Crescimento urbano e a sustentabilidade


* Maurício Novaes Souza


O consumo de energia elétrica no Brasil em agosto de 2010 cresceu 7,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no acumulado de janeiro a agosto de 2010, o consumo aumentou 9,2% na comparação com o mesmo período de 2009. Segundo a EPE, esse resultado foi fortemente influenciado pelo consumo industrial, cujo desempenho, de 9,5% em agosto de 2010, na comparação com agosto de 2009, foi responsável por 4,2 pontos percentuais da taxa global. Para a EPE, segundo informações disponíveis na Agência Brasil, o resultado desse setor pode ser avaliado como “uma consequência natural das condições favoráveis de crédito e massa salarial, que impulsionam as atividades de comércio e de serviços”.

Essa notícia tem duas vertentes: uma positiva, outra negativa. Do ponto de vista econômico, significa que está havendo crescimento, geração de empregos e melhoria na renda; ou seja, notícia boa para todo empresário. Contudo, do ponto de vista ambiental, nem sempre tal crescimento faz com que as cidades apresentem boa qualidade de vida. Isso porque o rápido crescimento urbano, muitas vezes de forma descontrolada como vem acontecendo na maioria dos países em desenvolvimento, quase sempre vem associado à poluição e degradação socioambiental. De acordo com Cezar Taurion, economista e gerente de Novas Tecnologias da IBM, em artigo publicado na Envolverde, o tema “Cidades Inteligentes” vem despertando atenção recentemente. É importante reconhecer a crescente influência das cidades em nossa sociedade, posto que são os locais onde a maioria da população do planeta reside e, segundo dados da ONU, em 2050 deverão ser cerca de 70%. É nas cidades que nasce a maioria das descobertas e inovações científicas, onde as decisões políticas e econômicas são tomadas.

Dessa forma, para esse autor, para enfrentar o desafio de se tornarem mais humanas, as cidades precisam conciliar seu crescimento se redesenhando, criando ambientes mais seguros, sustentáveis e melhores para se viver. A tecnologia tem um papel fundamental neste contexto. É essencial criar uma relação entre os elementos tradicionais que compõem uma cidade com as novas tecnologias. Será preciso repensar um novo modelo econômico, que seja mais sustentável no longo prazo e menos dissipador de recursos naturais. Precisam-se rever os processos de gestão das cidades, considerando que as tecnologias poderão impactar de forma significativa a vida urbana, criando cenários de mudanças, nem sempre rapidamente compreendidas ou absorvidas.

É preciso redesenhar as cidades para que elas se tornem mais inteligentes, aglutinando esforços e conhecimentos diversos, como arquitetura, planejamento urbano, engenharia e profissionais de TI (Tecnologia da Informação) de modo que unam o mundo tradicional da TI com o mundo das tecnologias operacionais, que são as tecnologias embarcadas em elevadores, sensores, rodovias, pontes e semáforos. A tecnologia e os sistemas que compõem a cidade deverão estar cada vez mais interconectados e não poderão viver isoladamente. Com uso de tecnologias, podem-se repensar os atuais paradigmas de transporte público, segurança, saúde, energia, entre outros. As cidades deverão ser mais ágeis e menos burocráticas em seus processos. Segundo Taurion, as tecnologias atuais já nos permitem implementar algumas aplicações, tais como:

· Monitoramento remoto de elevadores, detectando problemas antes de acontecerem e promovendo a manutenção preventiva;

· Controle do posicionamento em tempo real de ônibus, caminhões, viaturas policiais, bombeiros e ambulâncias;

· Monitoramento em tempo real da segurança em prédios e vias públicas;

· Medidores eletrônicos que permitem controlar consumo de energia em tempo real;

· Sinalização de semáforos controlada automaticamente, ajustando-se em tempo real ao próprio fluxo de veículos;

· Prevenção e controle de emergências, como enchentes, deslizamentos e incêndios;

· Controle em tempo real da poluição do ar;

· Monitoramento em tempo real de construções como pontes e viadutos, detectando problemas estruturais antes que eles aconteçam.

Nos dias atuais, o mundo deverá passar por uma mudança de paradigmas. A criação de “Cidades Inteligentes” passa por visualização de cenários futuros, onde será fundamental que surjam ações de gestores públicos, empresas, centros de pesquisas e instituições diversas, para que busquem adaptar suas realidades às práticas de experiências bem sucedidas em todo o mundo. Soluções tecnológicas já existem para quase todos os tipos de problema; portanto, a busca desse novo modelo de cidade trata-se de uma questão de prioridade, de atitude, de iniciativa política. Será que nossos prefeitos e administradores públicos estão preparados para esse desafio?


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental, e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IF Sudeste MG campus Rio Pomba e Diretor geral do IF Sudeste MG campus São João del-Rei. Blog: www.mauriciosnovaes.blogspot.com.

Comentários

Anônimo disse…
Exelente !!! Parabens !

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