segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Uma breve história da humanidade: origem, evolução, revoluções e agroecologia


Instituto Federal do Espírito Santo - IFES campus Alegre

Mestrado Profissional em Agroecologia
Disciplina: Agroecologia 
Aluna: Kíssila França Lima 
Professor: Maurício Novaes Souza


Uma breve história da humanidade: origem, evolução, revoluções e agroecologia

O livro Sapiens - Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, conta a história da espécie Homo sapiens, demonstrando sua evolução e revolução ao longo do tempo. O homem, ao longo dos anos de sua vida na terra, vem sofrendo diversas mudanças: sejam adaptativas em relação ao ambiente; seja cognitiva, na sua capacidade de pensar e formular ideias, criando mitos e propagando-os, de forma que o mesmo formasse sentimentos e com isso, lidando com os perigos e circunstâncias ao longo do seu cotidiano, sobressaindo-se em relação aos outros animais.
No livro Sapiens, o autor menciona que o homo sapiens passou por três revoluções ao longo de sua existência (cognitiva, agrícola e científica/industrial), tornando-se capaz de adaptar-se e inovar-se, saindo de um estádio inicial de animal indefeso e com impacto insignificante no ambiente, tornando-se um ser dominador, intelectual, adaptado e inovador, tornando-se algoz dos recursos naturais, esquecendo-se de que ele mesmo faz parte desse sistema natural. Utilizando os recursos naturais de forma degradante, agravando a cada dia os problemas ambientais, o autor destaca que as próximas gerações de Homo sapiens serão irreconhecíveis em relação à geração atual. Afirma que o planeta está entrando em colapso, existindo a possibilidade de uma catástrofe ambiental onde toda a humanidade será exterminada; ou seja, somos um ser com a capacidade soberana de se autodestruir.
Baseando-se no resumo do texto Sapiens – uma breve história da humanidade da autoria de SOUZA (2018), podemos fazer uma correlação com o texto da fábula Clube 99, onde pode-se perceber que a cada ano que passa, o homem tem recebido o legado que sociedade impõe sobre ele de que dominar algo, conquistá-lo, seja no âmbito material, financeiro ou estético, é definido como sinônimo de felicidade. Ainda assim, a humanidade caminha insatisfeita, porque nunca é suprida, sempre tem algo a se conquistar, o que se tem é pouco, colocando-se a prioridade no que falta, não naquilo que se tem.
Isso é o resultado do modelo de sociedade capitalista e consumista que nos tornamos. O vídeo: a história das coisas, vem de encontro a tudo isso, demonstrando que o sistema está em crise: o consumismo exacerbado cresce, a obsolescência planejada e perceptiva perdura, a insatisfação das pessoas querendo sempre mais, a exploração e desigualdade social, cultural e ambiental gerada pelo mundo capitalista existente e consolidado, é o fator chave que comanda a utilização dos recursos naturais de forma indiscriminada e excessiva. Como resultado, observa-se a erosão dos ecossistemas naturais, a produção de resíduos, doenças, poluição, degradação, dentre outros malefícios que temos visto cotidianamente.
Na fábula Paradigma: o caso dos macacos, isso tudo começa a fazer sentido. O termo paradigma é definido como o fluxo de pensamento, ou a união de vários pensamentos onde uma ideia é formada, e uma vez consolidada é utilizada como referência, tornando-se uma barreira para mudança de pensamentos e atitudes. A fábula dos macacos é um exemplo disso, sem saber o porquê, os macacos surravam-se, ou seja, havia um paradigma estabelecido, e o mesmo era passado de um pra outro na jaula e ninguém questionava o porquê da situação, ou seja, a alienação estava enraizada naquele contexto.
Nos dias atuais acontece da mesma forma: a sociedade capitalista impõe um modelo de desenvolvimento e as pessoas acompanham esse modelo implantado e formulado e esse comportamento tem sido repetido há várias gerações até o presente momento. E contextualizando com o texto do Homo sapiens, vemos o quanto a humanidade conquistou, mas ao mesmo tempo tem caminhado sem pensar no que tem feito, e nas consequências catastróficas que tem proporcionado ao planeta devido à exploração/dominação desenfreada.
No meio rural, o paradigma da revolução verde foi imposto e tido como o modelo de produção agrícola “ideal” e “lucrativo”, trazendo inúmeras consequências ambientais, sociais, econômicas e culturais. Destacando a monocultura, o revolvimento do solo, o uso de agroquímicos e fertilizantes minerais, como receitas infalíveis para a produção em larga escala, desvalorizando o trabalho humano e passando a depender da alta tecnologia. Uma agricultura desigual, poluidora, de agronegócio que tem acarretado vários problemas no meio rural, por exemplo, a exploração e degradação ambiental, a perda da biodiversidade, a contaminação dos corpos hídricos, as perdas de solo, além disso, contribuiu para a desigualdade social no campo, tendo como consequência, a fome, pobreza, desemprego, proporcionando o êxodo rural.
O vídeo demonstrado em aula, promovido pelo globo rural: Sítio do Mato, é um exemplo triste de famílias de produtores que vivem em pobreza extrema no nordeste do país, sem acesso a muitos serviços básicos e políticas públicas voltadas para a produção agropecuária. Como pôde ser observado, as famílias vivem em um local de seca na maior parte do ano, sem receber nenhuma assistência técnica e capacitação de órgãos públicos, sem nenhum estímulo financeiro por meio do acesso ao crédito rural, não produzindo para subsistência, não tendo nenhuma possibilidade de produzir para geração de renda, ou seja, sem condições de produzir e viver na roça com dignidade.
Diante dessa realidade, a necessidade de propormos novas atitudes e mudanças que possam vir à questionar esse modelo/paradigma imposto pela sociedade. A agroecologia é uma ciência crítica, que vem contrapor ao modelo de agricultura convencional existente. Preocupa-se com as questões ambientais, com o resgate da cultura local, com a inclusão social, com a produção de alimentos de qualidade, de forma a garantir a segurança alimentar e nutricional, com uso de mão de obra familiar e autogestão do produtor, propondo a autossustentabilidade dentro da propriedade rural.
O vídeo sobre a família Kern, apresentado no Programa Globo Rural, vem contrapor ao modelo de agricultura convencional instituído. Por intermédio de práticas agroecológicas, a família é praticamente autossuficiente na alimentação. Toda a produção agropecuária da propriedade é com ausência de agrotóxicos e adubos químicos, adotando-se a agroecologia como estilo de vida. A família possui um banco de sementes crioulas, cujo objetivo é promover sua continuidade ao longo dos anos. Além disso, possui assistência técnica e capacitação de órgãos governamentais agropecuários, que são de extrema importância na contribuição para permanência do produtor no campo.
Percebe-se, que em nosso país, há muita desigualdade e dificuldade dos produtores rurais familiares usufruírem de políticas públicas voltadas para a agroecologia e questões ambientais, além do acesso ao crédito rural e assistência técnica. Acredita-se que havendo políticas públicas voltadas para a agroecologia, e o estímulo dos órgãos públicos na valorização do agricultor familiar, o mesmo poderá permanecer no campo com dignidade e segurança alimentar, além de poder receber uma renda digna, boa qualidade de vida, sem priorizar o consumismo ou lucro excessivo, objetivando a autossuficiência econômica e alimentar.

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