Um Planeta Faminto - Considerações sobre o vídeo


*Wantuelfer Fernandes Gonçalves

Introdução

Assistir um vídeo como este (Um Planeta Faminto, filme promocional da BASF) faz qualquer aluno de agroecologia, ou qualquer outro curso que almeje atuar com sustentabilidade, ter mais orgulho de ter escolhido essa área de atuação. O motivo é muito simples: O vídeo torna, de forma não intencional, a necessidade da mudança na forma de produção e aponta a falta de competência para efetivar essa mudança, deixando o caminho aberto para novos profissionais.

Desenvolvimento

Ao apontar diversos fatos sobre a alimentação e sua cadeia produtiva, os editores do vídeo tentam passar os problemas como solucionados, e escondem outros tantos fatos que tornam essas soluções ambíguas. Por exemplo, ao citar os números de empregos gerados pelo agronegócio, em seu modelo vigente, escondem o fato de que esse modelo provocou o esvaziamento do campo (êxodo rural) transformando vários agricultores em desempregados nos grandes centros. Isso é geração de emprego ou compensação?

E o que dizer da biodiversidade? Ignoram o fato de que, nos primórdios da humanidade o homem fazia uso de milhares de espécies de vegetais para alimentação e passam a considerar como produção de comida apenas cinco cereais. Além de ignorarem o outro fato de que cada parte do mundo possui hábitos alimentares próprios e que isso deve ser preservado. De outra forma, não se justifica a projeção de que o Brasil deve participar de forma tão significante no fornecimento da alimentação global. E pensando nessa linha, não defende a soberania alimentar (de que cada país deve prover, na medida do possível, abastecimento a seu povo) tão pouco econômica, visto casos como, recentemente, o aumento do preço da soja, produto o qual o Brasil é autosuficiente e maior exportador mundial, no mercado interno devido à valorização do dólar.

Mas talvez, o assunto mais marcante seja a respeito da sustentabilidade. Simplesmente não é possível reconhecer quais critérios foram estabelecidos para sua avaliação no discurso apresentado. Ignoram o balanço energético, enaltecendo uma logística deliberadamente perdulária. Para as embalagens de agrotóxico utilizam o termo “retiradas da natureza”. E foram postas onde? Não foram retiradas, foram reconfiguradas através de alto desprendimento de energia. E a respeito de tecnologias nessa área, citam apenas uma (plantio direto) que, passou a ser estudada simplesmente para corrigir os problemas advindos justamente pela implantação do modelo de produção que o vídeo defende.

Considerações Finais

Houve outros tantos pontos a serem questionados, houve outros tantos que se mostraram corretos, mas a impressão final, ao menos para mim, é de que o profissional supracitado está fazendo muita falta.

Aluno do curso de Agroecologia 6º P – IF SEMG campus RIO POMBA

Professor: Maurício Novaes

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