Gestão e preservação dos recursos naturais: estratégia para o desenvolvimento sustentável

Por Maurício Novaes Souza1 e Camilo Silva Cantanhede2

Durante o período das chamadas “Revolução Industrial” e “Revolução Verde”, em todo o mundo, não houve preocupação com as questões ambientais. Isso porque os recursos naturais eram abundantes e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. Com o crescimento acelerado e desordenado da produção e da população humana mundial, que resultaram na aceleração dos impactos e degradação ambientais, o resultado que se tem é a escassez dos recursos naturais. Surge então, recentemente, o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural, fazendo do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e perceber a importância da reformulação de suas práticas ambientais.

Infelizmente, mesmo sabendo que toda a matéria-prima utilizada nos processos produtivos é proveniente da natureza, a importância estratégica dos recursos naturais ainda não é bem reconhecida no Brasil, onde a ausência de políticas públicas e o desconhecimento por parte da população, não assegura o seu uso controlado e a sua gestão racional. Dessa forma, como não são respeitados os conceitos de “Limites do Crescimento”, a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Ou seja, como estamos usando os recursos além de sua capacidade de reposição, significa que se ultrapassaram a capacidade de suporte, de autodepuração e de regeneração dos sistemas. Assim, estão-se avançando sobre os estoques naturais da Terra, o que inviabilizará o desenvolvimento humano e econômico do país, comprometendo as gerações atuais e futuras.

A preservação da diversidade ecológica e dos recursos naturais, frente ao quadro de destruição da natureza em escala global, deveria consistir na base do desenvolvimento da nação. A possibilidade de usar tais recursos, como no turismo ecológico e na pesquisa e desenvolvimento de produtos fito-farmacológicos, são apenas dois dos vários pontos que corroboram a necessidade de utilizar a natureza em favor do desenvolvimento. Entretanto, a preservação dos recursos naturais se torna impossível frente à falta de saneamento básico, particularmente o tratamento dos resíduos sólidos urbanos e do esgoto doméstico/comercial, principais responsáveis pela poluição ambiental. Apesar da melhoria na coleta de tais resíduos, a falta de destinação adequada para os mesmos consiste em um dos maiores entraves para vincular o desenvolvimento econômico com a preservação da natureza, gerando graves impactos de ordem sócio-econômica e ambiental.

A população tem sua parcela de culpa? Claro que sim. O consumismo desenfreado, por exemplo, é um grave problema que precisa ser encarado de frente, quando se tem em mente a preservação dos recursos naturais. A falta de consciência por parte da sociedade faz com que inúmeros utensílios sejam fabricados em larga escala e descartados logo em seguida por outros mais avançados. Esta dinâmica exige a utilização de matéria-prima específica, que não raro, implica em devastação do ambiente para acessar as reservas desses minérios: o rápido descarte destes produtos, sem reciclagem, significa mais “lixo” descartado no ambiente.

Agindo dessa maneira, todos os dons recebidos pelo homem, por intermédio de seu conhecimento da natureza e de seus progressos advindos do desenvolvimento tecnológico nos mais diversos setores, tais como a química, a informática e a medicina, tudo aquilo que parecia poder atenuar o sofrimento humano e melhorar sua vida, tende, por um espantoso paradoxo, a arruinar a humanidade. Ela ameaça fazer algo que, normalmente, não costuma acontecer em outros sistemas vivos, ou seja, sufocar a si mesma.

Por estas questões, a gestão e a preservação dos recursos naturais devem ser vistas como estratégias para o desenvolvimento sustentável. Questões como saneamento básico necessita de mais atenção por parte das autoridades competentes. Entretanto, há de se considerar, que a conservação da natureza e dos recursos naturais, dos quais todos nós dependemos, será fruto, principalmente, da tomada de consciência individual no que diz respeito ao nosso modo de vida e suas implicações e consequências sobre o meio ambiente.

* 1. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IFET/Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É Conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

2. Bacharelando em Agroecologia do IFET/RIO POMBA. E-mail: camiloaju@yahoo.com.br.

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