CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: ÉTICA NA PRÁTICA DO DIA A DIA

* Por Maria de Fátima Vieira Aguiar

Ter o conhecimento e colocá-lo em prática há uma diferença muito grande, principalmente no que se refere à utilização da água. Nossos hábitos culturais estão arraigados. Ariscamos muitas vezes a interromper processos nos quais necessitamos para dar continuidade a uma vida saudável. Desperdiçamos, consumimos exageradamente, colocamos em risco nossa saúde e a dos nossos semelhantes. Preferimos não olhar a nossa volta e continuar a caminhar como se nada pudesse nos impedir de viver. Mas sabemos da nossa fragilidade e interdependência. O que acontece conosco então?

Refletir sobre artigos que nos alertam sobre nosso comportamento em relação à utilização dos recursos naturais e escrever sobre os mesmos, tem como finalidade a Educação Ambiental. É uma forma de alertar o leitor de que, apesar de termos uma consciência reflexiva, nossas ações muitas vezes, não condizem com nosso conhecimento e necessidades. E para essa prática, escolhemos estes dois artigos que poderão ser apreciados.

O artigo, “Dia Mundial da água: vamos comemorar?”; da engenheira civil e ambiental, Rosa Helena Borges Peres, e o artigo: “A economia, o ambiente e os limites do crescimento” do engenheiro agrônomo, Maurício Novaes Souza, refletem bem o grau de complexidade relacionada à adequação de um sistema, no qual insistem na insustentabilidade. E nos alegra ler trabalhos de profissionais de áreas diferentes, que possuem a mesma consciência ética relacionada ao meio ambiente. Esses profissionais, e tantos outros com a mesma postura, parecem estar na contramão no que diz respeito a visão do sistema organizacional, defendem a ética na utilização dos recursos naturais.

A professora Rosa pergunta-nos: como merecia ser comemorado o dia da água? Parece que está sendo comemorado, segundo Peres, (2009), com bolo e vela, se comparado ludicamente. Mas com água farta para todos? Até nos embriagar se fosse possível? Água límpida? Colocam-na em pauta quase todos os dias, mas ao utilizarmos o recurso hídrico, talvez por estarmos em região que ainda não é possível sentir sua escassez de fato, nos fartamos desta fonte de vida, sem lucidez.

O professor Maurício em sua visão holística sugere que se façam políticas públicas voltadas para a questão social e ambiental. Que o poder público ao legislar consiga efetivar as propostas dentro de parâmetros éticos, visando pesquisas voltadas a proteção dos ecossistemas, no qual estamos inseridos. Pensar desta forma, é ser estratégico, é estar em sintonia com a realidade econômica, no qual depende totalmente dos resultados dessa interação.

Para comemorar o dia da água, a "resurgência" da vida, a cada dia deveríamos estar repensando de como se apropriar deste recurso de forma a contribuir para que esta prática nunca se esgote. Proteger aquela que nos alimenta, nossa extensão. Numa festa sem fim, dia após dia. Acordar e “acordar” a cada minuto para que nossos hábitos sejam compatíveis com as nossas necessidades individuais, humanizados, interagindo bem com a natureza.


* Licenciada em Geografia, Especialista em Educação-concentração em Geografia e Gestão Ambiental. Técnica em Meio Ambiente/ Professora de Ensino Básico do Estado de Minas Gerais. Orientadora do curso de especialização de Geografia (EVATA). Vice - presidente do Instituto Ambiental Sol do Campo. E-mail: fatima@soldocampo.com

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