Mudanças Climáticas: crise de percepção e seus efeitos ambientais



*por Maurício Novaes Souza

As mudanças climáticas e seus efeitos estão nas notícias de toda a imprensa mundial. Isso porque o seu agravamento se acelerou em quase todos os anos desde 1980. De fato, o sistema climático está mudando na direção do aquecimento do planeta. Ou seja, vivemos essa realidade e poucos sabem o que está acontecendo. Esse artigo tem a intenção de apresentar uma fotografia instantânea do aquecimento global para ajudar na compreensão do que são e quem são os responsáveis pelas questões climáticas. Muitas respostas ainda não existem, mas a verdade é que o desmatamento e a poluição continuam aumentando, acelera-se a acidez dos oceanos, e se agravam a frequência de eventos climáticos extremos.

A cada dia, temos a sensação de que vivemos uma catástrofe nova; ou simplesmente nos perguntamos se já vimos tais cenas degradantes no ano anterior, como no caso das enchentes! Será que elas só acontecem nos dias atuais? De verdade, o planeta Terra conheceu no passado catástrofes naturais, como o fim da época primária que significou a destruição de 95% das espécies vivas. A novidade é que hoje está a caminho uma catástrofe resultante do acelerado desenvolvimento humano. Um processo combinado de destruição do planeta que nos leva a uma catástrofe geral ou a várias catástrofes combinadas.

O desastre, então, anuncia-se. Fica, então, uma pergunta: é possível mudar? Ainda não se sabe como, mas não será nada fácil. Primeiro porque não podemos mudar os fatos a partir de uma decisão pessoal, ou mesmo de uma “única” decisão coletiva. Sabemos que toda grande mudança tem um peso e uma forma: por exemplo, as denúncias contra a mundialização do capitalismo são boas, mas não basta denunciar, é preciso anunciar. A enunciação não é um programa, é uma ideia mestra. Por exemplo, devemos insistir sobre a qualidade da vida, não sobre a quantidade. Qual deverá ser a política da civilização? Com certeza precisamos buscar e seguir caminhos que sejam sustentáveis.

Na conferência do clima realizada na Dinamarca, no mês de dezembro, falaram do clima de desesperança que pesa sobre nós. De fato, vivemos uma enorme crise de percepção. Dessa forma, será que a política pode nos tirar este peso? Quem sabe!!! As velhas gerações têm a sensação de que foram enganadas em promessas que anunciavam uma sociedade democrática, harmoniosa, civilizada; no progresso como lei da história… Tudo isso se desintegrou e hoje os jovens estão totalmente desorientados.

Não penso que a política sozinha possa dar a harmonia. É preciso que tenhamos momentos de grandeza para que haja esperança. E os intelectuais, a academia, o IF SEMG, o comércio e a indústria, a comunidade, o que devem fazer? O papel de todos é fundamental. Devem colocar sobre a mesa os problemas fundamentais, e não fazê-lo de maneira superficial. O governo brasileiro já conhece o problema das mudanças climáticas e o efeito que terá no clima, na economia e na sociedade brasileira em geral. O passo seguinte é que coordene uma iniciativa que faça frente ao fenômeno, envolvendo toda a sociedade, já que o problema afetará a todos.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É Diretor Geral do IF SEMG campus São João del-Rei. E-mail: mauricios.novaes@ifsudeste.edu.br.
PUBLICADO: FOLHA DAS VERTENTES, 19-02-2010.

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