, deve-se buscar o equilíbrio entre o “ideal” e o “possível”. Tal equilíbrio ocorrerá, de acordo com MANTOVANI et al. (2006), quando se implementam estratégias de uso racional da água na agricultura irrigada, que permitam SUSTENTABILIDADE. Tais conceitos exigem medidas ou ações fora da “porteira” e ações dentro da “porteira”.
Segundo esse mesmo autor, como ações fora da “porteira”, destaca-se a organização do processo da utilização da água no Brasil que vise cuidar dos interesses da sociedade como um todo, o que pode ser descrito como a implementação de forma adequada à Lei de Recursos Hídricos (Lei 9433/97), que prevê diversas ações, por exemplo; a criação dos Comitês de Bacia; exigência de autorização para utilização (outorga), definindo valor econômico para água, entre outras medidas. Nas ações dentro da “porteira”, entram a utilização correta dos conceitos de engenharia e manejo da irrigação, possibilitando a escolha, implantação e manejo adequado dos sistemas de irrigação.
O uso da modelagem (como o programa STELLA, usado recentemente em minha tese de doutorado), e programas de manejo da irrigação, como o IRRIPLUS, são ferramentas de auxílio ao manejo eficiente da irrigação. Há de se considerar, que a implantação de Sistemas de Gestão Ambiental e o trabalho em Educação Ambiental, são, certamente, a melhor alternativa que os produtores dispõem para almejarem um futuro mais promissor.
Do ponto de vista macro, governamental, é fundamental que deixem de ser seduzidos por mega-estruturas, como grandes barragens, sem adequadamente considerar se tais projetos irão de fato suprir as necessidades ou impingir custos humanos e naturais. Faz-se fundamental mudar práticas de irrigação e identificar as soluções mais adequadas aos requerimentos de conservação do solo e da água, relativos ao Desenvolvimento Sustentável local, aos aspectos ambientais e as necessidades ecológicas e sócio-econômicas e políticas regionais.