Desperdício de papel e medidas para o uso racional



* Por Maurício Novaes Souza

Entre as questões ambientais, um dos maiores problemas verificados na atualidade é a geração de um grande volume de resíduos. Isto se deve ao incentivo desenfreado do consumo de produtos típicos da vida moderna, que acabam poluindo o solo e os rios como conseqüência de sua disposição final inadequada. Tal crescimento é verificado em todos os setores, sendo que o descarte de papel é o que vem apresentando maiores índices de crescimento.
Tem-se verificado que o desperdício de papel nos escritórios pode ser facilmente observado nas salas onde ficam as impressoras e o “xérox”. Muitas vezes se vêem cópias minimamente defeituosas ou folhas apenas com o nome do usuário da rede que mandou imprimir seus relatórios ou trabalhos. No Brasil, e em todo o mundo, a quantidade de folhas jogadas diariamente no lixo é assustadora. Maior ainda é a surpresa ao sabermos que praticamente nada é reciclado.
Para se produzir uma tonelada de papel virgem é utilizada 15 árvores e consumidos 100.000 litros de água. Sendo o papel um recurso reutilizável pela reciclagem, a coleta seletiva proporciona uma diminuição significativa desse resíduo, contribuindo assim para a preservação de recursos naturais e economia de fontes não-renováveis. Sabe-se hoje que produzir papel a partir de papel “velho” consome cerca de 50% menos energia: utiliza-se 50 vezes menos água, além de reduzir a poluição do ar em 95%. Considere-se ainda o destino final dos resíduos no Brasil: 76% céu aberto; 13% aterro controlado; 10% aterro sanitário; 09% usina de compostagem; 01% usina de incineração.
Portanto, é preciso batalhar para conscientizar seus colegas e chefes que é necessário e urgente fazer uso racional de papel em sua empresa. Não é porque a reciclagem está em alta que vamos esquecer que antes do "R" da reciclagem vem os "Rs" da redução e da reutilização dos materiais. Em muitos casos, a coleta seletiva de papéis pode ser realizada com a implementação de práticas de educação ambiental e com a promoção da conscientização e mudança de hábitos nas comunidades ou na equipe de funcionários de uma empresa, desenvolvendo atitudes de não desperdício e uso racional de papéis.
O problema é tão grave que a Câmara de Belo Horizonte adotou um novo procedimento na elaboração de projetos e nos pareceres em tramitação que são disponibilizados pela internet. Isso porque após as emendas alguns projetos podem usar mais de 50 páginas. A nova tecnologia permite uma economia de R$ 150 mil por ano, gastos anteriormente com papel e cópias xérox necessárias ao acompanhamento da tramitação dos projetos pelos parlamentares. Ganha o cidadão, que terá acesso gratuito às informações; e o meio ambiente, que tem seus recursos poupados.
O mesmo foi realizado em uma das unidades da Universidade de São Paulo, em um programa implementado por uma equipe formada por docentes, funcionários e alunos que organizam e executam as atividades. São realizadas palestras de orientação sobre as atividades do programa nos diferentes setores e parte do papel é usada para confeccionar blocos de rascunho que são distribuídos à comunidade. O recurso financeiro obtido com a venda é revertido para a manutenção e continuidade do projeto. Em pouco tempo do programa foi para a reciclagem 3.496 Kg de papéis.
No entanto, essa atitude deve ser pessoal. Não podemos ficar passivos frente a uma atitude sem propósito como o desperdício. Pergunta-se então: como evitar essa prática? a) analise os motivos do desperdício e combata-os - a economia que poderá ser feita é um ótimo argumento; b) convide os profissionais a conhecerem a "salinha do Xérox" que é o principal local onde reside o problema; c) Reduza o uso de papel: revise texto no computador antes de imprimir e faça apenas o número necessário de cópias; d) Reutilize - use as duas faces da folha de papel para escrever, imprimir e fazer cópias; e) Reaproveite - envelopes, sacolas, papéis de embrulho e embalagens; f) compare o custo do papel reciclado com o virgem - existem papéis reciclados sem apelo de marketing; g) selecione - separar o material é fundamental, não misturando, por exemplo, copinhos sujos de café - é possível vendê-los em “Bolsas de Resíduos”; ou você pode entrar em contato com alguma entidade ou cooperativa de catadores para que eles recolham o material periodicamente; e h) não aceite folhetos na rua ou no carro se não forem de seu interesse.
Fica sempre aquela pergunta: o que eu tenho a ver com tudo isso? Empresas responsáveis entram em um seleto grupo de organizações com boa visibilidade junto a formadores de opinião. Tem benefícios como: fidelidade do cliente, vendas maiores, menores taxas de juros nos bancos, entre outros. Cada vez que contribuímos com novas propostas e atitudes, o mundo se modifica. Passe essa idéia adiante!
Publicação original em: INFORMACIRP, RIO POMBA, DEZEMBRO DE 2008.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e consultor do IBAMA. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

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