sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Expansão das redes de esgoto não acompanha crescimento da população


As políticas públicas de saneamento básico, sobretudo as voltadas à implantação e ampliação de redes coletoras de esgotos, não conseguiram, na última década, acompanhar o crescimento demográfico da população brasileira nas áreas urbanas. A falta de sistemas de esgotamento sanitário atinge quase metade (44,8%) dos municípios brasileiros. A Região Norte é a que apresenta a situação mais grave. Apenas 3,5% dos domicílios de 13% dos municípios da região têm acesso à rede coletora de esgoto.

A informação faz parte do Atlas do Saneamento 2011 do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta quarta-feira (19), com base na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008. A pesquisa aponta que, dos serviços de saneamento, o esgotamento sanitário é o que apresenta menor abrangência municipal. Em 2008, 68,8% do esgoto coletado no país recebeu tratamento. Essa quantidade, porém , foi processada por apenas 28,5% dos municípios brasileiros, confirmando acentuadas diferenças regionais. Enquanto 78,4% das cidades paulistas ofertam sistemas de coleta e tratamento de esgotos à população, no Maranhão esse percentual é só 1,4%.

São Paulo é o único estado em que quase todos os municípios aparecem providos de rede coletora de esgoto, com exceção de Itapura (no noroeste do estado). Acre, Amazonas, Alagoas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentam taxa inferior a 50% de municípios assistidos.

A maioria dos municípios sem sistema está em áreas rurais e tem população dispersa, menos de 80 habitantes por quilômetro quadrado. Nesses locais, os dejetos são jogados em fossas sépticas, valas a céu aberto, fossas rudimentares ou diretamente em rios, lagoas, riachos ou no mar.

(Fonte: Flávia Villela/ Agência Brasil). AMBIENTEBRASIL.

Desperdício de água tratada pode chegar a 50% nas grandes cidades só com vazamentos da rede


Em função de vazamentos, grande volume de água se perde no Brasil entre a captação e a torneira do consumidor, principalmente nas grandes cidades. De acordo com dados do Atlas do Saneamento 2011, divulgado nesta quarta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis em cada dez municípios com mais de 100 mil habitantes apresentam perdas entre 20% e 50% do volume de água captada. Nas cidades com população inferior, a perda fica em torno de 20%.

Segundo Daniela dos Santos Barreto, uma das pesquisadoras do projeto, esse é um problema grave que pode ser ainda maior. “Em tempos de escassez de água, essas perdas são um problema sério, causadas por vários fatores como insuficiência do sistema, redes antigas e sem manutenção adequada, além de furtos de água. Com tudo isso, o volume que se perde é até difícil de ser mensurado pelas operadoras e pode ser ainda maior.

O Atlas revela, ainda, que a água fornecida à população brasileira pela rede geral é obtida, sobretudo, pela captação em poços profundos – como ocorre em 64,1% dos municípios brasileiros – e pela captação superficial (56,7%). A água também pode ser obtida por meio de captação em poço raso ou via adutora de água bruta ou adutora de água tratada provenientes de outro distrito ou município.

Em 2008, em todas as regiões do país, a água disponibilizada à população por meio de rede geral recebeu algum tipo de tratamento. Na Região Norte, entretanto, o avanço alcançado no percentual de água tratada distribuída à população, que passou de 67,6%, em 2000, para 74,3%, em 2008, não foi suficiente para que a região se aproximasse dos índices nacionais. Isso porque a quantidade de água que não recebe nenhum tipo de tratamento, 25,6% de toda a água distribuída à população, ainda permanece bem acima dos 7,1% que representam a média nacional.

Nas demais regiões, mais de 90% da água distribuída recebem algum tipo de tratamento. A Região Sul, por sua vez, teve um incremento de 10% no volume de água distribuída à população, porém, não teve um acompanhamento no percentual de água tratada.

O estudo mostra que 78% dos municípios brasileiros investem em melhorias na rede de distribuição de água e a Região Sul é a que apresenta o maior percentual de municípios que se incluem nessa situação (86,4%), de investir em melhorias nesse serviço público. Outra parte do processo de abastecimento que vem recebendo grande investimento por parte da maioria dos municípios (67,8%) é o das ligações prediais.

Além disso, estão sendo feitas, em menor escala, melhorias na captação (49,5% dos municípios); no tratamento (43,7%); na reservação (36,1%) e na adução (19,9% dos municípios brasileiros).

(Fonte: Flávia Villela/ Agência Brasil).AMBIENTEBRASIL.

domingo, 16 de outubro de 2011

Crescimento da população deve levar a crise da água


*Vanessa Pereira de Abreu

Introdução

Estamos acostumados a pensar na água como um recurso inesgotável. Nada mais falso. Os recursos hídricos, ainda que renováveis, são limitados. Dos 70% da água que compõem o planeta Terra, apenas 2,5% é doce. E mais, desta porcentagem apenas 0,4% estão em lagos, rios, ou seja, disponíveis para as pessoas usarem. Diante desse cenário a Organização das Nações Unidas, ONU (2006), estima que até 2050 mais de 45% da população mundial não terá acesso a água potável. O alerta das Nações Unidas é corroborado por outro dado: é a primeira vez na história, que a maior parte das pessoas está vivendo em cidades. E a população está crescendo mais rápido do que a capacidade de adaptar a infra-estrutura urbana (MARIUZZO, 2011).

Segundo esta mesma autora, há evidências crescentes de que o setor da água também será significativamente afetado pelas mudanças no clima, nomeadamente através do impacto das inundações, secas e outros eventos extremos. De acordo com estudos da UN Water, órgão da ONU que trata de questões relacionadas à água doce e saneamento, são esperadas mudanças tanto em quantidade e qualidade. O aquecimento global e seus efeitos no clima do planeta Terra poderão interromper com maior frequência os serviços de abastecimento, além de aumentar o custo de água e serviços de águas residuais.

Além da importância de fornecer água de qualidade para atender as necessidades básicas da população, toda atividade industrial e agrícola depende desse recurso. De toda água que consumimos apenas 10% destina-se para uso humano, 70% vai para a agricultura e 20% é utilizada pela indústria. Portanto, os impactos econômicos da escassez de água podem ser mais graves do que imaginamos (HAUSHAHN, 2011).

Desenvolvimento

A água doce é essencial para a humanidade, mas a maioria das pessoas não se dá conta de que o aumento da população mundial, e, portanto das atividades agrícolas e industriais, está reduzindo a qualidade desse recurso e tornando-o mais escasso em algumas regiões. O problema já é uma realidade em vários locais do planeta, preocupando cientistas e autoridades públicas e levando à adoção de medidas que evitem o desperdício ou a degradação das reservas hídricas. Leis mais sensíveis à importância dessa questão e a conscientização de cada indivíduo de que essa ameaça envolve a todos são os primeiros passos na busca de um uso mais sustentado da água na Terra (BRANDIMARTE, 1999).

São inúmeros os impactos de origem humana que degradam a água e modificam sua qualidade, com efeitos tanto diretos quanto indiretos sobre os corpos d’água. Entre os efeitos diretos destaca-se a introdução nos ambientes aquáticos de substâncias estranhas que, além de tornarem a água imprópria para utilização pelo homem, afetam negativamente a flora e fauna aquáticas. Entre os impactos indiretos está a retirada da vegetação existente nas margens, que leva à erosão nos locais desmatados e à entrada, no corpo d’água, de material inorgânico do solo. As alterações ambientais provocadas por esse material afetam os organismos que ali vivem, afirma essa mesma autora.

Cada pessoa deve ter acesso a quantidades suficientes de água potável e saneamento adequado. Essas necessidades básicas precisam ser atendidas da maneira mais equitativa possível, sem afetar adversamente a segurança ambiental. O manejo de recursos hídricos deve ser um processo que promova o desenvolvimento coordenado da água, solo e recursos relacionados, visando maximizar o bem estar social e econômico resultando de uma maneira eqüitativa e sem comprometer a sustentabilidade dos ecossistemas vitais (PEREIRA, 2005).

Seja qual for o motivo do mau uso, a diminuição dos estoques de água e/ou a degradação desse recurso interferem nos organismos que vivem no ambiente aquático e ainda nos elementos de ecossistemas terrestres com os quais esses organismos mantêm relações. O homem também sofre as conseqüências de suas próprias atitudes. Ao gastar muita água, despejar rejeitos domésticos e industriais em corpos d’água e desmatar suas margens, entre outras ações, pode deixar de ter esse recurso em quantidade e/ou qualidade adequadas para seu uso. Os impactos humanos sobre os ambientes aquáticos têm reflexos negativos em todas as atividades que utilizam água. No caso da agricultura irrigada, por exemplo, a iminente escassez do recurso ameaça o suprimento global de alimentos. (BRANDIMARTE, 1999).

Segundo PEREIRA (2005), apesar de um aumento da consciência de que nossos recursos hídricos são limitados e necessitam ser protegidos, tanto na qualidade como na quantidade, nosso conhecimento e entendimento das questões políticas municipais, estaduais, nacionais e mundiais de água têm sido inadequadas devido à natureza fragmentada do campo no qual autoridades assim como organizações profissionais e científicas, locais, regionais e nacionais, estabelecidas ao redor das principais linhas do setor, não colaboram suficientemente.

Conclusão

O mundo não corre o risco de ficar sem água... Mas muitos países correm o risco de já não terem tempo de lidar com os problemas gravíssimos que a pressão da escassez de recursos hídricos coloca. Em nível nacional, o ponto de partida reside na necessidade de se encarar a água como um recurso escasso, colocando-se um enfoque ainda maior na gestão da procura dentro das fronteiras de susten­tabilidade ecológica. A gestão integrada de recursos hídricos proporciona uma ampla estrutura por intermédio da qual os governos poderão conciliar os padrões de consumo de água com as necessidades e exigências dos diferentes consumidores, incluindo o meio am­biente. As políticas públicas visando a alteração dos sinais do mercado e dos incentivos de preços com o objetivo de conferirem maior peso à conservação e à redução da poluição, também se revelam de importância vital.

Referências Bibliográficas

BRANDIMARTE, A. L. Crise de água: modismo, futurologia ou uma questão atual?. Ciência Hoje, Rio de Janeiro, editora Barsa Planeta, vol.26, nº 154, 1999.

HAUSHAHN, R. Falta de água será problema mundial para o século XXI. Espaço Cidadania. Universidade Metodista de São Paulo. 2011.

MARIUZZO, P. Escassez de água pode levar a conflitos; Os recursos hídricos, ainda que renováveis, são limitados. Pré-Univesp, Revista digital de apoio ao estudante pré-universitário. 2011.

PEREIRA, N. C. Crise de água. Relatório da Visão Mundial de Água. 2005.


Revista DAE, 24 de agosto de 2011.

*Aluna: Vanessa Pereira de Abreu

Professor: Maurício Novaes Souza

Disciplina: Manejo de Microbacias Hidrográficas

Curso: Agroecologia

Instituto Federal Sudeste de Minas campus Rio Pomba

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A importância do manejo de microbacias hidrográficas


*Díeny Aparecida Tuler Vieira

Introdução

A idéia de bacia hidrográfica está associada à noção da existência de nascentes, divisores de águas e características dos cursos de água, principais e secundários, denominados afluentes e subafluentes, ou um conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes.

Uma bacia hidrográfica evidencia a hierarquização dos rios, ou seja, a organização natural por ordem de menor volume para os mais caudalosos, que vai das partes mais altas para as mais baixas.

As bacias podem ser classificadas de acordo com sua importância, como principais (as que abrigam os rios de maior porte), secundárias e terciárias; segundo sua localização, como litorâneas ou interiores. Em bacias de inclinação acentuada o processo de busca do perfil de equilíbrio fluvial tende a estreitar a área da bacia. De forma contrária, bacias de inclinação baixa tendem a ser mais largas.

Desenvolvimento

No Brasil existem diversas bacias hidrográficas importantes, tais como: Amazonas, Paraná, Paraguai, São Francisco, Araguaia, Tocantins, Iguaçu, entre outras. Também no Estado de São Paulo existem diversas bacias hidrográficas, sendo as principais: Tietê, Paraíba do Sul, Ribeira do Iguape, Paranapanema, Grande, entre outras.

Cada bacia tem condições específicas de clima, relevo, vegetação, etc., que determinam as condições do ciclo da água. Por sua vez, a gestão de uma bacia hidrográfica é parte de um conceito mais amplo que se denomina de ordenação ambiental do território e que inclui todos os elementos de manejo dos ecossistemas em uma visão integral para o desenvolvimento sustentável, a água é indispensável para a manutenção dos ecossistemas, devemos manejá-la de maneira integra.

O critério de manejo de bacias nos leva a trabalhar naquilo que alguns denominam a unidade ecológica menor, onde se realiza o ciclo da água. Por isso, é importante ter claras as múltiplas relações que existem nestas unidades e das quais depende o bom manejo da água; e, consequentemente, a possibilidade de relacionarmos adequadamente com a base de vida, a necessidade de promover a recuperação ambiental e a manutenção de recursos naturais escassos como a água, fez com que, a partir da década de 70, o conceito de bacia hidrográfica passasse a ser difundido e consolidado no mundo.

Para enfrentar problemas como poluição, escassez e conflitos pelo uso da água, foi preciso reconhecer a bacia hidrográfica como um sistema ecológico, que abrange todos os organismos que funcionam em conjunto numa dada área e entender como os recursos naturais estão interligados e são dependentes, ou seja, quando o curso de um rio é alterado para levar esgotos para longe de uma determinada área, acaba por poluir outra, da mesma forma, a impermeabilização do solo em uma região provoca o escoamento de águas para outra, que passa a sofrer com enchentes.

Diante de exemplos como esses, tornou-se necessário reconhecer na dinâmica das águas, que os limites geográficos para trabalhar o equilíbrio ecológico têm que ser o da bacia hidrográfica; ou seja, o espaço territorial determinado e definido pelo escoamento, drenagem e influência da água, do ciclo hidrológico na superfície da Terra e não aquelas divisões políticas definidas pela sociedade, como municípios, Estados e países, que não comportam a dinâmica da natureza.

Desde que o homem passou viver em sociedades organizadas e reconheceu a importância de controlar a disponibilidade de água potável, surgiram as primeiras tentativas da humanidade de modificar o ambiente natural. O desenvolvimento de atividades como a agricultura e a urbanização sempre estiveram ligados ao controle da água.

Conclusão

Todo desenvolvimento de regiões urbanizadas e rurais é definido de acordo com a disponibilidade das águas doces, ou seja, sua quantidade e qualidade. Portanto, para promover o desenvolvimento sustentável e o intercâmbio entre regiões com interesses comuns, ou entre as que brigam pelo direito de utilizar a água para determinado fim, foi preciso reconhecer e adotar o conceito de bacia hidrográfica em todo o mundo e preservar essas bacias.

Referências bibliográficas:

- Disponível em: www.planetaorganico.com.br/entrev-microbacia.htm. Acessado dia 05 de outubro de 2011.


- Disponível em :www.ipef.br/hidrologia/mataciliar.asp. Acessado dia 05 de outubro de 2011.


- Disponível em :www.itcp.coppe.ufrj.br/intranet/microbacias/porciuncula.pdf. Acessado dia 05 de outubro de 2011.

Nome: Díeny Aparecida Tuler Vieira

Curso: Agroecologia 6º P

Diciplina: Manejo de microbacias hidrográficas

Professor: Maurício Novaes Souza.