Instituto
Federal do Espírito Santo - IFES campus Alegre
Mestrado Profissional em
Agroecologia
Disciplina: Agroecologia
Aluna: Kíssila
França Lima
Professor: Maurício
Novaes Souza
Uma breve história da
humanidade: origem, evolução, revoluções e agroecologia
O livro Sapiens - Uma breve história da humanidade,
de Yuval Noah Harari, conta a história da espécie Homo sapiens, demonstrando sua evolução e revolução ao longo do tempo. O homem,
ao longo dos anos de sua vida na terra,
vem sofrendo diversas
mudanças: sejam adaptativas em
relação ao ambiente; seja cognitiva, na sua capacidade de pensar e formular ideias,
criando mitos e propagando-os, de forma que
o mesmo formasse sentimentos
e com isso, lidando com os perigos e circunstâncias ao longo do seu cotidiano, sobressaindo-se em relação
aos outros animais.
No livro Sapiens,
o autor menciona que o homo sapiens
passou por três revoluções ao longo de sua existência (cognitiva, agrícola e
científica/industrial), tornando-se
capaz de adaptar-se e inovar-se, saindo de um estádio inicial
de animal indefeso e com impacto insignificante no
ambiente, tornando-se um ser dominador, intelectual, adaptado e inovador,
tornando-se algoz dos recursos naturais, esquecendo-se de que ele mesmo faz parte desse
sistema natural. Utilizando os recursos naturais de forma degradante, agravando a cada dia
os problemas ambientais, o autor destaca que as próximas
gerações de Homo sapiens
serão irreconhecíveis em relação
à geração atual.
Afirma que o planeta está entrando em colapso, existindo a possibilidade de uma catástrofe ambiental
onde toda a humanidade será exterminada; ou seja, somos um
ser com a capacidade soberana de se autodestruir.
Baseando-se no resumo do texto Sapiens – uma breve
história da humanidade da autoria de SOUZA
(2018), podemos fazer uma correlação com o texto da fábula Clube 99, onde pode-se perceber
que a cada ano que passa, o homem tem recebido o legado que sociedade impõe
sobre ele de que dominar algo, conquistá-lo, seja no âmbito material,
financeiro ou estético, é definido como sinônimo de felicidade. Ainda assim, a humanidade
caminha insatisfeita, porque nunca é suprida,
sempre tem algo a se conquistar, o que se tem é pouco, colocando-se a prioridade no que falta, não naquilo que
se tem.
Isso é o resultado do modelo de sociedade capitalista e consumista que nos tornamos. O vídeo: a história das
coisas, vem de encontro a tudo isso,
demonstrando que o sistema está
em crise: o consumismo
exacerbado cresce, a obsolescência planejada e perceptiva perdura, a
insatisfação das pessoas
querendo sempre mais,
a exploração e desigualdade
social, cultural e ambiental gerada pelo mundo capitalista existente e
consolidado, é o fator chave
que comanda a utilização dos recursos naturais
de forma indiscriminada e excessiva. Como resultado, observa-se a erosão dos ecossistemas naturais, a produção de resíduos, doenças, poluição, degradação,
dentre outros malefícios que temos visto cotidianamente.
Na fábula Paradigma: o caso dos macacos, isso tudo
começa a fazer sentido. O termo paradigma é definido como o fluxo
de pensamento, ou a união de vários pensamentos onde uma ideia
é formada, e uma vez consolidada é utilizada como referência, tornando-se uma
barreira para mudança de pensamentos e atitudes.
A fábula dos macacos é um exemplo
disso, sem saber o
porquê, os macacos
surravam-se, ou seja,
havia um paradigma estabelecido, e o mesmo
era passado de um pra outro na jaula e ninguém questionava o porquê da situação, ou seja, a alienação estava
enraizada naquele contexto.
Nos dias atuais acontece da mesma forma: a
sociedade capitalista impõe um modelo de desenvolvimento
e as pessoas acompanham esse modelo implantado e formulado e esse comportamento
tem sido repetido há várias gerações até o presente momento. E contextualizando com o texto do Homo sapiens, vemos o quanto a
humanidade conquistou, mas ao mesmo tempo tem caminhado sem pensar no que tem
feito, e nas consequências catastróficas que tem proporcionado ao planeta devido
à exploração/dominação desenfreada.
No meio rural,
o paradigma da revolução verde
foi imposto e tido como o modelo de produção agrícola
“ideal” e “lucrativo”, trazendo inúmeras consequências ambientais, sociais,
econômicas e culturais. Destacando a monocultura, o revolvimento do solo, o uso
de agroquímicos e fertilizantes minerais, como receitas infalíveis para a
produção em larga escala, desvalorizando o trabalho humano e passando a
depender da alta tecnologia. Uma agricultura desigual,
poluidora, de agronegócio que tem acarretado vários problemas no meio rural, por exemplo, a exploração e
degradação ambiental, a perda da biodiversidade, a contaminação dos corpos
hídricos, as perdas de solo, além disso, contribuiu para a desigualdade social
no campo, tendo como consequência, a fome, pobreza, desemprego, proporcionando
o êxodo rural.
O vídeo demonstrado em aula, promovido
pelo globo rural: Sítio do Mato,
é um exemplo triste de famílias de produtores que vivem em pobreza extrema no nordeste
do país, sem acesso a muitos serviços
básicos e políticas públicas voltadas para a produção agropecuária. Como pôde ser observado, as famílias
vivem em um local de seca na maior parte do ano, sem receber nenhuma
assistência técnica e capacitação de órgãos públicos, sem nenhum estímulo
financeiro por meio do acesso
ao crédito rural,
não produzindo para
subsistência, não tendo nenhuma
possibilidade de produzir
para geração de renda, ou seja,
sem condições de produzir e viver na roça com
dignidade.
Diante dessa realidade, há a necessidade de propormos novas
atitudes e mudanças que
possam vir à questionar esse modelo/paradigma imposto pela sociedade. A agroecologia é uma ciência
crítica, que vem contrapor ao modelo
de agricultura convencional existente. Preocupa-se com as questões ambientais, com o resgate
da cultura local,
com a inclusão social, com a
produção de alimentos de qualidade, de forma a garantir a segurança alimentar e nutricional, com uso de mão
de obra familiar e autogestão do produtor, propondo a autossustentabilidade
dentro da propriedade rural.
O vídeo sobre
a família Kern,
apresentado no Programa Globo Rural, vem contrapor ao modelo
de agricultura convencional instituído. Por intermédio de práticas
agroecológicas, a família é praticamente autossuficiente na alimentação. Toda a
produção agropecuária da propriedade é com ausência de agrotóxicos e adubos químicos, adotando-se a agroecologia como estilo de vida. A família possui
um banco de sementes crioulas, cujo objetivo é promover sua
continuidade ao longo
dos anos. Além disso,
possui assistência técnica
e capacitação de órgãos governamentais agropecuários, que são de
extrema importância na contribuição para permanência do produtor no campo.
Percebe-se, que em nosso país, há muita
desigualdade e dificuldade dos produtores rurais familiares usufruírem de
políticas públicas voltadas para a agroecologia e questões ambientais, além do
acesso ao crédito rural e assistência técnica. Acredita-se que havendo políticas públicas voltadas para a
agroecologia, e o estímulo dos órgãos públicos na valorização do agricultor
familiar, o mesmo poderá permanecer no campo com dignidade e segurança
alimentar, além de poder receber
uma renda digna, boa
qualidade de vida, sem priorizar o consumismo ou lucro
excessivo, objetivando a autossuficiência econômica e alimentar.
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