sexta-feira, 23 de setembro de 2011

“Um planeta faminto”


* Débora Ribeiro Gonçalves

Introdução:

Originalmente desenvolvido pela Basf, o vídeo, “Um planeta faminto e a Agricultura Brasileira”, divulga diferentes dados sobre o agronegócio brasileiro, ressaltando sua importância para o nosso país, e inclusive em nível global, além de fazer uma homenagem aos nossos agricultores.

Desenvolvimento:

Segundo dados da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), a produtividade brasileira aumentou em 2,5 vezes de 1976 a 2010. Seria fantástico imaginar tal fato se não soubéssemos que o avanço desenfreado da produção agrícola tradicional, causa desastrosos impactos ambientais.

É curioso assistir a um vídeo desenvolvido por uma indústria de Agrotóxicos, que fala sobre energias renováveis, preservação da vegetação nativa e desenvolvimento sustentável. É preciso produzir sim, a demanda por alimentos é cada vez maior. Mas até quando dessa forma? Até quando o “planeta aguentará” se desenvolver de acordo com a sustentabilidade proposta pela Basf?

“Obrigado Agricultor”! Bela homenagem... porém ilusória. Além de “esmagar” o pequeno agricultor, favorecendo as grandes empresas a dominarem o mercado, o agronegócio, pouco favorece a diminuição dos índices de pobreza e fome.

Conclusão:

Acredita-se que o Brasil tenha terras e agricultores suficientes para atender a demanda mundial por alimentos, de forma realmente sustentável. Trabalhando lado a lado a produtividade, a preservação da biodiversidade dos agroecossistemas e a questão ético social, é possível garantir alimentos de qualidade e elevado padrão de vida a todos nós e às nossas gerações futuras. Aposta-se no que até hoje é chamado por muitos de novo paradigma, a Agroecologia!


Aluna: Débora Ribeiro Gonçalves

Curso: Bacharel em Agroecologia

Disciplina: Agrometeorologia

Professor: Maurício Novaes

Período: 2° - 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Manejo de microbacias hidrográficas


* Joara Secchi Candian

INTRODUÇÃO

A ocupação predatória, o uso indiscriminado de insumos químicos e o manejo inadequado dos solos e das águas resultaram na degradação dos recursos naturais.

O grande volume de recursos públicos alocado no fomento à modernização da agricultura, ao mesmo tempo em que propiciou alterações na sua base técnica, provocou a ampliação do nível de concentração fundiária, a liberação de mão-de-obra do campo e a intensificação do êxodo rural, além de agravar os problemas ambientais.

Simultaneamente à crise econômica dos anos 1980, ampliou-se no país o nível de conscientização relativo aos graves problemas ambientais provocados pela agricultura moderna. A intensificação dos processos erosivos, o assoreamento de cursos d’água, a redução da biodiversidade, a grande dependência da aplicação de fertilizantes químicos nas lavouras e a contaminação de mananciais, alimentos e pessoas em decorrência do uso indiscriminado de agrotóxicos, passaram a suscitar questionamentos sobre a chamada agricultura moderna.

As microbacias são consideradas áreas de captação, armazenamento e escoamento de águas. O manejo inadequado dessas áreas causa erosão, assoreamento ou perda da mata ciliar. Existem alternativas acessíveis ao pequeno produtor para manejar esses espaços.

Para a realização de um planejamento mais racional de uma microbacia hidrográfica, deve-se ter em mente a complexidade dos elementos que interagem no meio físico. Aspectos físicos como solo, clima e topografia se somam à presença humana na área. Assim, situações sociais, econômicas e culturais compõem com a área física, diferentes padrões que devem ser levados em consideração para obter-se resultados mais aceitáveis.

DISCUSSÃO

As microbacias hidrográficas compreendem superfícies que variam de 700 a 10 mil hectares. São áreas situadas entre os fundos de vale e os espigões divisores de água. Nas estratégias técnicas dos programas de microbacias hidrográficas, além da execução de terraços, da recomposição de matas ciliares e do cercamento das áreas de preservação permanentes (APPs), se procura aumentar a cobertura vegetal dos solos, ampliar a infiltração de água no perfil do solo, diminuir o escoamento superficial e controlar a poluição das águas e dos solos.

Os limites da microbacia hidrográfica respeitam a integração das várias sub-bacias que representam a bacia hidrográfica “principal”. A microbacia funciona como unidade de trabalho adequada ao planejamento de ações relativas ao equilíbrio ambiental, com as técnicas e investimentos, contextualizados a política no nível local, uma vez que reflete a região onde está inserida, desde o ambiente hidrológico do complexo regional até o padrão de ocupação das terras.

Um conceito importante atribuído às microbacias é o ecológico, que considera a menor unidade do ecossistema onde pode ser observada a delicada relação de interdependência entre os fatores bióticos e abióticos, sendo que perturbações podem comprometer a dinâmica de seu funcionamento. Esse conceito visa à identificação e o monitoramento de forma orientada dos impactos ambientais.

A Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, incorpora princípios e normas para a gestão de recursos hídricos adotando a definição de bacias hidrográficas como unidade de estudo e gestão. Assim, é de grande importância para gestores e pesquisadores a compreensão do conceito de bacia hidrográfica e de suas subdivisões.

Conhecer detalhes sobre as condições existentes na área da microbacia hidrográfica é o ponto de partida para a avaliação das atividades praticadas nela, sobretudo no que se refere à relação entre os sistemas de uso da terra e a exploração que se faz dos recursos naturais. Por isto um diagnóstico sobre o estado atual e as tendências de disponibilidade e qualidade desses recursos é visto como forma científica e prática para avaliar as interações dos fatores antrópicos com os naturais nas possíveis ameaças à integridade ecológica e a sustentabilidade social e econômica dos empreendimentos, mas, sobretudo, da área como um todo.

Nas microbacias estão localizadas as nascentes dos córregos, que compõem, junto com os rios dos quais são tributários, os sistemas de drenagem de uma determinada região. Assim, as intervenções no nível da microbacia visam atenuar os impactos gerados pela ação humana nas cabeceiras dos rios, como forma de beneficiar tanto a população da área rural, quanto às populações das cidades, geralmente localizadas a jusante das bacias.

As microbacias hidrográficas muitas vezes transcendem os limites político-administrativos que separam os municípios, englobando vários deles. Por isso, o manejo dos recursos naturais tomando a microbacia como unidade de planejamento tem sido centralizado e gerenciado por órgãos públicos estaduais ou por consórcios intermunicipais de recursos hídricos.

O problema da gestão de bacias hidrográficas surge principalmente por causa do uso das terras do entorno dos cursos d’água que formam as microbacias, pois nelas ocorre a implantação de projetos que não oferecem a mínima atenção à conservação desses cursos, por conseguinte prejudicando a sustentabilidade regional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim posto, é evidente que uma proposta dependerá, em muito da mudança de hábitos e costumes do homem do campo que, por intermédio de determinadas ações, poderá ser levado, aos poucos, a alterar seu modo de vida, às vezes, um pouco individualista, para buscar ações mais coletivas, lucrando ele, o meio ambiente e, enfim, a sociedade como um todo.

O mau uso do solo agregado a um contínuo processo de desmatamento tem proporcionado um rápido assoreamento de grande parte dos leitos fluviais colocando em risco toda esta malha hidrográfica. A adoção de práticas isoladas de conservação de solo, as quais desprovidas de uma correta orientação, somadas a uma excessiva utilização de maquinário no solo têm sido, talvez, as maiores responsáveis pela degradação deste recurso natural.

Recuperar, manejar e/ou conservar uma microbacia hidrográfica inclui verificar em seu interior, os limites político-administrativos existentes e a concentração de hortas, culturas de ciclo curto e perene, criação de gado, assim como, indústrias, aglomerados urbanos, balneários e mananciais hídricos: desde a nascente até a foz do curso principal e de seus afluentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, Antonio José Faria de. Projeto de Recuperação, Conservação e Manejo dos Recursos Naturais em Microbacias Hidrográficas. In: Programa Gestão Pública e Cidadania. Urupena – SC, 1999.

FITZ, Paulo Roberto. Manejo de Microbacias Hidrográficas a partir da Utilização das Técnicas de Geoprocessamento. Um Estudo de Caso: A Area Piloto do Programa Pró-Guaíba. VII Conferencia Iberoamericana sobre Sistemas de Información Geográfica. Mérida – Venezuela, 1999.

HESPANHOL, Antonio Nivaldo. Manejo sustentável de recursos naturais: o programa de microbacias hidrográficas na região de presidente prudente - São Paulo – Brasil. X Colóquio Internacional de Geocrítica, Universidade de Barcelona, Barcelona - Maio/2008.

SILVA, Ismael Matos da, et. al. Recuperação, manejo e conservação d e microbacias hidrográficas em Igarapé-Açu (PA): Considerações sobre uso de sistemas agroflorestais. VLVI Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural. Rio Branco – Acre, Julho/2008.

SILVA, Mauricília Pereira. Manejo de microbacias hidrográficas é tema do programa de rádio Prosa Rural. In: Prosa Rural. Embrapa/Acre, Maio/2006.

TEODORO, Valter Luiz Iost, et. al. O conceito de bacia hidrográfica e a importância da caracterização morfométrica para o entendimento da dinâmica ambiental local. In: Revista Uniara, n. 20, 2007.



* Bacharel em Agroecologia – 6º período - Instituto Federal Sudeste de Minas campus Rio Pomba.

Disciplina: Manejo de microbacias hidrográficas.

Profº.: Maurício Novaes Souza

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A insistência no desenvolvimento insustentável ... existe alternativa?

* Por Mauricio Novaes Souza e Vilmar Berna

O Brasil, e o mundo, caminham para o crescimento deseconômico. É realmente uma alienação sem limites o que parte da humanidade vem fazendo com o meio ambiente ... Interferirá em sua própria sobrevivência. Alguns chamam tal condição de progresso, eu os qualifico de falso progresso ou simplesmente desenvolvimento insustentável. Muitos, menos informados ou com visão de curto prazo, teimam em chamar de crescimento econômico ou desenvolvimento sustentável. Para quem desconhece a expressão “crescimento deseconômico”, segue a definição do economista Herman Daly:

Crescimento deseconômico ocorre quando aumentos na produção se dão à custa do uso de recursos e sacrifícios do bem-estar que valem mais do que os bens produzidos. Isso decorre de um equilíbrio indesejável de grandezas denominadas utilidade e desutilidade. Utilidade é o nível de satisfação das necessidades e demandas da população; ou seja, o seu nível de seu bem-estar. Desutilidade se refere aos sacrifícios impostos pelo aumento de produção e consumo. Pode incluir o uso de força de trabalho, perda de lazer, esgotamento de recursos, exposição à poluição e concentração populacional.

Nos dias atuais, da forma como o capitalismo tem se mostrado, mesmo com todos os movimentos que estimulam a busca de um modelo responsável de produção e consumo, parece impossível construir um desenvolvimento sustentável sem uma educação para esse fim. De acordo com Claudemiro Godoy do Nascimento, Filósofo e Teólogo, Mestre em Educação pela Unicamp e Professor da Universidade Estadual de Goiás, esse desenvolvimento sustentável requer quatro condições básicas para se efetivar no cotidiano das pessoas: 1) que seja economicamente factível; 2) que seja economicamente apropriado; 3) que seja socialmente justo; 4) e que seja culturalmente equitativo, respeitoso e sem discriminação de gênero.

O desenvolvimento sustentável, mais do que um conceito científico, é uma idéia mobilizadora que surgiu pela primeira vez em 1987 (Relatório Brundtland) e que ganhou adeptos nesse início do Século XXI. As pessoas e a sociedade civil, em parceria com o Estado, precisam dar sua parcela de contribuição para criar cidades e campos saudáveis, sustentáveis, com qualidade de vida. Nesta perspectiva, conclui-se que não pode haver desenvolvimento sustentável sem uma sociedade sustentável, cujas características são (Nascimento, 2009):

· Promoção da vida para desenvolver o sentido da existência: Deve-se partir de uma visão sistêmica e holística que vê a terra como único organismo vivo, de onde tiramos nosso sustento;

· Equilíbrio dinâmico para desenvolver a sensibilidade social: Entender a necessidade do desenvolvimento, mas com a conservação e a preservação dos ecossistemas;

· Congruência harmônica que desenvolve a ternura e o estranhamento: Significa sentirem-se como mais um ser - embora privilegiado - do planeta, convivendo com outros seres animados e inanimados;

· Ética integral: Deve ser entendida como conjunto de valores - consciência ecológica - que dá sentido ao equilíbrio dinâmico e a congruência harmônica e capacidade de auto-realização;

· Racionalidade intuitiva: A racionalidade técnica que fundamenta o desenvolvimento desequilibrado da economia clássica precisa ser substituída pela racionalidade emancipadora, intuitiva, que conhece os limites da lógica e não ignora a afetividade, a vida, a subjetividade, dando fim às desigualdades sociais;

· Consciência planetária que desenvolve a solidariedade planetária: Reconhecermos que somos parte da Terra e que podemos viver com ela em harmonia.

De fato, nosso futuro comum depende de nossa capacidade de entender hoje a situação dramática na qual se encontra o “Planeta Terra” devido a deteriorização do meio ambiente... Isto requer a formação de uma nova consciência planetária. Contudo, o problema está na nossa condição cultural.... parar ou mudar o foco parece algo impensável... está marcado em nós, sujeitos em uma sociedade capitalista, que temos sempre que "crescer", a sociedade precisa "crescer", a economia precisa "crescer", "desenvolver" ...ilimitadamente. Sempre há "algo a mais" a ser descoberto, criado, realizado, apreendido e transformado – infelizmente em mercadorias e commodities. Porém, tudo isso tem um "custo" - desde a produção de alimentos, nada é "criação espontânea" - todos sabemos, a fonte de tudo, são os recursos naturais.

Infelizmente, diante da ganância e do egoísmo; da indiferença; da transferência, que nos faz achar que o mundo melhor que queremos e merecemos deve começar no outro; da reclamação sem ação, que passa a falsa idéia de se estar fazendo alguma coisa simplesmente pelo ato de se queixar; do medo, que nos faz recusar o novo mesmo quando o velho já demonstra não servir mais; da falta de competência e criatividade para percorrer novos caminhos; da falta de sonhos, que nos permite imaginar que as coisas podem mudar! Se o mundo fosse feito apenas de pessoas assim, então não haveria lugar para as soluções, por que essas pessoas são o problema ou fazem parte dele!

Felizmente, existem pessoas que não desistiram de sonhar e, por causa disso, são criativas, empreendedoras, persistentes diante das dificuldades! São pessoas que não se movem apenas por dinheiro ou diante da expectativa de ganhar alguma vantagem pessoal e por isso são solidárias e conseguem olhar a floresta além das árvores! Graças a elas, que fazem parte da solução, ainda podemos ter esperança!

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental, e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IF Sudeste MG campus Rio Pomba. www.mauriciosnovaes.blogspot.com.


Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br ).

Resenha: Biografia do Abismo

Resenha:  Biografia do Abismo Autores: Graciandre Pereira Pinto Maurício Novaes Souza Título do livro: Biografia do Abismo   Referência ...