Crise de percepção e de valores: mudanças climáticas e seus efeitos sócio-ambientais



*por Maurício Novaes Souza

As mudanças climáticas e seus efeitos estão nas notícias de toda a imprensa mundial. Isso porque o seu agravamento se acelerou em quase todos os últimos 30 anos. De fato, o sistema climático está mudando na direção do aquecimento do planeta. Ou seja, vivem-se essa realidade e poucos sabem o que está acontecendo. Esse artigo tem a intenção de apresentar uma fotografia instantânea do aquecimento global para ajudar na compreensão do que são e quem são os responsáveis pelas questões climáticas. Muitas respostas ainda não existem, mas a verdade é que o desmatamento e a poluição continuam aumentando, acelera-se a acidez dos oceanos, e se agravam a frequência de eventos climáticos extremos.

A cada dia, temos a sensação de que vivemos uma catástrofe nova; ou simplesmente nos perguntamos se já vimos tais cenas degradantes no ano anterior, como no caso das enchentes! Será que elas só acontecem nos dias atuais? De fato, o planeta Terra conheceu no passado catástrofes naturais, como o fim da época primária que significou a destruição de 95% das espécies vivas. A novidade é que hoje está a caminho uma catástrofe resultante do acelerado desenvolvimento humano. O consumo excessivo associado ao total descuido é um processo combinado que culminará com a destruição do planeta. Sugere-se que ocorrerá uma catástrofe geral ou várias catástrofes combinadas.

Ou seja, a permanecer como está, o desastre se anuncia. Ficam, então, duas perguntas: o povo, o governo, sabe o que está acontecendo com relação às mudanças climáticas? É possível reverter tal situação? As respostas são ainda imprecisas, mas não se sabe efetivamente como... Mas se tem a certeza que não será fácil. Primeiro porque não se podem mudar os fatos a partir de uma decisão pessoal, ou mesmo de uma “única” decisão coletiva. Sabe-se que toda grande mudança tem um peso e uma forma: por exemplo, as denúncias contra a mundialização do capitalismo são boas, mas não basta denunciar, é preciso anunciar. Há de se considera que a enunciação não é um programa, é uma ideia mestra. Por exemplo, deve-se insistir sobre a qualidade da vida, não sobre a quantidade. Fica outra pergunta: qual deverá ser a política da civilização para se atingir o tão desejado equilíbrio sócio-ambiental? Com certeza, o rumo não é esse que estão se seguindo... Precisam-se buscar e seguir caminhos que sejam sustentáveis.

Na conferência do clima realizada na Dinamarca, no mês de dezembro passado, falaram do clima de desesperança que pesa sobre a humanidade. De fato, vivem-se uma enorme crise de percepção. As empresas/indústrias querem produzir cada vez mais, o sistema financeiro ganhar também cada vez mais, e a população aceita esse modelo com naturalidade – esperam que os políticos façam algo para mudar. Mas será que a política pode reverter tal processo? Será que os políticos têm interesse de que tal processo se reverta? Quem sabe!!! As velhas gerações têm a sensação de que foram enganadas por promessas que anunciavam uma sociedade democrática, harmoniosa, civilizada; no progresso como lei da história. Tudo isso se desintegrou e hoje os jovens estão totalmente alienados e desorientados: de fato, vive-se uma enorme crise de percepção associada a uma maior ainda crise de valores. Como resultado, uma crise sócio-ambiental sem precedentes.

Sabe-se que, historicamente, apenas a política não é capaz de trazer harmonia. É preciso que se tenham momentos de grandeza para que haja esperança. E os intelectuais, a academia, o comércio e a indústria, a comunidade, o que devem fazer? O papel de todos é fundamental. Devem colocar sobre a mesa os problemas fundamentais, e não fazê-lo de maneira superficial como vem sendo feito. Está havendo excesso de postergação. O governo brasileiro já conhece o problema das mudanças climáticas e o efeito que terá no clima, na economia e na sociedade brasileira em geral. O passo seguinte é que coordene uma iniciativa que faça frente ao fenômeno, envolvendo toda a sociedade, já que o problema afetará a todos.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É Diretor Geral do IF SEMG campus São João del-Rei. E-mail: mauricios.novaes@ifsudeste.edu.br.

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