Poluição Urbana

* Por Maurício Novaes Souza

Dia 14 de agosto foi escolhido o "Dia de Combate à Poluição". Sem dúvida, atualmente, há motivos suficientes para se ter uma data para esse fim. O aumento populacional, a crescente atividade industrial, a falta de saneamento, as queimadas e o aumento do número de veículos automotores nas regiões urbanas têm contribuído para o aumento da poluição. Conseqüentemente, a degradação da natureza, especialmente nas últimas décadas, tem sido enorme e começa a causar dificuldades no cotidiano do próprio homem.
O Brasil tem grande participação na degradação de seus recursos naturais e de seu meio ambiente: os ecossistemas aquáticos estão contaminados por agroquímicos; a população rural e urbana consome alimentos cada vez mais contaminados; o ar das grandes cidades é poluído e se desperdiça energia pelo uso de tecnologias inapropriadas; as florestas vêm sendo devastadas sem controle em nome de um projeto de desenvolvimento questionável, que afeta diretamente a sobrevivência de grande número de pessoas, animais e vegetais.
Nos dias atuais, percebe-se que o crescimento urbano e industrial, tão propalado, nem sempre significa desenvolvimento humano: particularmente nos países em industrialização, vem acompanhado de desigualdade de acesso aos itens básicos necessários a uma sobrevivência digna, tais como à educação, à alimentação e à saúde.
A possibilidade de ocorrer aumento de temperatura, falta de água potável em futuro próximo, problemas de saúde relacionados ao ar poluído nos centros urbanos, nos colocam em situações de riscos ambientais. Os principais tipos de poluição urbana são:
POLUIÇÃO SONORA
Com o crescimento desordenado das cidades, acostumaram-se com um dos maiores problemas da vida moderna: a poluição sonora. A maioria das pessoas desconhece seus riscos e poucos sabem que podem ficar surdos a partir do momento em que ouvirem algum som acima de 115 decibéis durante sete minutos seguidos. A poluição sonora é considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio ambiente.
POLUIÇÃO VISUAL
Entende-se como poluição visual a proliferação de “outdoors”, cartazes, formas diversas de propaganda e outros fatores que causem prejuízos estéticos à paisagem urbana local. Algumas razões para se controlar a publicidade de rua seriam o fato dos anúncios serem inconvenientes e, portanto contrários ao bem-estar das populações; invadirem os espaços públicos; banalizarem o ambiente, degradando o gosto popular, além de distraírem os condutores nas vias. Juntamente com a poluição sonora, a poluição visual causa graves males à saúde, agredindo a sensibilidade humana, influenciando a mente, afetando mais psicologicamente do que fisicamente.
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
Caracteriza-se pela presença de gases tóxicos e partículas sólidas no ar. As principais causas desse fenômeno são as eliminações de resíduos por indústrias e a queima de carvão e petróleo em usinas, automóveis e sistemas de aquecimento doméstico. Pode causar impactos ambientais, afetando a qualidade de vida dos homens, animais e vegetais.
POLUIÇÃO DA ÁGUA
Na verdade, rios, lagos e mares é o destino final dos esgotos. Com o crescimento da população e da atividade industrial, a qualidade dos ecossistemas aquáticos vem se deteriorando progressivamente. Entre os impactos ambientais da urbanização se destacam quatro que afetam diretamente a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos: a) as derivações de água e a devolução via o esgotamento sanitário sem tratamento do efluente final; b) as impermeabilizações da superfície natural; c) a disposição inadequada do “lixo”; e d) os alargamentos e os desvios do leito dos rios, alterando o regime hidrológico e desprotegendo as vegetações ciliares das margens contra o risco de inundações.
Diante dessa realidade, é preciso maior fiscalização e rigidez nas aplicações das leis para minimizar ou até mesmo acabar com os excessos e abusos por parte daqueles que insiste em desrespeitar o meio ambiente. Também é preciso maior conscientização da população por intermédio de campanhas de Educação Ambiental e a inclusão desta como disciplina específica no ensino brasileiro, desde as primeiras séries.
Para atingir o Desenvolvimento Sustentável, precisa-se compreender que a humanidade não é o centro da vida no planeta. É necessário incorporar ao planejamento urbano a visão ambiental, atentando-se para as inovações tecnológicas. Deve-se contar com a implantação de um programa ambiental dentro de toda a estrutura, incluindo o relacionamento com os órgãos ambientais responsáveis pelas respectivas áreas, com o Ministério Público e o envolvimento dos Comitês de Bacias. O processo deve ser contínuo e integrado entre três setores básicos: planejamento, gestão e organização.
Publicação original: Informativo do Instituto Ambiental Sol do campo, Ubá, MG.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e da SEMAD - Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

Comentários

Roberto disse…
programas ambientais são sempre importantes principalmente com o intuito de alertar, conscientizar. O Brasil está se tornando um paí cada vez mais poluidos, já ocupamos o 4 lugar no mundo. é preciso reverter essa situação. não queremos medalha de ouro nessa modalidade


júnia Alves
juraci ribeiro de moura disse…
Sou professor de ciências na rede pública em são paulo, li o documento e gostei principalmente a abordagem de que o "homem não é o centro da vida do planeta". E baseado neste ponto importante de que TODOS tem direito a uma qualidade de vida saudável devemos de forma inteligente nos preocupar com nossos recursos da biodiversidade ainda existente.

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