Gestão ética: responsabilidade social e sustentabilidade das organizações



* Por Maurício Novaes Souza1 e Silvane de Almeida Campos2

As empresas da atualidade devem agir como agentes transformadores. Devem ser capazes de alterar o modelo que visava o lucro imediato para o modelo que busca o Desenvolvimento Sustentável. Esse fato é importante porque as empresas exercem uma enorme influência sobre os recursos humanos, financeiros, tecnológicos, econômicos, sociais e ambientais. Diante desta nova realidade, surge o conceito de empresas socialmente responsáveis - são aquelas que procuram colaborar para o fortalecimento dos referidos setores, por meio da adoção de posturas éticas, agindo de forma transparente e tendo como objetivo o bem-estar coletivo e a justiça social.
Neste novo modelo os empresários se tornam cada vez mais aptos a compreender e participar das mudanças estruturais que abrangem os aspectos econômicos, ambientais e sociais. As companhias estão sendo incentivadas pela administração pública a gerenciar seu sistema produtivo de tal forma que se evite a ocorrência de impactos ambientais e sociais, por meio de estratégias apropriadas. Nos últimos anos houve progressos surpreendentes na área de gerenciamento ambiental. Mais recentemente, o mesmo ocorreu quanto à conscientização sobre a responsabilidade social e a crescente compreensão dos desafios da sustentabilidade.
Todas as empresas gostariam de ser reconhecidas pela sociedade, por seus funcionários, pelos parceiros de negócios e pelos investidores. O grande problema é estar disposto a encarar os desafios que se colocam no caminho de uma companhia realmente cidadã. O primeiro deles é o desafio operacional. Uma empresa responsável pensa nas conseqüências que cada uma de suas ações pode causar ao meio ambiente e à sociedade. De nada adiantaria investir em um projeto comunitário e poluir os rios próximos de suas fábricas; ou dar benefícios e oportunidades aos seus funcionários e não ser transparente com seus consumidores.
Neste sentido, responsabilidade social é a integração voluntária pelas empresas das preocupações sociais e ambientais nas suas atividades comerciais e nas suas relações com todas as partes. É a complementação das soluções legislativas e contratuais a que as empresas estão ou podem vir a estar obrigadas e que se aplicam às questões, por exemplo, ao desenvolvimento da qualidade de emprego, a adequada informação, a consulta e participação dos trabalhadores, bem como o respeito e promoção dos direitos sociais e ambientais e a qualidade dos produtos e serviços.
A responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, de forma voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. Para isso deverá implantar um sistema de gestão ambiental que proporcione que o seu desenvolvimento seja sustentável, necessitando, portanto, de profissionais que incorporem tecnologias de produção inovadoras.
O desenvolvimento econômico e o meio ambiente estão intimamente ligados. Os novos tempos se caracterizam por uma rígida postura dos clientes, que têm a expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado e que atuem de forma ecologicamente responsável. A internacionalização dos padrões de qualidade ambiental, a globalização dos negócios, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a exigência futura que farão os consumidores em relação à preservação ambiental e à qualidade de vida deverão se intensificar.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e resultados estratégicos no engajamento da organização em causas ambientais. Há de se considerar que estes resultados não se viabilizam de imediato: há necessidade que sejam corretamente planejados e organizados todos os passos para a interiorização da variável ambiental na organização para que ela possa atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com isso vantagem competitiva.
O atual momento exige que as empresas adotem a educação e a gestão ambiental em seus programas de rotina, condicionados e geridos por princípios éticos, exigindo que estas possuam criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócios. Várias empresas têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro, proteger o meio ambiente e ser socialmente responsável: é uma questão de opção e atitude.

* 1 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e do CIEA/SEMAD Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2 Estudante do Curso de Bacharel em Agroecologia do CEFET/RIO POMBA.
Publicado originalmente em: INFORMACIRP - Informativo da Associação Comercial de Rio Pomba, MG. Julho de 2008.

Comentários

Guim Andrade disse…
Atitudes simples e muito eficientes que poderiam suprir e resolver vários problemas de maneira eficiente, falta um pouco mais de consciência da grande responsabilidade que cada uma dessas organizções tem, so com essa conscientização poderemos começar a mudar as atutudes de algumas pessoas.

By Tiago Andrade

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