sábado, 8 de agosto de 2009

O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Este artigo tem a intenção de apresentar conceitos relativos à "Ecologia Profunda". É uma nova linha de estudo dentro da Ecologia, que visualiza um mundo diferente daquele que estamos vivendo. Tradicionalmente, estamos acostumados com o modelo capitalista, onde o individual egoísta supera os ideais coletivos, e a ética deixou de ser uma condição básica ou um princípio fundamental. O novo modelo, ou paradigma, chamado de visão holística, concebe o mundo como um todo integrado, em uma rede de fenômenos interconectados e interdependentes, e não uma superposição de partes dissociadas. Pretende-se, dessa forma, podermos atingir o tão discutido “Desenvolvimento Sustentável”. Essa deve ser a principal proposta nos dias atuais, e o nosso maior objetivo (SOUZA, 2008).


Recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO". O artigo trata desse tema: propõe e evidencia a necessidade da mudança de paradigmas. Segue o artigo:


O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Por Maurício da Silva - Físico




Tenho lido e refletido acerca da revolução que vem lentamente ocorrendo através das novas concepções da física; que vem mudando profundamente nossas visões de vida e do universo; passando da visão superficial de vida efêmera no mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão cosmológica de Einstein, de Huberto Rhoden, de Dr. Samael Aun Weor e outros, muito mais profunda, holística e ecológica.


As mudanças de paradigmas, para Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias e representam uma transformação cultural. As mudanças de paradigmas ocorrem em todas as áreas do conhecimento humano: nas ciências, na cultura, nos esportes etc., e refletem em toda sociedade.


Um paradigma tem seu ponto de partida e de chegada e, quando vai chegando ao fim é porque vai sendo substituído por outro, após haver predominado por muito tempo. O paradigma cartesiano, que na física é newtoniano já vai se indo, após haver dominado a nossa cultura centenas de anos, aonde moldou a sociedade ocidental, influenciou o mundo inteiro. Esse paradigma é calcado no antropocentrismo centrífugo, que concebe o universo como sendo um sistema casual, automático, composto de sistemas fragmentados. Ele visualiza o micro, o meso e o macro-cosmo, como sendo máquinas, totalmente destituídas de qualquer princípio organizativo inteligente. A vida em sociedade é concebida como sendo uma luta competitiva pela existência e a crença no progresso material é ilimitado. Deve ser obtido por intermédio de um crescimento econômico, feito a custo do sacrifício dos desvalidos, em decorrência do mais valia.


O novo paradigma, que já vai substituindo gradativamente os princípios antropocêntricos, de natureza ecocêntrica, é denominado pela concepção holística do cosmos, por conceber o universo como uma totalidade integrada, onde as unidades funcionam simultaneamente, interdependente e integradamente e não como um conjunto desconexo de partes dissociadas.


Na visão ecocêntrica há o reconhecimento da independência fundamental de todos os fenômenos; onde há o encaixe e a dependência dos homens nos processos cíclicos da natureza. Aí os sistemas vivos possuem conexões vitais com o meio ambiente e se sustentam reciprocamente.


A Ecologia Profunda é um movimento popular global, que vai sendo conhecido por muita gente e está rapidamente adquirindo preponderância. Arne Naess fundou a escola filosófica ecocentrista, no início dos anos 70, dando distinção entre "Ecologia Rasa", a ecologia convencional e "Ecologia Profunda", a ecologia revolucionária. Onde fica claro que a Ecologia Convencional é muito superficial e antropocêntrica, por estar centralizada no ser humano. Para ela os seres humanos estão situados acima ou fora da natureza, como sendo a fonte de onde emergem todos os valores, tendo no meio ambiente e nos demais seres vivos apenas um valor de objeto de uso.


Na Ecologia Profunda os seres humanos não se separam das outras coisas do meio ambiente natural, sejam elas de natureza vegetal, animal ou mineral. Para ela o mundo não se constitui numa coleção de objetos isolados, mas numa rede de fenômenos cósmicos interconexos, simultâneos e interdependentes.


A ecologia profunda compreende que cada ser vivo se constitui numa pérola muito valorosa engastada no colar da Teia de Vida da Terra Viva; reconhece o valor intrínseco de cada ser vivo e vê o ser humano apenas como um fio particular desta teia de vida.


Devemos nos reeducar convenientemente, para adquirir consciência ecológica profunda, o que significa experimentar e compreender a realidade da sensação de pertinência e de interconexidade com Unidade Absoluta do universo cósmico, ser diversidade na unidade, ser uno com o todo.


As escolas devem abordar em seus currículos a Ecologia Profunda, para construir a Cultura da Paz e Não Violência na Terra: paz ambiental, escolar e social, por intermédio do combate à violência na causa. As escolas devem ensinar aspectos importantes do novo paradigma ecológico, fazendo suas abordagens dentro de uma visão ecológica coerente com o holismo cósmico.


Nossa natureza tem sido dramaticamente violentada por uma sociedade homemoidal fundamentalmente antiecológica, decorrentes de nossas estruturas sócio-econômicas estarem solidificadas no neocapitalismo que engendra sistemas ideológicos dominadores, que geram explorações antiecológicas, traduzidas no patriarcado, no imperialismo, no racismo, no escravismo.


As mudanças de paradigmas só poderão se dar por meio da revolução da consciência ecológica, com base nos três fatores de revolução da consciência. Isto ampliará nossa capacidade de registro das nossas percepções do holismo do universo, mudando nossas maneiras de pensar e sentir a natureza.


Numa sociedade capitalista como a nossa, é amedrontador para a maioria das pessoas conceber mudanças de paradigma, para atingir valores centrípetos mais equilibrados; principalmente aqui no Brasil, onde levar vantagem em tudo é a lei, o que reforça a competitividade, a individualidade e o egoísmo, em detrimento da solidariedade e do altruísmo; onde alguns são favorecidos, privilegiados, recebem recompensas econômicas e poderio político.


A síndrome do medo exacerbado imposta pelo ego, leva o homemóide à aquisição de poder excessivo de dominação sobre os demais. Se as estruturas políticas, militares e corporativas fossem hierarquicamente organizadas para servir ao próximo seriam toleráveis; mas, para defender a ideologia da estrutura de poder, para manutenção de privilégios à camada dominante, se constitui em algo criminoso e absurdo. Ninguém desejaria poder para si mesmo, se não possuísse o germe egóico do medo da inferioridade. Para pessoas investidas de poder, as mudanças de paradigmas, de valores trazem em seu bojo o medo existencial.


Portanto, para o exercício do poder, mais apropriado para o novo paradigma, seria o poder como influência de outros. A estrutura ideal para exercitar esse tipo de poder não é a hierarquização das funções, mas uma rede intrincada de convergência ecocêntrica, que é também, ao mesmo tempo, a metáfora central da Ecologia Profunda. A mudança de paradigma passa também por uma mudança na organização social, mudando de hierarquias para redes; indo de uma relação de poder hierárquico para uma rede dialógica.


A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Questionamento 2: comentei que em alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores... e que hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA".

Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Logo após essa leitura e análise, li outro artigo do mesmo autor... "A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA"... e verifiquei que os meus questionamentos ficaram mais intensos... Segue o novo artigo:

A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA, por Maurício da Silva, Físico



Nós, seres humanos, somos responsáveis direta e indiretamente pelo caos na ecologia do planeta, ao colocá-lo em profunda agonia por meio da violência generalizada ao meio ambiente.

Nós, seres humanos, distinguimos dos demais animais pela capacidade de agir sobre a natureza, com um nicho ecológico diferente dos outros nichos dos demais seres vivos. Nós somos capazes de agir sobre os meios naturais, para criarmos o nosso próprio meio. Assim, além de adaptar-se às condições do meio natural, o ser humano adapta os meios naturais às suas necessidades.

A ação de transformar o ambiente está diretamente relacionada com o desenvolvimento das nossas funções orgânicas e habilidades, que caracterizam a nossa condição humana. Com efeito, podemos concluir que o ser humano é inteiramente responsável pelo impacto catastrófico que vem impondo ao planeta; é autor e vítima das conseqüências nefastas deste caos para a continuidade da vida existencial aqui na Terra.

O ser humano se desenvolveu bastante em ciência, mas regrediu em consciência. Tecnologia como expoente da ciência, sem que a base da potência esteja sobre o substrato da consciência, é o caminho mais curto de se chegar ao caos e à morte da vida sobre a Terra.

O ser humano possui atualmente apenas 3% de seu potencial consciencitivo desenvolvido. Com apenas 3% de consciência, onde os alicerces da essência ecológica se apóiam e convergem os homens para as atitudes de preservação da natureza. Entretanto, os 3% de consciência desperta é muito pouco para percepção holística do cosmo, da beleza do universo, da dinâmica sincronizada do nosso planeta.

Para os seres de consciência, a Terra é bela! É parte de si mesmo, e se encantam com os encantos da natureza telúrica. Os indivíduos de consciência ecológica desenvolvida são altamente sensíveis à beleza cósmica de nosso planeta, possuem uma relação de empatia com a Terra; eles sentem-se parte dela, integrados a ela pelo fio da vida, que congrega os diversos para formar o universo. Os indivíduos com apenas 3% de consciência não possuem uma relação dialógica com a mãe natureza. Estes se acham dono da Terra, não percebem a sua inteireza e agem no sentido de destruí-la, subjugá-la em benefício próprio, etc.

É preciso educar o homem do presente, para subsistir no futuro, de maneira integrada à natureza; para se sentir extensão dela e esta, parte de si mesmo, na mecânica holística do cosmos. É preciso educar o homem do presente, para expandir o seu percentual de consciência ecológica e amar mais, e muito mais a mãe natureza. Inculcar no estudante a idéia de que a nossa luta para mobilização articulada em favor da preservação do planeta Terra, se integra à luta pela própria realização da condição humana sobre a superfície do nosso planeta.

As escolas devem proporcionar uma educação revolucionária aos homens do presente, para que estes atuem concretamente no sentido de conciliar progresso e preservação do planeta, evitando assim uma catástrofe apocalíptica. Nossos alunos devem ser educados com uma didática fundamental, que lhes garanta o exercício da cidadania plena e solidária e a aquisição de um conhecimento transcendental, revestido de valores éticos e morais que lhes garanta a formação de uma consciência ecológica da mecânica holística do planeta Terra, embasada na Psicologia Revolucionária que nos deixou o Dr. Samael Aun Weor, um dos maiores ecologistas de todos os tempos, ao lado de São Francisco de Assis e outros tantos.


A entropia na psique humana

Alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores. Hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?

Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA". Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...

Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Segue o artigo:

A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA - Por Maurício da Silva





Define-se convencionalmente entropia como sendo a quantidade energia de um sistema que não pode ser convertida em trabalho de natureza mecânica, sem comunicação de calor a algum outro corpo, ou sem alteração do volume. A entropia se amplia em todos os processos irreversíveis e permanece constante nos processos reversíveis.

Se tivéssemos desenvolvido tecnologia, ciência e consciência, em pleno segundo milênio, já poderíamos alimentar os famintos, abrigar os sem-teto, os sem-terra, os sem nada, proteger, criar e educar nossos filhos; transmitindo às gerações futuras oportunidades, para que tornassem cidadãos ecológicos, herdeiros e contribuintes da nossa herança humana, biológica e cultural.

“Acredito que a resposta explanatória mais plausível para o cenário que temos diante de nós resida num fenômeno entrópico, de base comportamental e causa política, tanto individual como coletivo. De fato, vivemos um tempo de grande entropia biocultural. Mas o que isso quer dizer?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O ego de cada indivíduo que compõe a sociedade se constitui no canal para atuação do fenômeno da entropia; e esta leva todo universo físico para o equilíbrio estático de energia e matéria, rumo à desestruturação, à degeneração, à dissipação, à estagnação e ao caos, consoante aos princípios termodinâmicos da física.

Erwin Schrödinger, mostrou em 1944, que os seres vivos não resistem a entropia física. E a sociedade humana é composta de Homo sapiens, elemento reino animal, componente do conjunto dos seres vivos.

"Se o atributo humano singular da educabilidade permite melhor compreender o comportamento social da humanidade, o que esperar da sua aplicabilidade na solução de problemas individuais ou coletivos, locais ou globais? Como, por exemplo, lutar contra a tendência política prevalecente no nosso tempo, de escolher sistematicamente o caminho para vencer a entropia biocultural, da miséria da condição humana, da degradação ambiental, manifestos nos quadros de decaimento generalizado do mundo de hoje? Como, enfim, aprimorar o homem, elevar a condição humana e preservar o planeta com desenvolvimento ecologicamente auto-sustentável?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

Precisamos nos educar para viver em meio ao caos, com equilíbrio e serenidade. Temos que nos constituirmos em células positivas do mesocosmos; aqueles, que mesmo em meio à barbárie e ao caos, repensam suas trajetórias para construção de um mundo melhor com um homem de perfil ecológico.

Se educarmos as gerações do futuro com fundamentos na Psicologia Revolucionária, com certeza se abrirá a cada pessoa à possibilidade de autotransformação em direção a escalada luminosa de elevação do nível de seidade. A partir daí poderemos construir uma sociedade dialógica, com uma consciência ecológica desenvolvida, para gerir holisticamente um planeta auto-sustentável.

O combate ao centrifuguismo antropocêntrico com uma educação centrípeta representa a chave capaz de abrir o universo psicológico do homem e apontar caminhos para um mundo ético, social, moral, ecologicamente aceitável e para destruição da entropia biocultural.

"Biologicamente, o homem de hoje é muito semelhante aos seus ancestrais de dez mil, cem mil e até de um milhão de anos atrás. Culturalmente, porém, as diferenças do presente em relação ao passado são tão fantásticas que são auto-evidentes. Mas o que dizer sobre mudanças na natureza psicossocial do homem, diante do quadro de grande entropia biocultural do mundo contemporâneo?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos.

A natureza psicossocial humana pouco ou nada mudou ao longo da nossa trajetória evolucionária como espécie humana, apesar das riquezas materiais acumuladas e de todo o progresso técnico-científico alcançado até agora, e nunca mudará; pois mudanças radicais nesta não são possíveis com evolução e só com revolução da consciência, através dos três fatores que revolucionam a consciência.

Nosso homem saiu do planeta, foi à Lua, quer chegar a Marte, mas ainda não conseguiu sair de uma condição de escravidão e miséria e nunca sairá enquanto persistir o ego, fator que embaça a consciência, engendra os defeitos que causam a violência social e ambiental.

Graças a uma nova percepção sobre a vida e o ambiente da Terra, introduzidos pelas ciências centrípetas nos últimos 50 anos, o homem vem, gradativamente, redescobrindo o holismo univérsico, o todo, a interdependência de cada parte do todo, a transitoriedade e a finitude de todas as coisas do cosmo. "A consciência ecológica começa e termina no indivíduo, mas, passa pelo outro, tornando-se assim social e dialógica. Trata-se de um processo necessariamente ético e estético. Daí o verdadeiro ato educativo - não importa se escolar ou não escolar, formal ou não formal, em qualquer nível, para qualquer idade - ser a autotransformação que ocorre no contexto social da pantransformação”. (José Maria G.).

Devemos nos educar convenientemente para compreender e lutar pela erradicação da entropia biocultural, criar resistência a toda e qualquer forma de desordenação social que represente decaimento na escala de seidade. Pela capacidade do livre arbítrio podemos escolher e até fazer caminhos rumo à educabilidade, e daí, escolhemos e fizemos o mundo que se nos apresenta hoje. Assim, também poderemos fazer no futuro um mundo diferente, onde haja a justiça, a paz, o bem-estar comum, o mutualismo na alteridade e a sustentabilidade planetária.

É por demais sombria a natureza homemoidal dos nossos tempos. Tempos de escândalos de todos os tipos, tempos de violência permanentemente violência à natureza, tempos de caos. A entropia nos arrastou bem para o fundo de poço, onde há obscuridade e desesperança e, daí só sairá aquele que revolucionar a consciência. Isto demanda, do lado iluminado da consciência, constante vigilância, discernimento moral, etc.

Há uma profunda dor em minha alma por causa dos navios de petróleo que derramam no mar, matando os seres vivos; por causa do fogo que queima incessantemente a mata da Amazônia; por conta das crianças que tombam nas escolas, nas ruas, nas casas, que dormem nas calçadas, etc, vitimadas pela violência generalizada, por causa do descaso político e da injustiça social.

A PROIBIÇÃO DE PENSAR

O presente artigo eu recebi do meu amigo Fábio Oliveira (Visite o seu blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/). O artigo é do Prof. Luís Carlos Lopes, autor de diversos livros, entre eles, o "Culto às Mídias". Considerando o momento de alienação em que nossa sociedade vive, fiz algumas adaptações ao texto e penso que reflete bem a situação atual. O que podemos fazer? O direcionamento está ao final desse artigo... mas a resposta precisa ainda não sabemos exatamente ... o que e como fazer? Nem mesmo nossas Instituições de Ensino... apesar das inúmeras alternativas que o "progresso" nos proporciona, não estão preparadas para enfrentar essa dura realidade... ou pior, o modelo está sendo, por elas, retroalimentado. Quais seriam, então, as perspectivas?

Há de se considerar que, no mundo moderno, as possibilidades de esclarecer são infinitamente maiores do que no passado. Todavia, os meios do esclarecimento são os mesmos que servem para produzir descerebrados, pessoas que nada ou pouco reclamam, aceitando o destino como algo inexorável e impossível de mudar.


O título deste artigo foi tomado de empréstimo de Slavoj Zizek, um dos pensadores europeus mais conscientes e merecedores de atenção, por diversas razões. Sua clareza e produtividade espantam a quem está acostumado a estilos obscuros e ilegíveis, ou ainda, a pensamentos circulares que não levam a nada. Nele, os problemas são formulados e as respostas fluem sem medo de errar. Seu senso moral é imbatível, bem como seu compromisso com um pensamento renovado, sem esquecer as longas raízes de uma visão crítica do mundo, nascida no século XIX e desenvolvida, com muitos percalços, no século passado.


Para quem vive no hemisfério sul, a obra do autor esloveno chama à atenção pelo seu universalismo e por sua capacidade crítica de resistir à tentação do eurocentrismo. Não é necessário concordar com ele em tudo. Entretanto, a leitura dos seus livros, fartamente traduzidos ao português, é uma aventura no terreno positivo das provocações intelectuais, demonstrando a validade de idéias e fatos históricos que forças poderosas prefeririam que fossem esquecidos ou permanecessem escondidos. Zizek examina velhas e novas teorias, faz a ligação do passado com o presente e desenvolve propostas que devem irritar profundamente os conservadores antigos e "modernosos" que, porventura, cheguem a ler suas obras.


As sociedades humanas tendem a desenvolver tabus, assuntos que não devem ser discutidos. Em versões mais suaves, discute-se o problema com a superficialidade aceitável pelo poder. Poucos ousam ir mais fundo e trazer à tona a vida que existe nas profundezas dos fatos históricos. No Brasil, isto não se passa de modo diverso. Não pensar virou moda, com o atual desprestígio da crítica escrita e falada. O forte "presentismo" atual tenta afogar quaisquer tentativas de iluminar o passado e mostrar as relações com o que hoje se vive. Também, o presente é tratado como algo que se deva aceitar de modo inelutável. Não se pode discutir seriamente o que já se passou. É, igualmente, proibido falar de modo mais ácido sobre o que está se passando agora.


A forte naturalização dos fenômenos sociais e políticos é moeda corrente nas mídias, sobretudo, nas que dominam o cenário. A publicidade e a propaganda política são, em muitos casos, exercícios radicais do não-pensamento e do culto aos preconceitos e a outras irracionalidades. Seria possível fazer uma lista extensa do que é varrido para debaixo do tapete ou tratado com imensa superficialidade, mesmo que seja assunto abundantemente abordado pelas mídias.


Um exemplo, apenas para ilustrar, é o modo que o crime é tratado pelas grandes mídias. A lógica usada é a mesma dos filmes de ação. Mocinhos e bandidos são exibidos com garbo, nem sempre é claro quem é quem. Não parece estranho, a você leitor, pessoas andando nas ruas das grandes e médias cidades brasileiras e nas suas comunidades pobres portando armas de guerra? Não é ainda mais esquisito o fato de não haver uma guerra para valer, como existe na Colômbia? E o que dizer das balas tracejantes que sobrevoam sua casa, iluminando o céu como fogos de artifício? E os helicópteros com seu imenso ruído e com soldados armados até os dentes? Tudo isto é tratado como coisas absurdamente naturais, com as quais se devem comungar e aceitar com a (in)tranqüilidade possível ou impossível.


Você que chegou até aqui, deve estar pensando em inúmeros assuntos que gostaria de compreender melhor. Coisas que te disseram, mas não te convenceram, a não ser, em um primeiro momento. A intriga funciona assim. Inicialmente convence e mobiliza consciências. Depois, gera uma imensa frustração porque se descobre - quando acontece ou foi possível – o engano e a manipulação. A espiral da intriga tomou de assalto a sociedade brasileira e, com especificidades, o mundo atual. Facilmente, imagina-se que determinado assunto se está plenamente esclarecido. Em seguida, descobre-se que havia elementos antes desconhecidos ou censurados pelo poder de plantão.


O "deserto do real", em uma das expressões bombásticas de Zizek, surge, por vezes, em um átimo. Para nos segundos seguintes, esconder-se atrás da nuvem de preconceitos e irracionalidades que caracterizam as trocas comunicacionais e informacionais do tempo presente. As mídias muito comumente operam este jogo de luzes. As sociedades estão treinadas a aceitá-lo como natural. Afinal, ele é repetido incansavelmente até que acreditem na sua veracidade.


Quase sempre não é agradável ver o real de perto. O escritor esloveno tem razão. Ele é desértico. Suas cores são borradas pela intensa luminosidade que quase cega quem tem a coragem de se aproximar. É mais confortável viver na penumbra, sobretudo, se quase todos a vivem sem problemas como na famosa caverna de Platão. É difícil convencer a muitos que é melhor sair da caverna e ver a luz do Sol. Há quem prefira, como advertiu o velho sábio grego, a escravidão, os grilhões que atavam os habitantes do mesmo local.


A fuga do real é um problema humano, tão antigo como a própria humanidade. Entretanto, ninguém sobrevive, com dignidade, tendo uma vida só de ilusões. Elas não enchem a barriga, não protegem ninguém da natureza e nem da exploração do homem pelo homem. Manter-se indefinidamente nelas significa negar sua própria natureza e a capacidade de qualquer um conhecer e interpretar o mundo. Logo, se está de frente a um paradoxo, talvez insolúvel.


Existem os que escolhem o papel terrível de alienar, de tentar impedir de todo jeito que se possa compreender o que está em volta. Na outra ponta, felizmente, a crítica e os críticos fazem exatamente o contrário, em diversos espaços sociais. No mundo moderno, as possibilidades de esclarecer são infinitamente maiores do que no passado. Todavia, os meios do esclarecimento são os mesmos que servem para produzir descerebrados, pessoas que nada ou pouco reclamam, aceitando o destino como algo inexorável e impossível de mudar. Tudo depende de quem tem a propriedade ou consegue influenciar os meios humanos e técnicos de comunicação.




domingo, 28 de junho de 2009

Desenvolvimento sustentável: a importância da consciência e da gestão ambiental



* Por Maurício Novaes Souza

Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde” não havia preocupação com as questões ambientais. Os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. A partir da escassez dos recursos naturais, somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais, surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, ou limites do crescimento não foram observados, ultrapassaram-se a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002 elaborado pelo WWF. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares (ha) de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 ha de área produtiva per capita. Contudo, a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de ha para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 ha. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.

A Pegada Ecológica de 2,3 ha é uma média. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados de 1999 mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 ha e a dos norte-americanos de 9,6 ha. Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 ha – dentro da média mundial, está cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.

Quanto se fala em emissões de poluentes, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto daqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. Dessa forma, o grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente essa situação antes que seja demasiado tarde.

Viu-se no filme “Uma verdade Inconveniente” que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.

A conscientização ambiental de massa só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas. O meio ambiente natural é o fundamento invisível das diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar/conservar o meio ambiente é garantir a própria vida. Fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.

Mas, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente, pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. As sugestões encontradas nos modelos de gestão ambiental, além de despertarem a consciência ambiental que se faz indispensável nesse momento de crise, podem garantir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

Economia, Sociedade e Ambiente: realidade na sustentabilidade do desenvolvimento


* Por Maurício Novaes Souza

A triste, cruel e inquietante realidade ambiental vêm sendo ainda ignorada ou menosprezada pela maioria dos governos, das comunidades e de cada uma das pessoas. Torna-se cada vez mais evidente que a humanidade se defronta com um sério dilema nos tempos atuais. É preciso reiterar as análises críticas e perspectivas sobre a questão sócio-ambiental e sua inseparável relação com a dinâmica econômica dos países no mundo. O Brasil é um celeiro de biodiversidade; contudo, os sistemas produtivos apresentam medíocre e dicotômica relação economia-ambiente.

Não há dúvidas de que mecanismos para superação de quadros críticos relacionados à produção e ao uso dos recursos naturais vêm sendo desenvolvidos, implantados e aplicados, porém com uma velocidade e eficácia distante daquela necessária. Nesse sentido, não oponente às várias reuniões mundiais em que o tema meio ambiente era pauta, nos últimos anos a preocupação em alinhar necessidades de consumo e, ou, de produção com o uso dos recursos naturais, esteve e está presente.

Foi vinculado um laço de comprometimento conduzido por todos os “stakeholders” (partes envolvidas e interessados, tais como ONG’s, Corporações, Governos e Organismos Internacionais), de todo o mundo, provocando uma comoção internacional direcionada à relação economia-ambiente, que gerou reformulações quanto ao aspecto jurídico, político-social, econômico e, sobretudo, de mercado. É nesse viés que o surgimento de um novo paradigma sócio-ambiental é erguido para a condução do desenvolvimento sustentável.

Dessa forma, por ser uma ciência social aplicada, a Economia não se pode furtar da possibilidade de gerar limites e possibilidade para o planejamento de uma sociedade que vem usando ilimitadamente os recursos ambientais. Continuar agindo assim, seria uma sabotagem à sobrevivência humana. A partir de uma análise global na relação Economia–Ambiente, o debate está colocado. Faz-se fundamental a construção de uma sociedade composta por tecnologias limpas, processos produtivos sustentáveis, manutenção e preservação dos recursos naturais. Reivindicam-se uma reestruturação da sociedade moderna e, ou, pós-moderna, com características diferenciadas do que se vive na atualidade, bem como do setor produtivo, dos agentes econômicos e do governo, junto à concepção de gestão ambiental e responsabilidade sócio-ambiental.

Nesse sentido, há de se considerar a importância de se conhecerem os princípios básicos que regem o meio ambiente e como as atividades humanas podem interferir. Isto pode ser observado como um dos resultados do processo de globalização, onde a relação de mercado não considera a dinâmica ambiental ou as transformações ambientais decorrentes do uso dos recursos naturais como um elemento de análise estrutural e conjuntural. Este cenário é devidamente aplicado ao contexto mundial e, sobretudo, brasileiro, quando emerge essa nova intenção mercadológica em face às questões que envolvem crescimento e desenvolvimento econômicos, a questão ambiental e o princípio de desenvolvimento sustentável.

De acordo com Rafael Vieira - economista, consultor em Meio Ambiente (Enviromental Consultant in Offshore) e professor da UniverCidade e da UNIGRANRIO - no Brasil, a absorção de um “novo paradigma sócio-ambiental” é reiterada pelo segmento empresarial que sabe que os mecanismos para ingressar e permanecer no mercado são essenciais. A esse respeito também é importante ressaltar que as oportunidades que revelam a fundamental mudança de atitude, no caso brasileiro, como as de implantação de modelos de gestão ambiental e de implementação das normas referentes à segurança no trabalho, com respeito às questões sociais, estão diretamente ligadas ao meio ambiente e geram oportunidades nas dimensões do espaço econômico.

Assim, segundo esse mesmo autor, não furtando a existência de uma concepção com tendência implícita essencialmente na lógica de mercado, o setor privado propôs assumir o princípio do desenvolvimento sustentável, considerando a premissa que a sua base é um sistema de mercados abertos e competitivos em que os preços refletem com as transparências dos custos, inclusive os ambientais: a competição estimula os produtores a usar o mínimo de recursos, reduzindo o avanço sobre os sistemas naturais. Também os estimula a minimizar a poluição, se são obrigados a pagar pelo seu controle e pelos danos causados ao meio ambiente. Deverão promover a criação de novas tecnologias para tornar a produção mais eficiente do ponto de vista econômico e ambiental. Faz-se também, fundamental, a internalização das externalidades positivas.

Enfim, não há, portanto, qualquer desconfiança de que o mercado brasileiro e o mundial foram direta ou indiretamente pressionados para apresentar uma nova identidade e coexistir na sua lógica com o uso dos recursos naturais, remetendo-se a outros conceitos inerentes à dinâmica de mercado atual, que são a responsabilidade social e a responsabilidade ambiental. A postura do setor privado em destacar o planejamento ambiental junto ao seu projeto de desenvolvimento é, atualmente, uma das vertentes de adequação e adoção de um novo paradigma sócio-ambiental - deverá incluir os aspectos ecológico-econômico, jurídico-ambiental, social e político para a geração da sustentabilidade e do desenvolvimento.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PAISAGISMO URBANO E RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS


* Por Maurício Novaes Souza1; Jhennifer Alves Pereira Mata2 e Mauro César Martins3

O ser humano foi capaz de conviver “harmoniosamente” com o planeta Terra por muitos anos. No entanto, embora haja uma grande fronteira “dominada” pelo homem, podem-se observar a aglomeração da população mundial em centros urbanos. Ao contrário dos ambientes naturais, as cidades apresentam artificialidades, tais como: forte impermeabilização do solo; abundância de materiais altamente refletores, absorventes e transmissores de energia; excessivo consumo de energia e matéria, com correspondente geração de resíduos; poluição atmosférica, hídrica, sonora e visual.

Tais características afetam negativamente o ambiente urbano - em consequência, a qualidade de vida das pessoas. Este fato é agravado pela desenfreada devastação da vegetação ao redor dos centros urbanos e pela deficiência na implantação de áreas verdes no seu interior. A presença de árvores, além de diminuir a poluição, traz benefícios em relação à saúde e ao bem-estar da população, podendo ocasionar zonas de conforto térmico. Altas temperaturas afetam significativamente a temperatura no corpo humano e a freqüência respiratória, podendo causar estresse e redução no rendimento das atividades humanas. Em vegetais e animais, o desconforto térmico ocasiona redução ao seu desenvolvimento, o torna suscetível a pragas e doenças, gerando prejuízos econômicos. Daí a importância da presença de árvores nos meios urbanos.

Contudo, o paisagismo não é apenas a criação de jardins por intermédio do plantio desordenado de algumas plantas ornamentais. É uma técnica artesanal aliada à sensibilidade, que procura reconstituir a paisagem natural dentro do cenário devastado pelas construções. Requer conhecimentos de botânica, ecologia, variações climáticas regionais e estilos arquitetônicos, sendo também importante o conhecimento das compatibilidades plásticas para o equilíbrio das formas e cores.

A finalidade do paisagismo é a integração do homem com a natureza, facultando-lhe melhores condições de vida pelo equilíbrio do meio ambiente. Ele abrange todas as áreas onde se registra a presença do ser humano. Até mesmo nos desertos se é notada a presença dos seres humanos nos oásis, onde existe vegetação nativa ligada à água. Desde as áreas rurais até as regiões metropolitanas, o paisagismo deve atuar como fator de equilíbrio entre o homem e o ambiente.

A manutenção de áreas verdes nas grandes indústrias influencia positivamente para o aumento da produção, chegando a assegurar uma diminuição nos índices de acidentes de trabalho. Uma paisagem mais amena nas áreas das fábricas, suavizando a artificialidade metálica dos maquinários de trabalho, diminui a tensão dos trabalhadores. O paisagismo urbano tem por objeto os espaços abertos (não construídos) e as áreas livres, com funções de recreação, amenização e circulação, entre outras, sendo diferenciada entre si pelas dimensões físicas, abrangência espacial, funcionalidade, tipologia ou quantidade de cobertura vegetal.

A criação de jardins internos, nas residências ou em áreas comerciais, comprova a necessidade do ser humano em manter-se ligado à natureza. Embora haja uma política crescente com relação à criação de parques, praças e avenidas arborizadas, ainda faltam estudos sobre quais espécies são mais indicadas para compor estas áreas/faixas verdes. Algumas espécies apresentam melhores condições morfológicas para serem plantadas em centros urbanos, visando seu efeito na temperatura e umidade relativa do ar.

Para cada projeto de paisagismo, existem fatores a se considerar, tais como: o porquê de implantar, onde implantar, como implantar, como manter, que estilo, que cores e quais as características desejáveis das plantas. Para a arborização de ruas, normalmente cada cidade tem suas regras e modelos estabelecidos por profissionais da área, que irão avaliar ruas, avenidas, praças, parques, jardins públicos e, após, implantar seu projeto de forma mais adequada às condições da cidade. Quanto a jardins de prédios, de casas, de indústrias ou escritórios, escolas e clubes particulares, há uma série de outros fatores relevantes, e normalmente há mais maleabilidade na realização do projeto.

Com relação aos ecossistemas aquáticos e os conflitos com a obrigatoriedade de preservação da qualidade hídrica dos mananciais, a ocupação urbana promove o crescente desmatamento e a impermeabilização do solo. O resultado disso se traduz no assoreamento de rios e córregos com a freqüência ainda maior de cheias e inundações, que atingem exatamente os estratos mais pobres da população. As funções ecológicas das áreas verdes urbanas auxiliam na prevenção, minimização ou reversão dos processos de degradação, promovendo a recuperação e conservação ambiental.


* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Tecnóloga e Bacharelanda em Agroecologia do IFET/RIO POMBA. E-mail: jhenniferalpem@yahoo.com.br.
3. Zootecnista, Especialista em Gestão Ambiental e Técnico de Laboratório do IFET/RIO POMBA. E-mail: mcmsagrado@yahoo.com.br

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