Agronegócio: Oportunidade de Mercado e Diversidade Regional da Zona da Mata Mineira


* Por Maurício Novaes Souza

A Zona da Mata Mineira é formada por 07 Microrregiões Geográficas e 142 municípios. De acordo com o Censo Demográfico do IBGE, em 2000, possuía uma população de 2.030.856 habitantes (11,4 % da população total do estado). Nessa mesorregião, o aumento populacional total confirma a tendência concentradora, o que demonstra a forte mobilidade interna de sua população, caracterizada pelo deslocamento demográfico das pequenas cidades para os centros microrregionais - influência das rodovias BR-040 e o eixo da BR-116.
As maiores cidades desta Mesorregião se encontram, hoje, justamente onde a população rural é mais rarefeita. Com relação à evolução populacional, a população que antes de 1970 era maior no meio rural, a partir de 2000 se tornou maior no meio urbano. Entre 1991 e 2000, a Zona da Mata registrou queda significativa no seu crescimento.
O abandono do campo pode ser justificado pela ausência de políticas públicas, bem como pelas características locais. Isso porque a Zona da Mata possui como predominância topografia acidentada e solos com elevada acidez e baixa fertilidade. Esta região é caracterizada por apresentar relevo forte ondulado e montanhoso, onde predomina a pecuária extensiva sobre pastagem natural ou “naturalizada” - a utilização intensiva culminou com a sua degradação, redução da produtividade e o empobrecimento dos produtores.
Considerando o conjunto do agronegócio regional, cabe destaque a cadeia do leite pelo seu recente desenvolvimento. Minas Gerais é o berço do agronegócio do leite no Brasil, com 28,8% de toda a produção nacional e uma concentração relevante de indústrias de laticínios. Contudo, a produtividade e a qualidade dos produtos lácteos ainda são baixas, constituindo-se em fortes entraves para a expansão e consolidação desse setor. Uma das formas mais eficazes para criação desse ambiente econômico favorável é a atuação organizada do setor público em conjunto e harmonia com o setor privado.
Para isso, recentemente foi criado o Pólo de Excelência do Leite, do qual o CEFET-RP é componente, que estabelecerá uma ligação entre os diferentes agentes da cadeia produtiva do leite, para colocar Minas na vanguarda da coordenação do desenvolvimento sustentável do agronegócio do Leite Brasileiro e criar um grande atrativo para investimentos no Estado de Minas. O Pólo vai fortalecer a Zona da Mata mineira como centro de excelência nas pesquisas relativas à produção de leite e derivados.
Considerando as características dessa região, é possível que o mercado se abra para técnicos da área do Agronegócio. Isso porque todos os projetos atuais buscam alternativas para estimular a geração de emprego, renda e desenvolvimento sócio-econômico, além de criar caminhos que tenham como diretriz estimular o empreendedorismo, visando a autonomia regional e do cidadão.
Nesse novo modelo que se delineiam, os gestores têm identificado o capital humano como um dos fatores que mais contribuem para que as empresas sustentem suas vantagens competitivas. É fato notório, que nos dias atuais, o bem mais precioso de uma corporação é o conhecimento, o grande diferencial competitivo do mundo do trabalho. Ou seja, a economia atual está baseada no capital intelectual, no qual as pessoas é que fazem a diferença.
Todas essas considerações nos levam a refletir sobre as mudanças que têm ocorrido no ambiente das empresas e no foco de sua gestão refletindo na exigência das competências profissionais que elas necessitam e, também, nos centros de ensino superior, técnico e tecnológico, como o CEFET-RP, que formam esses profissionais. As empresas estão avaliando se as pessoas têm prazer no exercício da função, se têm ambição para crescer e se têm generosidade para compartilhar conhecimento e gerar valor. Elas procuram pessoas que saibam trabalhar em equipe, que demonstram equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Pessoas que têm capacidade de quebrar paradigmas, de negociar, de se comunicar, de se modernizar e de aperfeiçoar continuamente o próprio aprendizado.
Publicado originalmente em: Jornal do Agronegócio - CEFET/RP - 13-10-2008


* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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