segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Pecuária Produtiva e Sustentável


* por Diana Carla Fernandes Oliveira e Gabriela Peluso Demartini


A pecuária brasileira é a mais competitiva do mundo, e pode ser ainda mais. Principalmente se houver recuperação de pastagens degradadas, uso racional dos recursos, manejo adequado e maior concentração de cabeças por hectare.  Essa competitividade esta justamente por ser extensiva, com enorme quantidade de pastagem, alimentar o gado com capim e com isto ter um menor custo de produção que outros países que têm com base o confinamento.
            Atualmente, diante de um cenário mundial que reúne de um lado, uma crescente necessidade de ampliação na produção de alimentos, e de outro, o avanço de problemas ambientais, exigindo a adoção de práticas sustentáveis como o desenvolvimento de energias renováveis e a preservação de florestas, a pecuária brasileira precisa mudar sua forma de atuação. Basta aperfeiçoar nosso modelo, contando com o aperfeiçoamento genético, técnico e de gestão, assim, nosso gado tornará mais competitivo e atenderá as exigências do mercado em que diz respeito à sustentabilidade.
            O emprego da pecuária produtiva, além de garantir a preservação do meio ambiente, possibilita mais qualidade e competitividade aos produtos. Com uma gestão responsável, o produtor tem em mãos uma ferramenta a mais para atender às exigências dos importadores e consumidores quanto à garantia da qualidade e sanidade dos alimentos. O conceito envolve mudanças de hábitos, de práticas de manejo e exige investimentos, sendo fundamental o incentivo de desenvolvimento de mecanismos.

            Segundo a revista “Panorama Rural”, o pecuarista por meio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), receberá conhecimentos técnicos sobre manejo adequado do solo, variedades de capim, leguminosas para rotação de culturas e alimentação complementar do gado. O trabalho de conscientização é fundamental. É preciso que o pecuarista passe a ter a convicção de que ele pode aumentar consideravelmente sua produção de carne de forma economicamente viável sem derrubar áreas de florestas. Quando o pecuarista perceber que a atividade sustentável faz bem ao ambiente, e ao bolso, não vai querer outra prática.

* alunas da disciplina AGROMETEOROLOGIA, coordenada pelo Professor Maurício Novaes, do curso de Zootecnia do IF SUDESTE DE MINAS campus RIO POMBA, 2011.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

“A importância de se valorar os recursos naturais”

*André Bacic Olic e Maurício Novaes Souza

INTRODUÇÃO:
            A existência humana pressupõe uma interação com o meio físico. O desenvolvimento dos processos industriais de produção, o crescimento exponencial da população e a mudança nos hábitos de consumo tornaram o ambiente mais vulnerável aos efeitos nefastos das atividades antrópicas. A qualidade de vida na terra exige dos homens uma relação respeitosa com seu suporte material de entorno, o que passa pela valoração dos recursos naturais.

DISCUSSÃO:
            O século XX foi marcado por um intenso processo de industrialização dos processos produtivos. Este fenômeno ocorreu concomitantemente ao deslocamento em massa das pessoas, que do campo passaram a viver em grandes aglomerados urbanos.
            O sistema da atual tecnosfera é criticamente dependente da base de recursos naturais. Nas civilizações mais primitivas, também se encontra este tipo de dependência. No passado civilizações sucumbiram por conta do manejo inadequado das fontes de matérias primas. O grande diferencial entre os impactos de outrora, daquele potencial da sociedade contemporânea reside na mudança de escala. Hoje a população é muito maior e a existência material de cada indivíduo requer maior quantidade de recursos. O advento das novas tecnologias de exploração do meio, aliado as novas necessidades de consumo, quais surgiram desde o início da revolução industrial, são fatores que transformaram significativamente a interação humanidade-ambiente.
             A intensificação da extração de recursos naturais e despejo de resíduos na natureza levou a sociedade pensar no conceito de Capacidade de Carga (ou suporte): que se refere à capacidade da geosfera de manter seus serviços (nível máximo de ação antrópica, que o planeta consegue absorver).

VALORES, SERVIÇOS E BENS FORNECIDOS PELA GEOSFERA (Adaptado de Moldan e Bilharz, 1997).
  • Manutenção de uma interface de proteção contra a interação cósmica.
  • Manutenção de uma temperatura adequada (média, distribuição no tempo, proteção contra ocorrência extremos).
  • Manutenção relativamente estável de condições geofísicas.
  • Manutenção da qualidade do ar.
  • Múltiplos serviços de água e ciclos de água.
  • Ciclo de nutrientes.
  • Reciclagem dos resíduos e desintoxicação de substâncias.
  • Provimento de espaço na superfície terrestre. Bases para a construção.
  • Provimento de fontes de energia.
  • Fornecimento de materiais (elementos químicos, minerais, biomassa etc).
  • Provimento de solo fértil.
  • Base para ocorrência da biodiversidade e seus múltiplos serviços.
  • Manutenção de condições microbiais sustentáveis (nível de micróbios patogênicos, alergênicos).

            Nas últimas décadas, os recursos naturais passaram, gradualmente, a ser mais bem valorizados pela sociedade como um todo. Isto se dá a partir de um processo de conscientização (que em boa medida é alcançado com programas de educação ambiental).
            Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) foram desde então sendo desenvolvidos, com intuito de reverter o quadro de degradação. Trata-se da busca de administrar a utilização dos recursos naturais. É o exercício de planejamento das atividades econômicas e sociais de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais (renováveis ou não). Os SGA visam implementação de práticas, que garantam a conservação e preservação da biodiversidade, a reciclagem das matérias-primas e a redução do impacto ambiental das atividades humanas sobre os recursos naturais.
            A prática da gestão ambiental introduz a variável ambiental no planejamento empresarial, e quando bem aplicada, permite a redução de custos diretos - pela diminuição do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos e mais dispendiosos, como água e energia - e de custos indiretos - representados por sanções e indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde de funcionários e da população de comunidades que tenham proximidade geográfica com as unidades de produção da empresa. Um exemplo prático de políticas para a inserção da gestão ambiental em empresas tem sido a criação de leis que obrigam a prática da responsabilidade pós-consumo.
            O aumento da procura pelas empresas de profissionais com conhecimentos em técnicas de gestão ambiental motivou o intensificou a presença deste tema nos mais diversos cursos de formação profissional. Deste ponto de vista, a carreira do Agroecólogo se mostra promissora.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
            Décadas de agravamento das questões ambientais e a intensificação das discussões sobre conservação dos recursos naturais levam a formação gradual da consciência das pessoas com relação ao problema. Assistimos à tendência da diminuição da produção e do consumo de recursos energéticos intensivos, pelo aumento de consumo de produtos energéticos não intensivos e pelo crescimento do setor de serviços. As estimativas de crescimento populacional apontam um acréscimo de 3 bilhões de almas, até 2050, quando este crescimento se estabilizará.
            Sistemas tecnológicos produtivos passam a exigir uma abordagem multidisciplinar. A ciência econômica deverá cada vez mais ser permeada pela dinâmica de sistemas naturais.  Cabe aos mais diversos ramos profissionais buscar pelas ferramentas de gestão ambiental apropriadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
            Wikipédia. Sobre o termo Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental.
            Bellen, Hans Michel van. Sustentabilidade: uma análise comparativa. 2ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006
            Araujo, G. H.;  Almeida, J.R.; Guerra, A.J.T. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas, 6ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

            Souza, M. N.; Degradação e Recuperação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável – Tese Magister Scientiae – Viçosa: UFV, 2004.

* Estudante do curso de Agroecologia do IF Sudeste de Minas campus Rio Pomba.

Por que falta água na Cantareira?


ECONOMIA & NEGÓCIOS - 04 Fevereiro 2015 | 11:58

É necessário recuperar a vegetação nas áreas de nascentes e cursos d’água ao invés de apenas fazer obras de engenharia, defendem os especialistas Eduardo Assad e Roberto Rodrigues.


Foto aérea da represa Atibainha, parte do sistema Cantareira (Reuters).

Eduardo Assad e Roberto Rodrigues*

Em meio a tantas notícias ruins, como queda da Bolsa, falta de água, falta de luz, eis que das montanhas de Minas Gerias surgem notícias razoavelmente boas. A água voltou a brotar nas nascentes no alto da serra da Mantiqueira, nos municípios que alimentam o rio Jaguari, principal fornecedor de água para a Cantareira.
O problema é que ainda não tem volume nem força para percorrer 100 quilômetros e encher os reservatórios do Sistema Cantareira em Bragança Paulista e Joanópolis, em São Paulo. Mas é a natureza nos indicando que se preservarmos ela reage.
Nos últimos 500 anos desmatamos as nascentes e as áreas ao longo dos rios que nos abastecem de água. No passado, Minas Gerais e São Paulo brigaram por causa do ouro: foram guerras localizadas e sangrentas, todas para atender a corte. Hoje o ouro é a água. E vindo também de Minas Gerais, de Munícipios que adotam políticas de preservação dos seus rios, como o município de Extrema. Não poderia ser diferente: preservou, choveu e a água brotou.

Mas, por que não brota nos outros oito municípios paulistas que compõem a região da Cantareira?

A resposta é simples. O desmatamento no passado foi muito grande. Enquanto nos preocupávamos, com razão, com os impactos do desmatamento na Amazônia, nos esquecemos de cuidar do quintal de casa.
Permitimos a expansão urbana desenfreada, impermeabilizamos os solos, cortamos as árvores e reduzimos a infiltração da água que alimenta o lençol freático.
Aumentou a erosão e as enchentes se multiplicaram. As mudanças climáticas explicam em parte a maior frequência de ocorrência de chuvas intensas nos últimos anos.
Mas o maior o problema foi a redução dramática da vegetação em torno das nascentes e dos cursos d´água. Nos 12 municípios que estão em volta da Cantareira, quatro estão em Minas Gerais e oito em São Paulo: Itapeva, Camanducaia, Sapucaí-Mirim e Extrema em Minas Gerais e Bragança Paulista, Vargem, Joanópolis, Piracaia, Nazaré Paulista, Mairiporã, Franco da Rocha e Caieiras, em São Paulo.
Em todos eles a situação é alarmante. Estudos da Embrapa com a Fundação Getúlio Vargas indicam que são mais de 8.100 km de rios e córregos com menos de 10 metros de largura não protegidos, em 34 mil hectares desmatados.
Existem diversos exemplos no Brasil mostrando que a simples revegetação promove a volta da água. Para iniciar essa recuperação na Cantareira serão necessárias milhões de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Muitas são conhecidas e bem estudadas. E em São Paulo estão as maiores empresas capazes de indicar as espécies e produzi-las. Pena que nada foi feito. Enquanto isso, só se fala em buscar água daqui e de acolá, e em obras de engenharia.
Nova York passou por problemas parecidos. Preservou as nascentes na áreas mais altas e revegetou as áreas de preservação permanente. Atuou diretamente naquilo que é conhecido como segurança hídrica, que é manter o ciclo hidrológico funcionando, preservando as funções hídricas da biodiversidade.
Em 17 de março de 1537, Duarte Coelho, Governador de Pernambuco, enviou requerimento à câmara de vereadores de Olinda, proibindo o corte  de todas as madeiras ao redor dos ribeiros e das fontes sob pena posta em regimento. Também proibiu que os colonos jogassem lixo nos rios e nas aguadas. Temos história! Acorda Brasil! Acorda São Paulo!

*  Pesquisador da Embrapa e Pesquisador Visitante da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas
** Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas e Presidente da Academia Nacional de Agricultura SNA e ex-ministro da Agricultura