Ser ou não ser sustentável? Eis a questão!!!


* Márcia Ferreira1 e Maurício Novaes Souza2


É inquestionável que a sociedade moderna está cada vez mais atenta à forma como as empresas realizam seus negócios. Quem estuda as tendências do mercado sabe que os consumidores aumentaram seus níveis de exigência no tocante à ética e transparência das empresas (indústria e comércio) no relacionamento com seus “stakeholders” (colaboradores) em questões de sustentabilidade e governança.

Como se não bastasse, o movimento nessa direção, muitos executivos permanecem apegados a uma visão de negócios que se limita à obtenção do lucro direto. Para eles, a necessidade de tornar o negócio sustentável é algo desvinculado de objetivos comerciais. O cuidado com o meio ambiente, por exemplo, é encarado como um elemento gerador de custos. Dessa forma, constitui um impedimento à competitividade. Na opinião desses gestores, as “políticas verdes” da empresa podem entrar, quando muito, no âmbito do marketing ou das ações sociais.

Segundo Márcia Ferreira, um artigo publicado recentemente pela revista da Universidade de Harvard traz as conclusões do professor Prahalad e dos consultores Rangaswami e Nidumolu. Eles estudaram trinta (30) empresas de grande porte e constataram que a busca por soluções ambientalmente corretas estimula a inovação. Descobriram também que a PRODUÇÃO VERDE MINIMIZA CUSTOS: os investimentos necessários à implantação de métodos de produção mais limpa e de mecanismos voltados a economizar insumos são compensados pela CONSEQUENTE REDUÇÃO DE GASTOS.

As inovações organizacionais e tecnológicas inerentes a uma empresa sustentável são, portanto, fontes de lucro e de receita. Ao repensar produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio, o gestor adquire vantagem competitiva. Segundo esses autores, “Práticas inovadoras mudam os paradigmas existentes”. Os três (3) pesquisadores citados apontaram os cinco passos que devem nortear as ações das empresas. São eles:

· ajustar-se à legislação vigente e adequar-se às normas e aos códigos de adesão facultativa, criados por entidades não governamentais e associações, vendo tais normas como uma orientação e não como um fator impeditivo;

· fazer com que a cadeia de valores da empresa seja sustentável;

· criar produtos e serviços sustentáveis;

· desenvolver modelos de negócios baseados na sustentabilidade; e

· ter ações proativas, antecipando-se às tendências e ajudando a construir o futuro.

Para Márcia Ferreira, a visão dos articulistas se alinha à teoria do “triple bottom line”, desenvolvida pelo economista inglês John Elkington. De acordo com essa abordagem, a viabilidade econômica, a consciência ambiental e a responsabilidade social compõem o tripé conceitual que serve de base a todas as práticas de desenvolvimento sustentável.

A caminhada rumo a um modelo produtivo que valorize o ser humano e o meio ambiente, sem abrir mão do lucro e da geração de riquezas, é irreversível. E o dilema “hamletiano” proposto no título deste artigo – ser ou não ser sustentável – deve ser substituído por outro tipo de atitude: a convicção de que devemos, sim, ser sustentáveis, pois somente as empresas que se alinharem aos novos paradigmas serão efetivamente bem-sucedidas. Mais do que nunca, temos de ter a convicção de que outro mundo é possível. Essa é a questão.

1. Revista Folha Rural.


2. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental, e Doutor em Engenharia de Água e Solo. É professor do IF Sudeste MG campus Rio Pomba e Diretor geral do IF Sudeste MG campus São João del-Rei. Blog: www.mauriciosnovaes.blogspot.com.

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