Sistema de captação, distribuição e pré-tratamento de água para o abastecimento do IF Sudeste – MG, campus Rio Pomba: um Estudo de Caso




* Luciana de Moura Gonzaga

Resumo

O IF Sudeste – MG, campus Rio Pomba possui um sistema de captação, distribuição e pré-tratamento de água bem planejado e estruturado. Contudo, existem alguns problemas que dificultam a eficiência do sistema. A mata do Horto Florestal é de extrema importância para a “produção” em quantidade e qualidade de água. O objetivo da aula prática de Saneamento Ambiental Rural é proporcionar aos alunos uma visão geral do sistema de captação, distribuição e pré-tratamento da água que é consumida no campus, ressaltando a importância das APP’s, RL e matas em geral para a continuidade do sistema.

Palavras-chave: recursos hídricos, APP’s e capitação.

Discussão

O sistema de captação de água do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, campus Rio Pomba, é composto por 7 represas abastecidas pela nascente da invernada, situada no Horto. As represas são interconectadas por manilha e o escoamento de água é facilitado pela declividade natural da área.
O local, a cerca de 10 anos atrás, encontrava-se em acelerado estágio de degradação devido a alta concentração de vegetação freatófita, a supressão da vegetação nativa para a implantação de pastagem ou eucalipto em certas áreas, e o gado pastejando e com acesso as “aguadas naturais”. Entretanto, com a iniciativa de alguns professores e alunos a área vem sendo recomposta, através de cercas ao entorno da nascente e de algumas represas (o que permite a regeneração da área – de acordo com a resiliência que a mesma apresenta), limpeza das represas, plantio de mudas, construção de taludes e ladrões, etc. O que proporcionou aumento da vazão e melhoria da qualidade da água.
A água, após percorrer as represas, chega a caixa de tratamento preliminar através de tubulação ligada a manilha da última represa. Nesta caixa é feito o tratamento inicial com função de reter a matéria orgânica e partículas grosseiras de solo. Em seguida, a água vai para a caixa de tratamento primário, que realiza uma filtragem de água mais complexa por envolver várias estruturas de compartimento, onde a água passa e segue para a estação de tratamento do campus.
A recomposição vegetal tem papel fundamental para a recarga dos cursos hídricos, as áreas recompostas na invernada são Áreas de Preservação Permanente (APP’s) que ainda necessitam de ampliação. Nas matas foi possível observar alta concentração de espécies pioneiras, como a embaúba, que fornecem papel relevante para a sucessão ecológica, desenvolvimento de espécies secundárias, tardias e clímax. Pode se notar também a presença de lianas em algumas bordas da mata, que igualmente são pioneiras, porém quando presentes em mata indicam que está havendo entrada de luminosidade excessiva, o que pode vir a prejudicar as mudas e árvores presentes no local.  A vegetação também contribuiu para a redução de erosão das áreas, o que reduz a turbidez da água e não afeta a biodiversidade aquática.

Conclusão

O sistema de captação de água foi bem planejado, mas carece de manutenção. As caixas de tratamento não são tampadas o que possibilita entrada de solo, matéria orgânica, acesso por animais, contaminantes etc., carecendo de mão de obra especializada para conservação da mesma. Outro aspecto negativo é que o gado ainda tem acesso às represas e a algumas APP’s, retardando o processo de regeneração natural.
Com a recuperação da invernada, hoje é possível economizar no tratamento final da água por a mesma chegar mais limpa, e com isto redução da concentração de alumínio, enxofre e cloro na água. Podemos observar que a área destinada a Reserva Legal (RL) se encontra bem preservada e que a mesma além de extrema beleza, contribui para a absorção e filtragem da água.
É importante conhecer o sistema de captação de água do campus Rio Pomba, como forma de fixação do aprendizado e possíveis proposições de soluções para os problemas encontrados.


Relatório de aula prática II (19 de maio de 2013) apresentado à disciplina Saneamento Ambiental e Rural.
Curso: Bacharel em Agroecologia.
Professor: Maurício Novaes Souza.
Aluna: Luciana de Moura Gonzaga.
Turma: 7º período.

Comentários

Anônimo disse…
Muito bom!

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