terça-feira, 25 de agosto de 2009

A superpopulação, o modelo de crescimento e a importância da consciência ambiental


* Por Maurício Novaes Souza1 e Maria Angélica Alves da Silva2


Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde” não havia preocupação com as questões ambientais. Isso porque os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. Com o crescimento acelerado e desordenado da produção e da população humana mundiais, que resultaram na aceleração dos impactos e degradação ambientais, o resultado que se tem é a escassez dos recursos naturais. Surge então, recentemente, o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e perceber a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

Cabe considerar o conceito “Limites do Crescimento” - de acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, como estamos usando os recursos além de sua capacidade produtiva, significa que os limites do crescimento não foram observados, ultrapassaram-se a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002 elaborado pelo WWF. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares (ha) de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 ha de área produtiva per capita. Contudo, a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de ha para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 ha; ou seja, essa é a pegada ecológica de um dos habitantes do Planeta. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica, nos dias atuais, é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.

A Pegada Ecológica de 2,3 ha é uma média. Há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados de 1999 mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 ha e a dos norte-americanos de 9,6 ha. Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 ha – dentro da média mundial, está cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta; ou seja, vivemos a época do horror econômico e ambiental – a época do contra senso.

De acordo com Konrad Zacharias Lorenz, que criou o conceito de "imprinting", ou cunhagem, todos os dons recebidos pelo homem por intermédio de seu profundo conhecimento da natureza e de seus progressos advindos do desenvolvimento tecnológico, nos mais diversos setores, tais como a química, a informática e a medicina, tudo aquilo que parecia poder atenuar o sofrimento humano, tende, por um espantoso paradoxo, a arruinar a humanidade. Segundo esse mesmo autor, ela ameaça fazer algo que, normalmente, não costuma acontecer em outros sistemas vivos, ou seja, sufocar a si mesma. O pior, nesse processo apocalíptico, é que as qualidades e as faculdades mais nobres do homem são as que parecem destinadas a desaparecer em primeiro lugar, justamente aquelas que mais estimamos, e que são, com justeza, as mais especificamente humanas.

Segundo esse autor, os que vivem em países civilizados de grande densidade demográfica, ou mesmo em grandes cidades, não se têm idéia do quanto nos falta o amor ao próximo, sincero e caloroso. É preciso ter pedido hospitalidade numa região pouco habitada, onde vários quilômetros de estrada ruim separam vizinhos uns dos outros, para medir o quanto o ser humano é hospitaleiro e capaz de simpatizar com os outros quando suas faculdades de contato não são constantemente e excessivamente solicitadas. Na verdade, para esse autor, o ajuntamento humano nas cidades modernas é em grande parte responsável por não sermos mais capazes de distinguir o rosto do próximo nessa fantasmagoria de imagens humanas que mudam, se superpõem e se apagam continuamente. Diante dessa multidão e dessa promiscuidade, nosso amor pelos outros se desgasta a tal ponto que os perdemos de vista. Os que querem ainda ter para com seus semelhantes sentimentos calorosos e benévolos são obrigados a se concentrar em um pequeno número de amigos.

Em artigo recente do jornalista Fernando Martins, “O mito do homem bom e do homem mau”, uma pergunta inicial: o ser humano é bom ou mau por natureza? A resposta a essa pergunta, tão antiga como o homem, moldou todas as instituições políticas e econômicas atuais e a forma como elas nos governam. Também ajudou a reforçar mitos dos quais a sociedade atual não consegue escapar. O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588–1674) entendia que o homem é naturalmente egoísta. Para ele, sem um Estado forte que limite as pretensões individuais, haveria uma guerra de todos contra todos. Suas teorias justificaram o absolutismo dos reis europeus, e, posteriormente, todas as formas de autoritarismo e totalitarismo. Mas as idéias “atenuadas” de Hobbes de certa forma também inspiram nações democráticas que crêem no papel de um governo forte para definir os rumos de uma sociedade.

De fato, para Lorenz, nos é impossível amar toda a humanidade, apesar da justeza dessa exigência moral. Somos, portanto obrigados a fazer uma escolha, ou seja, a manter a distância, emocionalmente, numerosos seres dignos de nossa amizade. É um processo absolutamente inevitável para cada um de nós, mas já manchado de desumanidade. Levando mais adiante esse tipo de defesa voluntária contra as relações humanas, veremos que, de conformidade com os fenômenos de exaustão do sentimento, conduz às espantosas manifestações de indiferença que os jornais relatam diariamente. Quanto mais somos levados a viver na promiscuidade das massas, mais cada um de nós se sente acuado pela necessidade de não se envolver. É assim que hoje em dia os ataques à mão armada, o assassinato e o estupro podem acontecer em plena luz do dia, justamente no centro das grandes cidades, nas ruas cheias de gente, sem que sequer um “transeunte” intervenha. Amontoar os homens em espaços limitados leva de forma indireta a atos de desumanidade provocados pelo esgotamento e desaparecimento progressivo dos contatos, e é a causa direta de todo um comportamento agressivo.

Segundo esse mesmo autor, numerosas experiências realizadas em animais nos ensinaram que a agressividade entre congêneres pode ser estimulada amontoando-os em espaço limitado. Quem nunca teve experiência semelhante, quer em cativeiro, quer em situação análoga em que muitas pessoas vivem juntas por força das circunstâncias, não pode avaliar o grau de intensidade a que cega a irritabilidade. E se a pessoa tenta se controlar, se esmera no contato de cada dia, de cada hora, para ter uma atitude delicada e, portanto amigável, para companheiros pelos quais não tem qualquer amizade, a situação vira suplício. A falta de amabilidade generalizada, que podemos observar em todas as grandes cidades, é claramente proporcional à densidade das massas humanas aglomeradas em determinado lugar. Atinge proporções aterradoras nas grandes estações, ou nos terminais de ônibus e de metrô de Nova Iorque, Tóquio e São Paulo, por exemplo.

A superpopulação, que na verdade é produto das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde”, contribui diretamente para gerar todos os problemas, todos os fenômenos de decadência. Acreditar na possibilidade de produzir, graças a um “condicionamento” apropriado, um novo tipo de homem, armado contra as conseqüências nefandas do empilhamento num espaço limitado, me parece uma ilusão perigosa. Isso já é bem registrado em pesquisas com animais. De acordo com José Saramago, há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genômico. Há seis anos que a revista Science publicou um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

De acordo com Saramago, nas últimas décadas, o setor pecuário se transformou em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica “rocinha familiar” que os livros de texto na escola buscam descrever. Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos se concentram em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas às incomensuráveis granjas/depósitos fecais atuais, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agentes patogênicos à velocidade imprevisível, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários. Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

Voltando a falar de consumo de energia, tem-se de pensar em emissões de poluentes. Nesse aspecto, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto daqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. Dessa forma, o grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente essa situação antes que seja demasiado tarde.

A escritora Viviane Forrester, em seu livro “O horror econômico”, comenta: depois da exploração do homem pelo homem em nome do capital, o neoliberalismo e seu braço operacional, que é a globalização, criaram, mantêm e ampliam, em nome da sacralidade do mercado, a exclusão de grande parte do gênero humano. O próximo passo será a eliminação? Caminhamos para um holocausto universal, quando a economia modernizada terá repugnância em custear a sobrevivência de quatro quintos da população mundial? Depois de explorados e excluídos, bilhões de seres humanos, considerados supérfluos, devem ser exterminados? Diante a situação em que vivemos, o raciocínio é bem mais do que uma hipótese.

Viu-se no filme “Uma verdade Inconveniente” que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural e dos rumos ditados pelos modelos de desenvolvimento econômico. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Como diz Leonardo Boff, devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.

A conscientização ambiental de massa só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas, que é o fundamento invisível das diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar/conservar o meio ambiente é garantir a própria vida. Fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.

Mas, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente: pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. As sugestões encontradas nos modelos de gestão ambiental, além de despertarem a consciência ambiental que se faz indispensável nesse momento de crise, podem garantir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável.

* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Pedagoga e Especialista em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É professora das disciplinas Sociologia e Artes do IFET - Rio Pomba. E-mail: gecamau@yahoo.com.br.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A importância da consciência e da gestão ambiental para o desenvolvimento sustentável


* Por Maurício Novaes Souza

Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde” não havia preocupação com as questões ambientais. Os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. A partir da escassez dos recursos naturais, somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais, surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

De acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, ou limites do crescimento não foram observados, ultrapassaram-se a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002 elaborado pelo WWF. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4 bilhões de hectares (ha) de terra e espaço marinho produtivos - ou 1,9 ha de área produtiva per capita. Contudo, a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de ha para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 ha. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos.

Segundo essa mesma autora, a Pegada Ecológica de 2,3 ha é uma média. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados de 1999 mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 ha e a dos norte-americanos de 9,6 ha. Embora a Pegada brasileira seja de 2,3 ha – dentro da média mundial, está cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.

Quanto se fala em emissões de poluentes, as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: um cidadão médio norte-americano, por exemplo, responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono; um britânico, por 9,2 toneladas; um chinês, por 2,5; um brasileiro, por 1,8; já um ganês ou um nicaragüense, só por 0,2; e um tanzaniano, por 0,1 tonelada anual (Wolfgang Sachs, do Wuppertal Institute).

Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento - a ponto daqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. Segundo Sachs, 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países; no Japão, 50%; nos países Baixos, 70%. Dessa forma, o grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando, mas não agimos para mudar completamente essa situação antes que seja demasiado tarde.

Viu-se no filme “Uma verdade Inconveniente” que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora, mas se a água for aquecida gradualmente, ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. Hoje, grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos, esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Devemos exercer a cidadania planetária, e rapidamente.

De acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, a conscientização ambiental de massa só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas, que é o fundamento invisível das diferenças socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível, o meio ambiente não precisará mais de defensores. A sociedade já terá entendido que preservar/conservar o meio ambiente é garantir a própria vida. Fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde, e tudo mais. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos, matriz energética limpa e renovável, biodiversidade, a maior floresta do mundo, e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo.

Mas, ainda de acordo com Marilena Lino de Almeida Lavorato, se nada for feito de forma rápida e efetiva, as próximas gerações serão prejudicadas duplamente: pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. As sugestões encontradas nos modelos de gestão ambiental, além de despertarem a consciência ambiental que se faz indispensável nesse momento de crise, podem garantir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável.


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

O QUE É GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E QUAL A RELAÇÃO COM O TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO?

* por Claudemir Aparecido Neto Garcia1 e Maurício Novaes Souza



Nos dias atuais é gerada uma carga extremamente elevada de resíduos. Como agravante, milhares de toneladas de resíduos sólidos são muitas vezes despejados no meio ambiente diariamente, trazendo, dessa forma, drásticas consequências.

Providências urgentes têm que ser tomadas para reverter esse quadro, e a necessidade de mudança de conceitos e formas de tratar o assunto é premente para que sejam alcançados melhores resultados no manejo dos resíduos sólidos, principalmente na disposição final, segmento em que os dados são mais alarmantes.

A Gestão de Resíduos Sólidos (GRS) é um conjunto de atitudes (comportamentos, procedimentos, propósitos) que apresentam como objetivo principal, a eliminação dos impactos ambientais negativos, associados à produção e à destinação do lixo. Na ausência do gerenciamento de resíduos sólidos, a produção e a destinação do lixo podem conduzir aos seguintes problemas, entre vários outros: contaminação do solo com fungos e bactérias; contaminação das águas de chuva e do lençol freático; aumento da população de ratos, baratas e moscas, disseminadores de doenças diversas; aumento dos custos de produtos e serviços; entupimento das redes de drenagem das águas de chuva; assoreamento dos córregos e dos cursos d’água; incêndios de largas proporções e difícil combate; destruição da camada de ozônio, etc.

A gestão de resíduos sólidos pode diminuir, e em alguns casos evitar, esses impactos negativos, propiciando níveis crescentes de qualidade de vida, saúde pública e bem estar social, além de gerar uma redução das despesas de recuperação das áreas degradadas, da água, dos lençóis freáticos e do ar poluídos, possibilitando a aplicação desses mesmos recursos (econômicos) em outras áreas de interesse da população. Além disso, a GRS aplicada às indústrias e às fábricas reduz os custos de produção, possibilitando a recuperação de matérias-primas, aproveitáveis no processo de fabricação, ou comercializáveis para terceiros.

A gestão de resíduos sólidos é uma das maneiras mais diretas para minimizar os impactos ao meio ambiente. Também cabe ao técnico em segurança do trabalho, orientar sobre medidas que podem reduzir o desperdício. Como a empresa de um modo geral pode direcionar sua produção de um modo produtivo e de modo também que venha colaborar com o meio ambiente em geral como, por exemplo, reaproveitamento de material que foi rejeitado na produção para ser reciclados e aproveitados pelos outros setores evitando assim que seja descartado para o lixo.

Cada um de nós pode estar colaborando para que o descarte desses resíduos diminua. Comprando produtos ecologicamente corretos e que são produzidos por empresas que fabricam seus produtos com uma preocupação voltada para o meio ambiente e que, saibamos, tenham programas de controle voltados para as áreas de gestão ambiental como, por exemplo, a Petrobrás e a Natura.

* 1. Aluno do curso Técnico em Segurança no Trabalho do IFET SE campus Rio Pomba.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuidados importantes e medidas preventivas nas primeiras chuvas da primavera

* Por Maurício Novaes Souza

Durante a temporada seca nos esquecemos dos problemas associados aos excessos de chuvas ocorridos nos anos anteriores. Ao final de 2008 e início de 2009, em vários Estados e regiões do Brasil, aconteceram sérios desastres ambientais. As principais causas estão associadas à precipitação pluviométrica elevada e concentrada em um curto período de tempo. Apesar dos esforços das Prefeituras e de todos os serviços de prevenção, as consequências são: deslizamentos de encostas, extravasamento dos córregos e dos rios, destruição de estradas, soterramento e inundação de cidades e fazendas, famílias desabrigadas, carros alagados, queda de árvores e postes, partes da cidade sem o fornecimento de energia, trânsito caótico; que resultam em perdas humanas e materiais.

Nas áreas urbanas os problemas quase sempre são dramáticos. Quais são os principais fatores que agravam essa situação? Construções em locais inadequados, como nas encostas e nas margens dos rios; grandes áreas impermeabilizadas com asfalto, calçamento e construções, que impedem a infiltração das águas das chuvas; reduzidas áreas verdes; e ausência ou deficiência na manutenção das galerias de drenagem das águas pluviais. De fato, os detritos vegetais e outros materiais inertes, que durante a estação seca se depositaram nos lotes e telhados, ao longo das valetas das ruas e avenidas, contribuem para situações de obstrução dos canais de escoamento. As primeiras chuvas de setembro/outubro são geralmente responsáveis pelo arrastamento destes resíduos sólidos até locais inadequados (sarjetas, sumidouros, valetas), originando acumulações de águas pluviais que poderão provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos de edifícios.

Nas zonas mais vulneráveis às situações de cheia, alguns CUIDADOS IMPORTANTES devem ser observados antes, durante e depois da inundação:

· Antes da inundação:

Moradores de regiões propensas a inundações devem-se manter informados sobre as condições meteorológicas; ao primeiro sinal de chuva forte, colocar os móveis, eletrodomésticos e demais objetos em lugares altos; desligar aparelhos elétricos e eletrônicos, além da chave geral de sua casa; fechar os registros de entrada de água e de gás; retirar o lixo e levá-lo para áreas não sujeitas a enchentes; evitar construir em cima e embaixo de barrancos que possam deslizar, carregando sua casa; colocar documentos e objetos de valor em um saco plástico fechado e em local protegido; não jogar lixo ou entulho no córrego, para não obstruir a passagem de água, nem em terrenos baldios ou ruas; limpar o telhado, calhas, condutores e canaletas para evitar entupimentos.

· Durante a inundação

Evite o contato direto com a água contaminada da enchente, pois ela pode provocar doenças; se estiver em local seguro, procure não se deslocar; não atravesse ruas alagadas, pois você pode ser arrastado pela água; em local alagado, preste atenção a buracos e bueiros sem tampas ou encobertos pela água; em caso de ventos muito fortes, cuidado com as quedas de árvores, fios, postes, semáforos, entre outros; utilize calçado, calça comprida e blusa para a proteção do corpo; não use bermuda e não fique sem camisa; não deixe crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos, pois elas podem ser levadas pela correnteza ou contaminar-se, contraindo doenças graves, como hepatite e leptospirose.

· Depois da inundação

Beba apenas água filtrada ou fervida; não utilize alimentos que estiveram em contato com a água da inundação; fique atento aos sintomas de doenças, tais como febre, vômito, dor de cabeça ou no corpo (principalmente na “batata da perna”), e diarréia; nesses casos, procure os serviços de saúde; chuvas de grande intensidade ou longa duração provocam deslizamentos, principalmente em áreas de risco: fique atento a qualquer sinal; não use equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou que estiveram em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito; lave e desinfete os objetos atingidos pela enchente usando uma mistura de um copo de água sanitária para cada balde de 20 litros de água limpa, utilizando luvas e botas.

Recomenda-se também a adoção das seguintes MEDIDAS PREVENTIVAS, tanto do poder público, como da sociedade civil:

Desobstrução de linhas de água principalmente junto a pontes, aquedutos e outros estrangulamentos do escoamento; Limpeza de linhas de água assoreadas; Limpeza dos resíduos sólidos urbanos (muitos deles de grandes dimensões) depositados ilegalmente nos troços marginais dos cursos de água; Verificação (e eventual reparação) de possíveis situações de desmoronamentos das margens das linhas de água, de modo a evitar obstruções ou estrangulamentos; Inspeção visual de diques ou outros aterros longitudinais às linhas de água destinadas a resguardar os terrenos marginais.


Cada cidadão deve também tomar uma atitude proativa, nomeadamente assegurando a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais dos quintais ou varandas e a limpeza de bueiros e dos telhados de suas residências.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

sábado, 8 de agosto de 2009

O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Este artigo tem a intenção de apresentar conceitos relativos à "Ecologia Profunda". É uma nova linha de estudo dentro da Ecologia, que visualiza um mundo diferente daquele que estamos vivendo. Tradicionalmente, estamos acostumados com o modelo capitalista, onde o individual egoísta supera os ideais coletivos, e a ética deixou de ser uma condição básica ou um princípio fundamental. O novo modelo, ou paradigma, chamado de visão holística, concebe o mundo como um todo integrado, em uma rede de fenômenos interconectados e interdependentes, e não uma superposição de partes dissociadas. Pretende-se, dessa forma, podermos atingir o tão discutido “Desenvolvimento Sustentável”. Essa deve ser a principal proposta nos dias atuais, e o nosso maior objetivo (SOUZA, 2008).


Recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO". O artigo trata desse tema: propõe e evidencia a necessidade da mudança de paradigmas. Segue o artigo:


O PARADIGMA DA NOVA CONCEPÇÃO DE MUNDO

Por Maurício da Silva - Físico




Tenho lido e refletido acerca da revolução que vem lentamente ocorrendo através das novas concepções da física; que vem mudando profundamente nossas visões de vida e do universo; passando da visão superficial de vida efêmera no mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão cosmológica de Einstein, de Huberto Rhoden, de Dr. Samael Aun Weor e outros, muito mais profunda, holística e ecológica.


As mudanças de paradigmas, para Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias e representam uma transformação cultural. As mudanças de paradigmas ocorrem em todas as áreas do conhecimento humano: nas ciências, na cultura, nos esportes etc., e refletem em toda sociedade.


Um paradigma tem seu ponto de partida e de chegada e, quando vai chegando ao fim é porque vai sendo substituído por outro, após haver predominado por muito tempo. O paradigma cartesiano, que na física é newtoniano já vai se indo, após haver dominado a nossa cultura centenas de anos, aonde moldou a sociedade ocidental, influenciou o mundo inteiro. Esse paradigma é calcado no antropocentrismo centrífugo, que concebe o universo como sendo um sistema casual, automático, composto de sistemas fragmentados. Ele visualiza o micro, o meso e o macro-cosmo, como sendo máquinas, totalmente destituídas de qualquer princípio organizativo inteligente. A vida em sociedade é concebida como sendo uma luta competitiva pela existência e a crença no progresso material é ilimitado. Deve ser obtido por intermédio de um crescimento econômico, feito a custo do sacrifício dos desvalidos, em decorrência do mais valia.


O novo paradigma, que já vai substituindo gradativamente os princípios antropocêntricos, de natureza ecocêntrica, é denominado pela concepção holística do cosmos, por conceber o universo como uma totalidade integrada, onde as unidades funcionam simultaneamente, interdependente e integradamente e não como um conjunto desconexo de partes dissociadas.


Na visão ecocêntrica há o reconhecimento da independência fundamental de todos os fenômenos; onde há o encaixe e a dependência dos homens nos processos cíclicos da natureza. Aí os sistemas vivos possuem conexões vitais com o meio ambiente e se sustentam reciprocamente.


A Ecologia Profunda é um movimento popular global, que vai sendo conhecido por muita gente e está rapidamente adquirindo preponderância. Arne Naess fundou a escola filosófica ecocentrista, no início dos anos 70, dando distinção entre "Ecologia Rasa", a ecologia convencional e "Ecologia Profunda", a ecologia revolucionária. Onde fica claro que a Ecologia Convencional é muito superficial e antropocêntrica, por estar centralizada no ser humano. Para ela os seres humanos estão situados acima ou fora da natureza, como sendo a fonte de onde emergem todos os valores, tendo no meio ambiente e nos demais seres vivos apenas um valor de objeto de uso.


Na Ecologia Profunda os seres humanos não se separam das outras coisas do meio ambiente natural, sejam elas de natureza vegetal, animal ou mineral. Para ela o mundo não se constitui numa coleção de objetos isolados, mas numa rede de fenômenos cósmicos interconexos, simultâneos e interdependentes.


A ecologia profunda compreende que cada ser vivo se constitui numa pérola muito valorosa engastada no colar da Teia de Vida da Terra Viva; reconhece o valor intrínseco de cada ser vivo e vê o ser humano apenas como um fio particular desta teia de vida.


Devemos nos reeducar convenientemente, para adquirir consciência ecológica profunda, o que significa experimentar e compreender a realidade da sensação de pertinência e de interconexidade com Unidade Absoluta do universo cósmico, ser diversidade na unidade, ser uno com o todo.


As escolas devem abordar em seus currículos a Ecologia Profunda, para construir a Cultura da Paz e Não Violência na Terra: paz ambiental, escolar e social, por intermédio do combate à violência na causa. As escolas devem ensinar aspectos importantes do novo paradigma ecológico, fazendo suas abordagens dentro de uma visão ecológica coerente com o holismo cósmico.


Nossa natureza tem sido dramaticamente violentada por uma sociedade homemoidal fundamentalmente antiecológica, decorrentes de nossas estruturas sócio-econômicas estarem solidificadas no neocapitalismo que engendra sistemas ideológicos dominadores, que geram explorações antiecológicas, traduzidas no patriarcado, no imperialismo, no racismo, no escravismo.


As mudanças de paradigmas só poderão se dar por meio da revolução da consciência ecológica, com base nos três fatores de revolução da consciência. Isto ampliará nossa capacidade de registro das nossas percepções do holismo do universo, mudando nossas maneiras de pensar e sentir a natureza.


Numa sociedade capitalista como a nossa, é amedrontador para a maioria das pessoas conceber mudanças de paradigma, para atingir valores centrípetos mais equilibrados; principalmente aqui no Brasil, onde levar vantagem em tudo é a lei, o que reforça a competitividade, a individualidade e o egoísmo, em detrimento da solidariedade e do altruísmo; onde alguns são favorecidos, privilegiados, recebem recompensas econômicas e poderio político.


A síndrome do medo exacerbado imposta pelo ego, leva o homemóide à aquisição de poder excessivo de dominação sobre os demais. Se as estruturas políticas, militares e corporativas fossem hierarquicamente organizadas para servir ao próximo seriam toleráveis; mas, para defender a ideologia da estrutura de poder, para manutenção de privilégios à camada dominante, se constitui em algo criminoso e absurdo. Ninguém desejaria poder para si mesmo, se não possuísse o germe egóico do medo da inferioridade. Para pessoas investidas de poder, as mudanças de paradigmas, de valores trazem em seu bojo o medo existencial.


Portanto, para o exercício do poder, mais apropriado para o novo paradigma, seria o poder como influência de outros. A estrutura ideal para exercitar esse tipo de poder não é a hierarquização das funções, mas uma rede intrincada de convergência ecocêntrica, que é também, ao mesmo tempo, a metáfora central da Ecologia Profunda. A mudança de paradigma passa também por uma mudança na organização social, mudando de hierarquias para redes; indo de uma relação de poder hierárquico para uma rede dialógica.


A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Questionamento 2: comentei que em alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores... e que hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA".

Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Logo após essa leitura e análise, li outro artigo do mesmo autor... "A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA"... e verifiquei que os meus questionamentos ficaram mais intensos... Segue o novo artigo:

A INCONSCIÊNCIA ECOLÓGICA, por Maurício da Silva, Físico



Nós, seres humanos, somos responsáveis direta e indiretamente pelo caos na ecologia do planeta, ao colocá-lo em profunda agonia por meio da violência generalizada ao meio ambiente.

Nós, seres humanos, distinguimos dos demais animais pela capacidade de agir sobre a natureza, com um nicho ecológico diferente dos outros nichos dos demais seres vivos. Nós somos capazes de agir sobre os meios naturais, para criarmos o nosso próprio meio. Assim, além de adaptar-se às condições do meio natural, o ser humano adapta os meios naturais às suas necessidades.

A ação de transformar o ambiente está diretamente relacionada com o desenvolvimento das nossas funções orgânicas e habilidades, que caracterizam a nossa condição humana. Com efeito, podemos concluir que o ser humano é inteiramente responsável pelo impacto catastrófico que vem impondo ao planeta; é autor e vítima das conseqüências nefastas deste caos para a continuidade da vida existencial aqui na Terra.

O ser humano se desenvolveu bastante em ciência, mas regrediu em consciência. Tecnologia como expoente da ciência, sem que a base da potência esteja sobre o substrato da consciência, é o caminho mais curto de se chegar ao caos e à morte da vida sobre a Terra.

O ser humano possui atualmente apenas 3% de seu potencial consciencitivo desenvolvido. Com apenas 3% de consciência, onde os alicerces da essência ecológica se apóiam e convergem os homens para as atitudes de preservação da natureza. Entretanto, os 3% de consciência desperta é muito pouco para percepção holística do cosmo, da beleza do universo, da dinâmica sincronizada do nosso planeta.

Para os seres de consciência, a Terra é bela! É parte de si mesmo, e se encantam com os encantos da natureza telúrica. Os indivíduos de consciência ecológica desenvolvida são altamente sensíveis à beleza cósmica de nosso planeta, possuem uma relação de empatia com a Terra; eles sentem-se parte dela, integrados a ela pelo fio da vida, que congrega os diversos para formar o universo. Os indivíduos com apenas 3% de consciência não possuem uma relação dialógica com a mãe natureza. Estes se acham dono da Terra, não percebem a sua inteireza e agem no sentido de destruí-la, subjugá-la em benefício próprio, etc.

É preciso educar o homem do presente, para subsistir no futuro, de maneira integrada à natureza; para se sentir extensão dela e esta, parte de si mesmo, na mecânica holística do cosmos. É preciso educar o homem do presente, para expandir o seu percentual de consciência ecológica e amar mais, e muito mais a mãe natureza. Inculcar no estudante a idéia de que a nossa luta para mobilização articulada em favor da preservação do planeta Terra, se integra à luta pela própria realização da condição humana sobre a superfície do nosso planeta.

As escolas devem proporcionar uma educação revolucionária aos homens do presente, para que estes atuem concretamente no sentido de conciliar progresso e preservação do planeta, evitando assim uma catástrofe apocalíptica. Nossos alunos devem ser educados com uma didática fundamental, que lhes garanta o exercício da cidadania plena e solidária e a aquisição de um conhecimento transcendental, revestido de valores éticos e morais que lhes garanta a formação de uma consciência ecológica da mecânica holística do planeta Terra, embasada na Psicologia Revolucionária que nos deixou o Dr. Samael Aun Weor, um dos maiores ecologistas de todos os tempos, ao lado de São Francisco de Assis e outros tantos.


A entropia na psique humana

Alguns dias de nossas vidas nos deparamos mais questionadores. Hoje acordei questionando o modelo de desenvolvimento em que estamos vivendo. Na tentativa de entender, comecei a pensar o modelo educacional e o comportamento das Instituições de ensino e pesquisa de nosso país... e talvez de todo o mundo, particularmente nos itens prioridades e relevância de seus projetos e investimentos em pesquisas. Como ponto de partida, e tendo por base os conteúdos das disciplinas que leciono, perguntei-me: se o mundo evoluiu tanto, com tanta tecnologia e capital disponíveis, por que persiste tamanha miséria e degradação sócio-ambiental?

Ao abrir meus e-mails, recebi um artigo do Físico Maurício da Silva enviado pelo amigo Fábio Oliveira (blog: http://fabioxoliveira.blog.uol.com.br/, intitulado "A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA". Ao lê-lo, penso que respondeu, ao menos em parte, meus questionamentos... como em um fragmento onde retrata a pobreza humana: "O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos"...

Achei bastante interessante a utilização do conceito ENTROPIA, que tanto uso nas aulas de Recuperação de Áreas Degradadas, para uma associação com a nossa sociedade e seus comportamentos... Segue o artigo:

A ENTROPIA NA PSIQUE HUMANA - Por Maurício da Silva





Define-se convencionalmente entropia como sendo a quantidade energia de um sistema que não pode ser convertida em trabalho de natureza mecânica, sem comunicação de calor a algum outro corpo, ou sem alteração do volume. A entropia se amplia em todos os processos irreversíveis e permanece constante nos processos reversíveis.

Se tivéssemos desenvolvido tecnologia, ciência e consciência, em pleno segundo milênio, já poderíamos alimentar os famintos, abrigar os sem-teto, os sem-terra, os sem nada, proteger, criar e educar nossos filhos; transmitindo às gerações futuras oportunidades, para que tornassem cidadãos ecológicos, herdeiros e contribuintes da nossa herança humana, biológica e cultural.

“Acredito que a resposta explanatória mais plausível para o cenário que temos diante de nós resida num fenômeno entrópico, de base comportamental e causa política, tanto individual como coletivo. De fato, vivemos um tempo de grande entropia biocultural. Mas o que isso quer dizer?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O ego de cada indivíduo que compõe a sociedade se constitui no canal para atuação do fenômeno da entropia; e esta leva todo universo físico para o equilíbrio estático de energia e matéria, rumo à desestruturação, à degeneração, à dissipação, à estagnação e ao caos, consoante aos princípios termodinâmicos da física.

Erwin Schrödinger, mostrou em 1944, que os seres vivos não resistem a entropia física. E a sociedade humana é composta de Homo sapiens, elemento reino animal, componente do conjunto dos seres vivos.

"Se o atributo humano singular da educabilidade permite melhor compreender o comportamento social da humanidade, o que esperar da sua aplicabilidade na solução de problemas individuais ou coletivos, locais ou globais? Como, por exemplo, lutar contra a tendência política prevalecente no nosso tempo, de escolher sistematicamente o caminho para vencer a entropia biocultural, da miséria da condição humana, da degradação ambiental, manifestos nos quadros de decaimento generalizado do mundo de hoje? Como, enfim, aprimorar o homem, elevar a condição humana e preservar o planeta com desenvolvimento ecologicamente auto-sustentável?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

Precisamos nos educar para viver em meio ao caos, com equilíbrio e serenidade. Temos que nos constituirmos em células positivas do mesocosmos; aqueles, que mesmo em meio à barbárie e ao caos, repensam suas trajetórias para construção de um mundo melhor com um homem de perfil ecológico.

Se educarmos as gerações do futuro com fundamentos na Psicologia Revolucionária, com certeza se abrirá a cada pessoa à possibilidade de autotransformação em direção a escalada luminosa de elevação do nível de seidade. A partir daí poderemos construir uma sociedade dialógica, com uma consciência ecológica desenvolvida, para gerir holisticamente um planeta auto-sustentável.

O combate ao centrifuguismo antropocêntrico com uma educação centrípeta representa a chave capaz de abrir o universo psicológico do homem e apontar caminhos para um mundo ético, social, moral, ecologicamente aceitável e para destruição da entropia biocultural.

"Biologicamente, o homem de hoje é muito semelhante aos seus ancestrais de dez mil, cem mil e até de um milhão de anos atrás. Culturalmente, porém, as diferenças do presente em relação ao passado são tão fantásticas que são auto-evidentes. Mas o que dizer sobre mudanças na natureza psicossocial do homem, diante do quadro de grande entropia biocultural do mundo contemporâneo?” (José Maria G. de Almeida Jr.).

O pobre homemóide se vangloria do seu domínio sobre a natureza e sobre o ambiente; graças ao conhecimento e à tecnologia chegou ao ponto que está hoje: viagens extraterrestres, máquinas inteligentes e clonagem humana, coisas artificiais que representam um pseudoprogresso. O homemóide não levou em conta a sua absoluta ignorância de que tudo isto representou um afastamento da ordem natural das coisas, devido à atuação da entropia que atuou a serviço do caos.

A natureza psicossocial humana pouco ou nada mudou ao longo da nossa trajetória evolucionária como espécie humana, apesar das riquezas materiais acumuladas e de todo o progresso técnico-científico alcançado até agora, e nunca mudará; pois mudanças radicais nesta não são possíveis com evolução e só com revolução da consciência, através dos três fatores que revolucionam a consciência.

Nosso homem saiu do planeta, foi à Lua, quer chegar a Marte, mas ainda não conseguiu sair de uma condição de escravidão e miséria e nunca sairá enquanto persistir o ego, fator que embaça a consciência, engendra os defeitos que causam a violência social e ambiental.

Graças a uma nova percepção sobre a vida e o ambiente da Terra, introduzidos pelas ciências centrípetas nos últimos 50 anos, o homem vem, gradativamente, redescobrindo o holismo univérsico, o todo, a interdependência de cada parte do todo, a transitoriedade e a finitude de todas as coisas do cosmo. "A consciência ecológica começa e termina no indivíduo, mas, passa pelo outro, tornando-se assim social e dialógica. Trata-se de um processo necessariamente ético e estético. Daí o verdadeiro ato educativo - não importa se escolar ou não escolar, formal ou não formal, em qualquer nível, para qualquer idade - ser a autotransformação que ocorre no contexto social da pantransformação”. (José Maria G.).

Devemos nos educar convenientemente para compreender e lutar pela erradicação da entropia biocultural, criar resistência a toda e qualquer forma de desordenação social que represente decaimento na escala de seidade. Pela capacidade do livre arbítrio podemos escolher e até fazer caminhos rumo à educabilidade, e daí, escolhemos e fizemos o mundo que se nos apresenta hoje. Assim, também poderemos fazer no futuro um mundo diferente, onde haja a justiça, a paz, o bem-estar comum, o mutualismo na alteridade e a sustentabilidade planetária.

É por demais sombria a natureza homemoidal dos nossos tempos. Tempos de escândalos de todos os tipos, tempos de violência permanentemente violência à natureza, tempos de caos. A entropia nos arrastou bem para o fundo de poço, onde há obscuridade e desesperança e, daí só sairá aquele que revolucionar a consciência. Isto demanda, do lado iluminado da consciência, constante vigilância, discernimento moral, etc.

Há uma profunda dor em minha alma por causa dos navios de petróleo que derramam no mar, matando os seres vivos; por causa do fogo que queima incessantemente a mata da Amazônia; por conta das crianças que tombam nas escolas, nas ruas, nas casas, que dormem nas calçadas, etc, vitimadas pela violência generalizada, por causa do descaso político e da injustiça social.

Resenha: Biografia do Abismo

Resenha:  Biografia do Abismo Autores: Graciandre Pereira Pinto Maurício Novaes Souza Título do livro: Biografia do Abismo   Referência ...