domingo, 17 de março de 2013

Pobreza e Opulência: breves análises das causas e consequências da degradação sócio-ambiental





Aline T. C. Gaudereto1 e Maurício Novaes Souza

Josué de Castro expõe, numa inspiradíssima frase, a seguinte constatação:
 “Metade da humanidade não come e a outra metade não dorme com medo da que não come”.

Um dos grandes problemas que assolam a humanidade hoje é a desigualdade social que tem se destacado na promoção da miséria e impactos ambientais, além de travar a expansão econômica e tornar mais difícil que os pobres sejam beneficiados pelo crescimento.
A desigualdade social é gerada na distribuição de renda que é feita de forma diferente sendo que a maior parte fica nas mãos de uma minoria. No Brasil a desigualdade social é uma das maiores do mundo. Segundo reportagem de Patrícia Zimmermann divulgada na Folha Online, o Brasil é hoje o 8° país em desigualdade social.
Esses dados são assustadores em se tratando de “Brasil!” que é um dos países possuidor de um dos maiores patrimônios de recursos naturais do mundo.
A tendência de desequilíbrio social e econômico tem uma estreita relação com a qualidade ambiental e o comportamento do mercado mundial. Na opinião, de Christopher Flavin, presidente, do Worldwatch, "as tragédias humanas por trás das estatísticas lembram que o progresso social e ambiental não é um luxo, a ser posto de lado quando o mundo experimenta problemas econômicos e políticos".(reportagem do Instituto Akatu)
Segundo reportagem divulgada pelo Instituto Akatu os desastres naturais, causados ou agravados por desmatamentos, ocupação territorial desordenada e mudanças climáticas, provocam o deslocamento de grandes contingentes populacionais, já chamados de refugiados ambientais. Inundações forçam a migração de habitantes de Bangladesh para a Índia, num movimento que já dura 10 anos, tendo deslocado, no período, cerca de 10 milhões de pessoas. E ainda existem outros 40 milhões de refugiados ambientais no mundo.  Fica claro, portanto que as conseqüências do crescimento econômico e desenvolvimento de países mais ricos como os EUA, fica por conta dos países pobres e subdesenvolvidos, ou seja, eles enriquecem e nós ficamos com os prejuízos ambientais, econômicos e sociais além de sermos  detentores de maior  vulnerabilidade às mudanças climáticas. Dos 700 desastres naturais registrados em 2002, 593 foram relacionados a eventos climáticos. As chuvas, no Quênia, desalojaram pelo menos 150 mil pessoas e 800 mil sofreram com a maior seca do século, na China. (Instituição Akatu)
            A escalada do progresso tecnológico pode ser medida pelo poder do homem  de controlar e transformar a natureza. Quanto mais rápido o desenvolvimento tecnológico, maior o ritmo de alterações provocadas no meio ambiente. O ideal é que consiga promover desenvolvimento, porém, de forma sustentável, ou seja, socialmente justa, ambientalmente correta e economicamente viável. Para que isso ocorra é essencial buscar sempre soluções e alternativas, juntamente com educação ambiental para promover um consumo mais responsável com um mundo com maior qualidade ambiental e menos desigualdade social.

1-      Agroecóloga formada no IF SEMG Sudeste de Minas campus Rio Pomba.

quinta-feira, 14 de março de 2013

"Instituições públicas devem dar o exemplo de ações conscientes"


Estimular a reflexão sobre a responsabilidade socioambiental e a mudança de atitude no ambiente de trabalho. Esses são os principais objetivos da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente. Imprimir nos dois lados da folha, utilizar um copo retornável para beber água e realizar compras públicas sustentáveis que priorizem critérios ambientais são exemplos de atitudes incentivadas pelo programa.

“Pequenos gestos podem trazer grandes resultados, no que diz respeito à consciência ambiental”, destacou a gerente de projeto da A3P, Ana Carla de Almeida. Das 178 instituições que participam do programa, 78 correspondem à esfera federal, 60 da estadual e 40 da municipal.

A meta é alcançar cerca de 30 mil prédios públicos e 600 mil servidores. O Ministério do Meio Ambiente apoia, tecnicamente, os órgãos interessados em implementar o programa e promove o Prêmio Melhores Práticas da A3P como incentivo e reconhecimento do esforço das instituições.

Poder público como exemplo

“As instituições públicas devem dar o exemplo de ações conscientes”, defendeu Ana Carla Almeida. A agenda pode ser desenvolvida em toda a administração pública, nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal. A adesão tem duração de cinco anos.

O programa, criado em 2005, também prevê a sensibilização e capacitação dos servidores, a gestão adequada dos recursos naturais utilizados e dos resíduos gerados, além da promoção da melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho.

Esplanada sustentável

A Agenda Ambiental na Administração Pública é parte integrante do Projeto Esplanada Sustentável, iniciativa para incentivar os órgãos e instituições públicas federais a adotarem um modelo de gestão organizacional centrado na sustentabilidade ambiental e socioeconômica.

A agenda também é um referencial para a elaboração dos Planos de Gestão de Logística Sustentável (PLS), instituídos pela Instrução Normativa nº 10, de 12 de novembro de 2012. Os PLS são ferramentas de planejamento para que as entidades possam estabelecer práticas de sustentabilidade e racionalização de gastos e processos na administração pública.

Com isso, as instituições da administração pública federal direta, autárquica, fundacional e empresas estatais dependentes estão elaborando seus planos de logística sustentável, que devem ser apresentados até maio de 2013, quando se encerra o prazo estipulado na Instrução Normativa. Sendo assim, a A3P vai se tornar obrigatória para esses órgãos. A meta é alcançar cerca de 30 mil prédios públicos e 600 mil servidores.

O A3P

Na prática, o Programa A3P ensina a usar os recursos naturais e bens públicos de forma econômica e racional, evitando o desperdício. Isso inclui o uso racional de energia, água e madeira, além do consumo de papel, copos plásticos e outros materiais de expediente.
Outro ponto é a gestão adequada de resíduos, que passa pela adoção da política de 5Rs: repensar, reduzir, reutilizar, reciclar e recusar o consumo de produtos que gerem impactos socioambientais significativos. A proposta é pensar, primeiramente, em reduzir o consumo e combater o desperdício, para, só então, destinar os resíduos sólidos corretamente.

Outro eixo do programa consiste em conscientizar os gestores e servidores públicos quanto à responsabilidade socioambiental. Para que isso aconteça, podem ser realizadas campanhas e eventos como palestras, cursos e fóruns que busquem chamar a atenção para temas socioambientais relevantes.

A administração pública também deve promover a responsabilidade socioambiental nas suas compras. Esse processo deve priorizar critérios ambientais e não somente os econômicos e de menor preço. Por exemplo, a aquisição de impressoras que imprimam frente e verso e a compra de papel reciclado.


Fonte: Mercado Ético