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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

Hidrelétricas: energia limpa?

* Maurício Novaes Souza

O Brasil explora seu potencial hidrelétrico como fonte principal de geração de energia elétrica. O modelo adotado foi estabelecido a partir de projetos de grandes barramentos e construção de extensas linhas de transmissão, consolidando-se no final dos anos 1980. No entanto, diante da necessidade de adequação dos conceitos de energia “limpa e renovável” aos indicadores de sustentabilidade mais atualizados, há que se rediscutir a matriz energética do país e estabelecer estratégias para o desenvolvimento do setor energético.
A última grande crise do setor de energia, em 2001, deveria ter tido efeito didático mais contundente, visto que foi na tentativa de solucionar tempestivamente o problema que se lançou mão de um dos mais eficientes mecanismos de gestão de demanda de que se tem notícia no país: a sobretaxação do consumo abusivo, de maneira progressiva, e o incentivo à racionalização por meio de bonificação por economia de energia. Infeli…

Desafios ambientais do governo da Presidente Dilma

* Por Mauricio Novaes Souza

A presidenta Dilma Rousseff disse em seu discurso de posse que o Brasil será um dos campeões mundiais de energia limpa e de crescimento sustentável. Considerou a preservação do meio ambiente como um dos compromissos centrais do governo que se inicia e afirmou que considera uma missão sagrada mostrar ao mundo que é possível um país crescer sem destruir o meio ambiente. Afirmou, ainda, que o Brasil continuará priorizando a preservação de suas imensas florestas.
Será mesmo? Antes das eleições, em dezembro de 2009, o presidente Lula levou Dilma para a COP 15 (convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) que reuniu líderes mundiais para debater as mudanças climáticas). Na avaliação do vereador de Porto Alegre Beto Moesch, que tem forte atuação na questão ambiental, a participação de Dilma na conferência foi meramente eleitoreira, tendo ofuscado a presença do Ministro Carlos Minc, elaborador das políticas públicas do Ministério. O parlam…

Sustentabilidade das organizações: gestão ética e responsabilidade social

* Por Maurício Novaes Souza1, Maria Angélica Alves da Silva2 e Gabriela Alves de Novaes3

O dilema entre desenvolvimento econômico e preservação/conservação da natureza é tema de discussões no país há tempos remotos. Em períodos recentes, permanece a dificuldade de se fazer uma parceria Estado/Sociedade para uma solução equilibrada. De acordo com José Luiz de Andrade Franco, da Universidade de Brasília, autor de Proteção à natureza e identidade nacional no Brasil (FIOCRUZ), “No Brasil há um padrão histórico: as preocupações com o meio ambiente, em geral, resultaram da atuação de grupos de cientistas, intelectuais e funcionários públicos que, por meio de suas inserções no Executivo, procuraram influenciar as decisões dos governantes em favor da valorização da natureza”. Em função dessa situação, o andamento das políticas de proteção à natureza sempre dependeu mais de ligações com governos e apenas secundariamente do eco que as pessoas preocupadas com as questões ambientais alcançam na s…

A época do horror econômico e socioambiental

* Por Maurício Novaes Souza1 e Maria Angélica Alves da Silva2

Não havia preocupação com as questões ambientais durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde”. Isso porque os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. Com o crescimento acelerado e desordenado da produção e da população humana mundiais, que resultaram na aceleração dos impactos e degradação ambientais, o resultado que se tem é a escassez dos recursos naturais. Surge então, recentemente, o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e perceber a importância da reformulação de suas práticas ambientais.
Cabe considerar o conceito “Limites do Crescimento”, onde se avaliou que a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do …

Opulência e miséria: causas e consequências da degradação sócio-ambiental

* Por Maurício Novaes Souza

O relatório "Previsões sobre a População Mundial 2006", do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, adverte que a população mundial aumentará 37,3% até 2050, passando dos atuais 6,7 bilhões de habitantes para 9,2 bilhões (2,5 bilhões a mais). Segundo os peritos da ONU, a previsão do aumento total da população mundial para a metade do século equivale à população mundial de 1950. Este aumento será absorvido, na sua maioria, pelos países em desenvolvimento, que devem passar de 5,4 bilhões de habitantes em 2007 para 7,9 bilhões de habitantes em 2050. Tal crescimento preocupa em termos de trabalho e de produção de alimentos que garantam a segurança alimentar.
Prevê-se que os Impactos e externalidades ambientais serão incalculáveis. Um artigo publicado na Folha Online (22/01/2008) discutiu o dano ambiental que ações de países desenvolvidos causaram aos países em desenvolvimento. Afirma, um grupo de ecólogos e economista…

O especialista em agroecologia como produtor e gestor ambiental

* Por Maurício Novaes Souza1 e Márcio Soares Santos2

O desenvolvimento rural no Brasil ficou, ou ainda é centrado, salvo algumas exceções, em pesquisas agropecuárias voltadas para um modo de produção dissociado dos princípios e dos conhecimentos da ecologia - isto explica o porquê da elevada degradação ambiental. Paralelamente, nas políticas ambientais, tem-se desenvolvido mecanismos de conservação de ecossistemas naturais, contudo dissociando-os de modelos que elaborem projetos de utilização social dos recursos naturais. Dessa forma, nem as pesquisas agropecuárias, nem as políticas ambientais, atribuem maior conceito de conservação e de reprodução das condições ecológicas nos sistemas produtivos.
Mediante a esse fato, observa-se que a nossa situação em relação ao meio é de extrema vulnerabilidade, posto que se possuem cerca de 45% da superfícies de nossos ecossistemas ocupados pelo sistemas agropecuários. Esta enorme ocupação territorial da agricultura/pecuári…

A insustentabilidade e os descaminhos do consumismo revelados em o “Estado do Mundo”

* Por Maurício Novaes Souza1 e Maria Angélica Alves da Silva2
Em um artigo recentemente intitulado “Um novo mercado e a necessária formação de gestores ambientais”, apontamos a urgente e necessária formação de profissionais com perfil diferenciado daqueles que atualmente são formados pela maioria das Instituições de Ensino, em todo o mundo. Recentemente, o Instituto AKATU pelo Consumo Consciente lançou a versão em português do relatório “Estado do Mundo – 2010”, uma das mais importantes publicações periódicas mundiais sobre sustentabilidade. O livro, produzido pelo World Watch Institute (WWI) – organização com sede em Washington (EUA), traz anualmente um balanço com números atualizados e reflexões sobre as questões ambientais. Neste ano, o tema é “Transformando Culturas – do Consumismo à Sustentabilidade” e aborda as mudanças no consumo, sob a ótica da economia, negócios, educação, mídia e movimentos sociais.
Segundo dados do referido relatório, na última década …

A economia e os limites do crescimento

* Por Maurício Novaes Souza

Nos últimos dois anos, a preocupação está voltada para a crise financeira americana, que trouxe reflexos na economia de todos os países do Planeta. Contudo, a questão ambiental, que deveria ser a prioridade posto ser a fonte de todos os recursos utilizados nos processos produtivos, vem sendo relegada ao segundo plano. Na prática, o antigo discurso da necessidade de crescimento econômico para a geração de emprego e renda acaba prevalecendo. Ou seja, continua vigorando a visão imediatista, de curtíssimo prazo, cujos resultados finais são conhecidos e previsíveis. De fato, a economia global está perdendo mais dinheiro com a destruição dos recursos naturais do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo financiado pela União Européia.
Segundo dados dessa pesquisa, intitulada “A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade”, calcula-se que os desperdícios anuais, apenas com o desmatamento, variam de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O núm…

O Consumo e o Desenvolvimento Insustentável: é possível mudar?

* Por Maurício Novaes Souza1, Maria Angélica Alves da Silva2 e Gabriela Alves de Novaes3

O Mundo caminha para o crescimento deseconômico. Tal afirmativa se fundamenta em face da generalizada convicção de que o crescimento econômico será a solução para todos os grandes problemas associados aos males econômicos do mundo moderno. Contudo, com um mínimo de bom senso, essas falácias nos soam como uma “heresia”. Vejamos algumas assertivas: Acabar com a pobreza? Para alguns, bastaria fazer a economia crescer, por meio do aumento da produção de bens e serviços, estimular os gastos dos consumidores, e o resultado seria a propagação da riqueza na sociedade. Para outros, reduzir o desemprego bastaria simplesmente intensificar a demanda por bens e serviços, baixar as taxas de juros e estimular os investimentos. Para outro grupo, controlar o crescimento populacional bastaria fomentar o crescimento econômico e confiar em que a transição demográfica resultante restrinja as taxas de nascim…